terça-feira, 15 de maio de 2012

Era uma vez, a casa incentiva a experimentação artística



Artistas e suas obras em mostra no Castelinho de Treze Tílias convidam o público a experimentar as artes visuais sob o estado de infância

A exposição de arte para crianças Era uma vez, a casa abre nesta quarta-feira (16/05) no Museu Andreas Thaler, o Castelinho, em Treze Tílias, cidade no Oeste catarinense, de colonização austríaca, e reúne obras de artistas contemporâneos. Feita para quem tem entre 7 e 12 anos, a mostra também vai instigar quem está acima desta faixa etária. A curadora Vanessa Schultz reúne em Era uma vez, a casa trabalhos capazes de ativar o estado de infância dos visitantes. No jardim e no porão do Castelinho, construído na década de 1930, foram criadas propostas de interação do público com a arte em diferentes linguagens. A mostra tem caráter colaborativo e conta com monitores que recebem o público.Esta exposição resulta da vivência como artista, designer gráfica e mãe nos últimos 10 anos. Comecei a levar minha filha em exposições e pensei na possibilidade de criar espaços sem filtros entre a criança e a arte”, explica a curadora. Era uma vez, a casa fica em cartaz até o dia 17 de junho, com entrada gratuita terça a sábado, das 8h às 12h e das 13:30 às 17 horas. Domingos e feriados, das 9h30 às 17 horas.

Artistas e obras - Das obras de arte expostas no Castelinho florescem bolas, cintilam pontos de luz, voam pequenos pedaços de papel, ouve-se o mundo com atenção e palavras diferentes são lidas. O catarinense Walmor Corrêa empresta dois desenhos de seus seres impossíveis e improváveis que podem ser levados para casa. Fernando Lindote mostra seus ratos Topo Gigios em duas pinturas. Débora Santiago, artista paranaense que reside em Londres, utiliza um móbile de globos de espelhos para inundar o ambiente da mostra com pontos de luz. Ruffus, o personagem do livro de Valdemir Klamt, está espalhado pelo jardim. Era uma vez esse menino que enchia e esvaziava os pneus da bicicleta a cada 5 km por acreditar que vento velho fazia mal a eles e esta história está contada em pedaços na mostra. O vídeo Histórias da Unha do Dedão do Pé do Fim do Mundo explora o conceito de palavra-brinquedo, de Manuel de Barros.
Da Suécia, Laercio Redondo participa da mostra com a obra-proposição Paraíso aqui, que ensina a criar uma macieira em qualquer árvore. O "modo de fazer" a macieira está no caderno de atividades destinado ao público visitante. Já a artista Raquel Stolf empresta seus fones abafadores de ruídos para um passeio pela exposição. Mas as paredes têm ouvidos, aponta Julia Amaral ao instalar orelhas em cerâmica de tamanho natural pelas paredes do Castelinho. Novas descobertas estão em Uma Alice para Outra Alice, que Juliana Crispe compôs com oito portinhas, uma referência à Alice do escritor Lewis Carroll. E que tal inventar e voar? Maurício Muniz sabe que não é preciso muito para se divertir e aposta na montagem de aviões de papel a seu estilo (uma espécie de asa delta) e na topografia em declive do terreno para provar sua ideia.
Ingrid Thaler utiliza-se da memória da colonização austríaca de Treze Tílias e esculpe em madeira um brinquedo inspirado no retrato de seu bisavô Andreas Thaler, que foi ministro do governo da Áustria, em um momento de inserção e conversa da mostra Era uma vez, a casa com a cultura local. O Tirol brasileiro, como é conhecida a cidade é também a capital catarinense dos escultores de madeira. “O ministro fica observando as crianças de uma janela e, eventualmente, sairá do espaço para um passeio com elas. Uma seleção de fotos produzidas pelo público formará o álbum do ministro, que vai aumentar durante o período da exposição”, explica a curadora Vanessa Schultz. Era uma vez, a casa tem patrocínio do Funcultural, Fundo Estadual de Incentivo à Cultura , da Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte de Santa Catarina, Governo do Estado de Santa Catarina, e conta com apoio da Prefeitura de Treze Tílias e da Secretaria de Desenvolvimento Regional de Joaçaba.

