Já pensou em percorrer uma estrada sem saber onde vai dar, nem quanto tempo o trajeto vai levar? O mais impressionante do caminho para a transformação é observar a paisagem, não se prender ao caminho e ao tempo. Isso eu li, mas não entendi como na era de devastadora ansiedade, instantaneidade, de prazeres imediatistas e fugazes, ser tão paciente. A resposta está no envelhecimento ou no alcance da temida maturidade.
Os velhos sabem esperar, são capazes de acreditar no melhor como ninguém. Hoje uma senhora que todos os dias frequenta o terraço onde fica o varal coletivo do meu prédio sorria satisfeita.
- Bom dia! Eu disse.
- Oi, bom dia! Você vê, Cristina (sempre erra meu nome) ele já está até me ajudando novamente. Referia-se ao marido. Ela comemorava a volta dele para casa, depois de uma internação repentina, há uns dois meses. Conquistei a simpatia escondida dentro daquela aparência sisuda, depois de um ano vivendo aqui no condomínio, nesse prédio descrito pelos moradores como “o mais rabugento dos quatro blocos”.
- Então, que bom ver o senhor novamente aí! Devolvi o gesto de atenção em me dar a boa-nova.
Quando ela desabafou sobre o que se passava em sua vida, senti pena: - Vou daqui pro hospital, meu marido tá muito doente, o médico disse que fez tudo, agora só depende dele (não gosto dessa frase feita dos médicos). Naquele dia, debruçada no muro do terraço, ela demonstrou preocupação, mas não medo. Embora saiba que medo é natural e necessário, o que eu percebi foi o equilíbrio diante da situação. Poderia ser apenas resignação, talvez. Até que, hoje, nessa linda manhã ensolarada de domingo, enquanto esfrego as meias e camisetas do uniforme da Bela no tanque vejo os dois no terraço, estendendo lençóis e toalhas, conversando. Fiquei curiosa por saber o que mudou na vida deles, cada um com uns 70 anos de idade.
Para mim, eles foram parte da paisagem que observo ao longo do meu trajeto para o amadurecimento. Ainda ontem dizia ao amigo Rubinho que faz tempo ando com a idéia de colocar uma mochila nas costas e conhecer um caminho místico. Poderia ser o de Machu Picchu, ofertado em pacotes de viagens que podemos pagar a perder de vista e do qual tenho um encantado relato da minha amiga Gigi. Ela foi antes de completar 40 anos e trouxe pra Bela a boneca que chamamos de “Juanita”, parecida com essa mãe peruana aí da foto.
domingo, 15 de novembro de 2009
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Eruditas.com.br também!
Aplausos, muitos aplausos para o maravilhoso espetáculo O Barbeiro de Sevilha. Fomos ao Teatro Pedro Ivo, eu e Bela, prontas para nossa primeira ópera. Adorei tudo, embora a longa duração tenha quase nos nocauteado de fome. Da próxima vez, jantamos antes. Mas o governador pode pedir para instalarem uma bomboniére ali no saguão, que vai ficar uma graça.
Eu e Bela vamos do pop ao erudito com muita desenvoltura, isso é nítido. Espetáculo de ballet, concerto, show de mágica, a gente quer é se emocionar. Contei pro nosso amigo Leo, que trabalha na produção do Barbeiro e nos ofereceu os convites para a noite de quarta (11/11) que uma vez fomos as duas em um concerto da Orquestra Filarmônica de Jaraguá do Sul, regida pelo brilhante maestro Daniel Botholossi, no TAC. Ao ouvir o primeiro clássico, Bela não se conteve. Saiu rodopiando com as mãos na barra do vestido pelos corredores de acesso às cadeiras da platéia. Ainda bem que o maestro achou simpático, aí o público não torceu o nariz pra gente.