O que: Era uma vez, a casa (exposição de arte para crianças)
Artistas participantes: Débora Santiago, Deborah Bruel, Diego Rayck, Edmilson Vasconcelos, Evandro Salles, Fernando Lindote, Ingrid Thaler, Godofredo Thaler, Julia Amaral, Juliana Crispe, Laercio Redondo, Marcia Roth, Mauricio Muniz, Raquel Stolf, Tercília dos Santos, Valdemir Klamt, Vinícius Alves e Walmor Corrêa.
Quando: de 16 de maio a 17 de junho de 2012 – terça a sábado, das 8h às 12 h e das 13:30 às 17 horas. Domingos e feriados, das 9h30 às 17 horas
Onde: Museu Municipal Andreas Thaler (Castelinho de Treze Tílias)



quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

O Brasil orgânico que nem imaginamos ser

Sinhá Saúde receita um belo registro da revolução que queremos em nossas vidas, em nossas mesas, a cada dia. Sucesso aos Contraponto!

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Romeu e Julieta



Ingredientes:
 Goiabada Cascão
 Queijo de Minas
Modo de preparo:
Junta um e outro
Rendimento:
Uma farta porção

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Não precisa sofrer...

...pra saber o que é melhor pra você.

domingo, 25 de dezembro de 2011

Vem 2012, vem!

Receita de sucesso é amor, cor, sol, sorrisos, luz, paz. Sementes boas quando plantadas trazem a farta colheita. Namastê e que assim seja!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Tudo retorna ao seu lugar

Meu diploma de jornalista sempre esteve aqui, guardado pelo exercício apaixonado da profissão que escolhi e aprendi a amar. Obrigada!

sábado, 26 de novembro de 2011

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Nós três em: O passado nos redime

Por que levamos pelo menos 30 anos para começar a dizer "eu te amo" para os amigos? Por que também precisamos de tanto tempo para confessar os segredos guardados a sete chaves nos cofres da infância adormecida? Acordamos sobressaltados aos 40 anos, eu, Iramaia e Charles feito tivéssemos 10. Faltou a Renata para reconstruir a trama, mas sigamos assim mesmo. Estamos em um café, os três, enquanto minha filha de nove anos desenha no papel sobre a mesa, no cantinho. Tudo começa no presente, os filhos que tivemos, que não tivemos, os trabalhos que fizemos, que não fizemos, os sonhos realizados e os jamais levados adiante, os discursos superados, ultrapassados, as manias acentuadas e tudo parece mais hilário do que trágico. Isso é bom. Mas por que? Perco o fio da meada para dar alguma atenção a quem nada entende do que estamos ali falando e nem parece se interessar. Minha filha gosta dos meus amigos de infância, de me ver com eles, mas não entende como podemos achar graça de algumas coisas tão bobas que vivemos juntos. Perfeitamente compreensível. Quando minha mãe me contava sobre ela e sua amiga escondidas no porão da casa da vovó amassando tijolos para fazer o blush que lhes coraria a face e, depois, apreciarem o movimento  no portão do casarão de Jacarepaguá também achava bobo. Para cada época um espírito, uma ousadia, um valor. Já que nada a consola, a não ser os lápis de colorir, os carimbos, o papel e o seu petit gateau volto para meu reencontro com o passado mais doce, o das minhas saias de pregas azuis, das meias brancas 7/8, camisa de alfaiataria e gravata azul. Meu primeiro uniforme escolar em terras catarinenses era assim. Quando eu, Maia e Charles nos conhecemos o figurino começava a mudar, na quarta série eu e Maia sonhávamos com as saias em modelo tubinho, do mesmo tecido azul e as camisetas de malha, sem gravatas.
Nos amávamos, isso era fato. Mas tínhamos uma relação dupla. Deixa eu explicar melhor: Charles amava Tiane e Maia, mas as duas disputavam a amizade dele e tudo mais ao seu redor. Então, Charles era o melhor amigo de Tiane, para ela. Era o melhor amigo de Maia, para ela. Veja só: fui descobrir que os dois passavam tardes divertidas iguais as nossas somente agora! Achei que aquilo era só meu, ora bolas. Mas também fiquei feliz ao saber que Maia me admirava tanto quanto eu a ela. Sim, claro que fizemos várias confissões naquela tarde de domingo, clamando por café com creme, em vez de refrigerante. Incrível, a menina que eu achava a mais bonita da escola, com seus longos cabelos loiros iguais aos da minha Susi preferida sonhava em ter os meus cachos negros balançando sobre seus ombros. E por que nunca dissemos isso uns aos outros? Por que não passamos os três juntos as maravilhosas tardes de brincadeiras e lanches, confissões e estudos? Meu amigo Charles nunca saiu da minha vida, até foi padrinho do meu casamento. Ligou no meu aniversário todos os anos, inclusive quando eu vivia em São Paulo. Que Maia não sinta ciúme nessa hora (até porque ele pode e deve ter feito o mesmo para ela) mas tenho de agradecer por ele ter cumprido a promessa que fizemos um dia, ainda meninos, no pátio da escola: - Nunca vamos nos separar! Me perdoa, Charles, por todos os anos que não lembrei do seu aniversário. Maia, linda e risonha, a minha boneca com vida, me perdoa pela traquinagem com os cabelos da Susi na sala de aula. Aquilo foi ciuminho, invejinha, coisa de menina moleca, imatura e insegura. Tudo foi e o que ficou é o melhor que temos, a nossa amizade e o carinho um pelo outro. Se Deus quiser estaremos juntos até o final dessa vida e nos encontraremos em tantas outras. Prometo um novo post sobre nós três dentro de dez anos. Até lá espero termos o paradeiro de Renata para puxarmos uma cadeira a mais na mesa do café. Aí eu conto onde ela entra nessa história. O Charles vai adorar! (isso é, ainda, resquício de crueldade pueril).

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Notícias da Lili

Jamais duvido de que tudo que acontece é bom e de que as coisas não se movem até que devam se mover. Olha a Lili, nossa fofa hóspede de quem trago as boas novas. Um belo dia abri minha caixa de e-mails e vejo lá uma resposta esbaforida de Anita Martins (a jovem jornalista que conhecia pelo fascinante jeito de contar as coisas, as suas aventuras pelo mundo no  blog que tenho aqui entre os meus favoritos). A campanha por um lar pra Lili seguia, uma moça marcava a desmarcava a visita para conhecer a cachorrinha e Anita aparece dizendo que só naquele dia tinha lido a mensagem com o cartaz da campanha de Lili que disparei. Tinha de ser ela.
Lili é a primeira experiência de convivência de Anita com um cãozinho. Ela tinha medo de cachorros e isso é muito normal, acontece. Lili também tinha medo de humanos. Qualquer gesto, mesmo que fosse de carinho a fazia encolher-se, num primeiro momento, e até urinar involuntariamente. Não sabemos o que ela viveu até o dia em que a encontramos com fraturas na bacia, abandonada ali na Baía Sul. Só que não vamos pensar no passado triste, mas sim no presente e no futuro felizes da nossa lobinha de riso fácil, bagunceira e ciumenta, como conta Anita. Ela mora num espaçoso e seguro quintal, recebe amor, carinho, passeia de carro com sua família e tem aqui eternos amigos: eu, pequena Buda e Pepê. Daqui pra frente, tudo vai ser diferente, Lili! Tudo já é mais felicidade na sua vida e nas vidas de quem você faz sorrir.
 Lilly da pequena Buda é Lili da Anita. Pepê da Christiane é João Pedro de Edu e Zé Cláudio. E assim animais criam laços fraternos entre humanos e nos ensinam que para amar e ser amado, basta querer.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A natureza é sábia