Eu e Bela vamos do pop ao erudito com muita desenvoltura, isso é nítido. Espetáculo de ballet, concerto, show de mágica, a gente quer é se emocionar. Contei pro nosso amigo Leo, que trabalha na produção do Barbeiro e nos ofereceu os convites para a noite de quarta (11/11) que uma vez fomos as duas em um concerto da Orquestra Filarmônica de Jaraguá do Sul, regida pelo brilhante maestro Daniel Botholossi, no TAC. Ao ouvir o primeiro clássico, Bela não se conteve. Saiu rodopiando com as mãos na barra do vestido pelos corredores de acesso às cadeiras da platéia. Ainda bem que o maestro achou simpático, aí o público não torceu o nariz pra gente.
Vivendo e aprendendo
Perdi a palestra da escola da minha filha anteontem sobre como lidar com assuntos tipo sexo e relacionamentos na educação dos pequenos. Mais ou menos pra dar dicas de como explicarmos aos filhos que não dá pra dormir no meio do pai e da mãe e tal sem sentir que estamos deixando de dar um denguinho. Isso cresce, vira um um bicho maior do achamos que pode ser.
Um dia, eu tinha uns oito anos, minha mãe chamou, a mim e meu irmão, para resolver esse problema. Fomos até a mesa da cozinha e ela começou a lição: "Papai e mamãe são namorados, entendem? Então, eles precisam namorar e isso acontece aqui no nosso quarto" e por aí foi. Tudo isso para botar fim na instalação de colchões no chão da suíte, um de cada lado, cercando a cama deles, todas as noites. Ai, que saco, coitados! Chegamos ao cúmulo de dormirmos todos na cama de casal, depois eu e meu irmão na cama dos nossos pais e, cada um deles, nas camas de solteiro da gente, que uó. Limite é bom e saudável na vida das crianças ou os prejuízos podem ser enormes para todos os envolvidos.
Esse vídeo do Dia das Mães é bem engraçado, a Bela riu um montão aqui comigo. Mas é claro que ela já sabe que não é assim que os bebês são feitos. Contei com a sabedoria que natureza me dá todos os dias sobre a maternidade. Cristina, minha amiga-anja, as outras amigas que comigo experimentam essa maravilha da vida, as mães que encontro nas festinhas de aniversário dos amigos da minha filha na escola, as que trabalham comigo, aquelas com quem converso na fila do caixa do supermercado, em recepção de consultório pediátrico e, claro, as vovós da Bela me fazem ver que, toda vez que erro tentando acertar, estou evoluindo.
Um dia, eu tinha uns oito anos, minha mãe chamou, a mim e meu irmão, para resolver esse problema. Fomos até a mesa da cozinha e ela começou a lição: "Papai e mamãe são namorados, entendem? Então, eles precisam namorar e isso acontece aqui no nosso quarto" e por aí foi. Tudo isso para botar fim na instalação de colchões no chão da suíte, um de cada lado, cercando a cama deles, todas as noites. Ai, que saco, coitados! Chegamos ao cúmulo de dormirmos todos na cama de casal, depois eu e meu irmão na cama dos nossos pais e, cada um deles, nas camas de solteiro da gente, que uó. Limite é bom e saudável na vida das crianças ou os prejuízos podem ser enormes para todos os envolvidos.
Esse vídeo do Dia das Mães é bem engraçado, a Bela riu um montão aqui comigo. Mas é claro que ela já sabe que não é assim que os bebês são feitos. Contei com a sabedoria que natureza me dá todos os dias sobre a maternidade. Cristina, minha amiga-anja, as outras amigas que comigo experimentam essa maravilha da vida, as mães que encontro nas festinhas de aniversário dos amigos da minha filha na escola, as que trabalham comigo, aquelas com quem converso na fila do caixa do supermercado, em recepção de consultório pediátrico e, claro, as vovós da Bela me fazem ver que, toda vez que erro tentando acertar, estou evoluindo.