Tem coisas que não mudam. Pode o ser humano evoluir, adaptar normas de conduta aos novos tempos, mudar hábitos, mas existem as características imutáveis para cada etapa da vida. As das crianças são as que me ocorrem por ora, já que tem uns 15 dias que só ouço a minha dizer: - mãe, tá chegando o Dia das Crianças. É como querer que criança não faça sujeira, nem bagunça, nem cometa traquinagens a gente desejar que elas tenham consciência de que o quarto delas já tem muito mais brinquedos do que deveria. Só quem é mãe ou pai sabe o quanto é difícil convencê-los a doar alguns deles, sempre que algo novo chega. A gente apela até para o senso de organização, afinal é desesperador ver a o quarto deles na maior bagunça e não ter mais onde guardar trecos. Para mim isso é tão sério, que me declaro contra os brindes de fast food. Tá doido, quanta tranqueira acumulada. Sim, porque eles não brincam com essas coisas. Na hora de doar brinquedos, é cada desculpa esfarrapada, que chega até a ser engraçado.  - Mãe, mas esse boneco foi o meu primeiro de quando eu tinha três anos!  - E daí? Penso em responder ao argumento, apropriando-me da gíria do momento entre os tweens. Nada pode ser mais irritante do que ouvir esse "e daí?" acompanhado daquela expressão de sabichão independente que eles fazem.
É nosso dever educar os pequenos para o consumo, é ainda mais importante darmos o exemplo. Aí que mora o dilema. Assim como é do ser criança uma série de coisas como querer brinquedos em exagero e dar respostas espertinhas, é de ser pai em eterno aprendizado cometer os tropeços mais tradicionais. De vez em quando eu ouço: - Ué, mas você me disse que a gente só compra aquilo que precisa... você já não tem isso, mamãe?
Ô, meu pai, que vontade novamente de dizer:  - E daí? Mas eu não digo, claro. Respiro, penso e sigo firme no propósito de educar:  - Você tem razão, eu não preciso disso agora. Seria um ato de consumismo, filha.
 E obrigada por me lembrar disso.
Bom, eu acredito que assim eles aprendem e adquirem mais confiança ao saber que adultos também derrapam. E o melhor: entendem como é possível mudar, optar pelo que seria correto. Outro dia li num link a partir do Twitter uma matéria na qual o fabricante de um produto ou um grupo deles tachava o Instituto Alana de mau. Dizia que a Ong não gostava das criancinhas porque pretendia cercear o direito de ser criança, de comer besteira, de desejar brinquedos da moda e tal. Sabe que fiquei intrigada com isso? Não a ponto de concordar com tal afirmação superficial sobre o trabalho de estudiosos sobre mídia, consumo e educação, que vai muito além disso de supostamente tolher a infância e o que dela faz parte. Muito pelo contrário. Os pais de hoje são empurrados para uma rotina na qual delegam quase tudo sobre o ato de educar a alguém ou a alguma instituição. Não me pergunte o que os leva a isso porque direi o óbvio: mulheres no mercado de trabalho (ainda bem!), o anseio pela segurança material, a busca inconsciente sobre vários aspectos, o que é da natureza humana e o consumismo, por que não? Pronto, voltei ao início de tudo: o homem natural. Entre o homem natural e o homem espiritual, ainda me sinto no meio, um tanto camaleão. Ora natural, ora espiritual,  tento fazer as melhores escolhas. Acho que a tendência é tornar-me apenas um deles, com o passar do tempo. Naturalmente o tempo me levará para o espiritual. Porque é essa a tendência das pessoas, quando amadurecem. Ainda a caminho de lá e envolvida num trabalho de pesquisa sobre a propaganda brasileira, enquanto sou assediada por minha filha para o Dia das Crianças, mergulhei no meu passado de infante consumista e encontrei um velho bordão slogan. O comercial, pelo que consta, foi criado pela DPWZ, que depois se desmembrou em DPZ e W/Brasil, nos anos de 1980. A gente não só bombava isso nos ouvidos dos pais como também seguia a dica dos reclames, fixando bilhetinhos de "Não esqueça da minha Caloi" por todos os cantos da casa. Genial.

sábado, 24 de setembro de 2011

Mantramix

Let it be and everything is gonna be all right.


domingo, 18 de setembro de 2011

A alma do negócio

Como seduzir, se não pela essência? Pela boa película. Quizáz, Quizáz, Quizáz, para Loewe, me arrebatou.

domingo, 31 de julho de 2011

Lilly procura um lar

Dizem que nossos pensamentos e ações atraem as energias que vibram na mesma fequência deles e que os pensamentos geram ações. Tenho estudado e aprendido muito sobre isso e constato a verdade a cada dia, minuto, a cada pensamento e gesto. Contei no post anterior a história de como Lilly ( Pequena Buda me advertiu: é Lilly com "y") entrou em nossas vidas e atribuo isso a meu anjo, que age para meu bem a pedido de Deus, a energia universal na qual acredito, e também aos meus pensamentos e ações. Agora que Lilly está curada, ela precisa de um lar porque sua passagem por nossas vidas teria de ser assim. Vamos cumprir o ciclo e dele tirar todo o aprendizado possível: fé, esperança, amor incondicional e paciência. 
Nessa nova fase, atraímos para o nosso lado a Ana e a Angelita, a quem agradeço. Uma é reconhecida ativista da causa animal e a outra uma artista de mão cheia. E, claro, ambas são dois generosos corações que entraram na campanha de adoção da Lilly já arregaçando as mangas. Olha aí, vamos divulgar o cartaz de busca por um lar para Lilly e comemorar todos juntos o desfecho feliz dessa história? Se você quiser o arquivo do cartaz para ajudar a divulgar, é só pedir. Se quiser adotar Lilly, abra seu coração sem medo de ser feliz.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Esperança é a primeira que nasce

Era uma manhã meio preguiçosa, mas ainda assim fui para minha rotina de exercícios na Baía Sul. Naquele dia tinha planejado pular a meditação no trapiche. Porém, a corrida exigira tanto de mim que achei merecido o momento de repouso do corpo e da mente. Cada vez mais acredito nas escolhas pela intuição, no livre arbítrio e no amor. Pois é nisso que me amparo para contar sobre o encontro com Lili, esta pequena loba aí da foto, com olhos puxadinhos  e cheios de charme e esperança. Acomodada sob um pedaço de plástico, ao lado da casa de barcos,  no caminho para o trapiche, ela aguardava ajuda. Tinha um punhado de ração deixada a uma distância que somente alcançaria quando a dor lhe permitisse se arrastar até lá. Sem água e nem teto, não sabia que aquela noite seria das mais frias. Quem a deixou lá ferida em um provável atropelamento também não pensou nisso, quero crer. Desejou, já arrependido, que alguém a recolhesse antes da noite chegar. Se não foi assim, prefiro nem pensar em outro argumento. Também vou considerar a total ignorância dessa pessoa a respeito da lei federal que considera crime o abandono de animais. Acima de tudo, vou pedir a Deus o perdão para, a partir de agora, só falar de amor.
Agradeço por meu anjo me guiar até este lugar e por Lili ter entrado em nossas vidas. Agradeço ao dr. David, veterinário da clínica Duro de Roer (48 3234 4170) que prontamente se dispôs a atender Lili lá no local onde a deixei com a promessa de buscar socorro. Ao dr. Ricardo, da clínica Pet Sul (48 32331469), onde Lili ficou internada por três dias, também agradeço. Recomendo maior agilidade no atendimento do serviço público, que contatei ao meio dia e me retornou no meio da tarde. Se fosse questão de vida ou morte, Lili não teria chances. Mas ela teve. Assim como nós também tivemos a oportunidade de aprender muito com essa cachorrinha, nos últimos 40 dias. Eu e Pequena Buda, com a ajuda do Pepê, nosso mascote, e de amigos. Nosso cão solidário gentilmente cedeu a sua casa de madeira para abrigarmos Lili, soube dividir a nossa atenção e carinho com ela, o que para um terrier não é uma tarefa muito fácil. A fisioterapia indicada pelo veterinário, as preces, os pensamentos e palavras positivas, as histórias de ninar que a Pequena Buda leu para ela, além das outras brincadeiras diárias com a nossa hóspede, a força de amigos a quem recorremos para ajudar com o material necessário para os cuidados com a cachorrinha, a ração doada pela vovó Lúcia (com ela recolhi alguns cães das ruas, quando eu era criança. Dela recebi a devida educação para amar.) tudo contribuiu para o agora: Lili está de pé, corre, abana a cauda branca de lobinha, sorri, late e faz travessuras comuns a qualquer cão de oito meses. Ela venceu com sua esperança e nós recebemos de Lili uma grande lição de amor e fé. Quando via suas patinhas feridas por arrastar-se no chão, eu ficava triste, desconfiava até da previsão médica de que ela voltaria a andar. Então refazíamos os planos, pensávamos em mandar fazer umas rodinhas adaptáveis as patas traseiras da matusquela. Ideia da Pequena Buda, esclarecendo que Lili seria igual a qualquer pessoa com demandas especiais e seria feliz assim também. Mas aí, a pequenina abanava o rabo para mostrar que recuperava os movimentos. Fazia xixi no jornal para vermos que o controle da urina se regularizava. Uma senhora, ao ouvir minha conversa com uma amiga, no elevador de um prédio público, intercedeu: - pode acreditar que ela vai andar. Meu salsichinha teve cinco fraturas na bacia, andou em cinco meses.
Eu não sabia quantas eram as fraturas de Lili, mas David tinha me dado uns quarenta dias para a recuperação dela. E foi batata!
Muitas vezes conversamos:
- Lili, você é muito corajosa. Enquanto o Pepê chora ao sentir os primeiros pingos de chuva, pedindo para ser recolhido, você vai sozinha para dentro da casa e dorme tranquilamente, até a tempestade passar. Não tem medo de trovões, nem de fogos de artifício. É paciente para aguardar sua hora de poder entrar aqui em nossa casa, porque entende que agora não sabe quando e nem onde fará xixi e caquinha. Você será uma grande dama!
Todas as vezes que o vovô terrier rabugento rosna, ela devolve graça para ele. Se lá no cachorrês, entre eles, recebe ofensas inaceitáveis, sabe se defender com bravura e elegância. Aliás, isso está ficando mais frequente e, suponho, é hora de separar os dois. Quando adotei meu primogênito, sabia que era um cão possessivo, ciumento e muito inteligente. Eu o amo exatamente como é, um tanto imaturo e inseguro. Por isso mesmo ele só mostra os dentes para Lili, sabe muito bem que numa moça não se bate nem com uma flor. E também compreende a imaturidade da filhote, sua necessidade de segurança e de demarcar seu território.
Os terries escolhem seus donos, tão logo são ambientados em uma casa. Tive a felicidade de ser "a eleita" de Pepê e sou grata por este meu amigo fiel de todas as horas. Agora o amo e respeito ainda mais porque soube dividir seu espaço na matilha com uma irmã necessitada. Mostrou que é um cavalheiro.
Lili está curada e é hora de buscar um lar para ela. A campanha nas redes sociais tem sido auxiliada por amigos e ongs de proteção e de encaminhamento para a adoção de animais. Não vou dizer adeus porque Lili será nossa amiga para sempre, onde quer que esteja. Espero vê-la solta num espaçoso e seguro quintal, cercada de amor, cuidados e de alegria. Que assim seja!