Lado A
Eles (The Cranberries) tocam em 2010 no Brasil. Me falaram, depois li no Uol. Acho tão bonitinho e escolhi essa (Linger) que toca no rádio e me faz lembrar coisas que curti nos anos 80, como a Suzanne Vega (Luka). Esses dias um DVD que rolava na festa de 13 anos do meu afilhado ( tô ficando seminova) com vários hits, coreografias, figurinos e, claro, pigmaleões da década que me iniciou de fato no mundo pop quase me levou ao êxtase. Digo que essa época me iniciou porque me botou na pista e os vídeo clipes me viciaram. Pop desde as fraldas, muitos de nós somos. De mim posso falar, porque os vinis herdados de meu pai não me deixam mentir, nem as boas festas e tardes de sábado que eu e meu irmão promovemos na sala lá de casa, regadas a refrigerante e com um farto coquetel de salgadinhos Chips. Agradeço por ter absorvido essa cultura desde muito cedo e creio que minha filha também não será só mais uma na multidão por conta disso e de outras coisas que são até bem mais importantes, ou não, como diria vovô Caê.
É pra curtir fazendo carinha de cute-cute.
É pra curtir fazendo carinha de cute-cute.
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
A vida como ela está
Apagão, Manoel Carlos no rodízio das oito, tensões no mundo de Maquiavel fascinam e afugentam. Sei não, tô preferindo outras sintonias. A arte liberta, o desapego abre horizontes e o pensamento deixa rastros. Sweet Lama, we are so glad to find you!
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Só rindo mesmo
Sobretudo sou uma pessoa livre de qualquer preconceito. Mas não dá pra ser chata a ponto de reprimir as boas risadas que podemos dar com certas coisas como as que minha amiga Cibele (beijo Bé, mini-me-liga!) me apresentou ontem. É cada causo nesse site, entra lá: http://www.muleburra.com/mb/
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
A arte de ser mulher
Adorei a história da Nete, a depiladora dos bacanas no Rio. Mora na favela Parque Real (Zona Sul), mas já está de mudança armada porque começou a ganhar dinheiro e a "chamar a atenção" da vizinhança menos provida. Li a matéria da edição deste mês da Piauí, que citava as precursoras da "tosa" profissional nas virilhas da mulherada nos EUA, as mineiras J. Sisters, depois de experimentar um serviço sem horário marcado (grande vantagem competitiva) numa franquia especializada, a Depyl Action, outra que aparece na reportagem disponível aqui.
Na maca da moderna e bem equipada sala de depilação da rede que nos convida a manifestarmos nossa feminilidade com um cardápio variado de desenhos pubianos, tipos de depilação para homens e mulheres, nas mais variadas áreas do corpo, lembrei da tia Maria. Certa vez fui ao salão dela fazer um retoque durante o verão e vivi momentos de dor e diversão. Enquanto me falava da vida, ela mandava ver no roll-on (ai que dor!) método que só aceito em último caso. Pensei que sairia dali em carne viva. Mas, bem no estilo Nete, ela prestou um bom serviço. Engraçado, embora tivesse sofrido pacas nas mãos de minha algoz depiladora cheia de histórias para contar e com um ousado conceito de virilha cavada, se um dia precisar, volto com muito gosto.
Nete, assim como tia Maria, que atende em uma maca nos fundos do salão, cercada por estoques de produtos de toda natureza e revistas antigas de cortes de cabelo, tem também sua vantagem competitiva. A personagem da matéria da Piauí é, antes de tudo, uma confidente, amiga das clientes. Chega a emprestar dinheiro para as "patroas" em apuros, dá desconto para as fiéis durangas e superfatura a tabela, se não fizer questão de atender alguma dondoca chata. Batalhadora, educa as filhas para a vida com boa dose de realidade. "Não depilo bunda de madame pra vocês irem mal na escola", avisa sempre que necessário. Grande Nete, da próxima vez que eu for ao Rio, vou tentar um horário com ela, figuraça.
Na maca da moderna e bem equipada sala de depilação da rede que nos convida a manifestarmos nossa feminilidade com um cardápio variado de desenhos pubianos, tipos de depilação para homens e mulheres, nas mais variadas áreas do corpo, lembrei da tia Maria. Certa vez fui ao salão dela fazer um retoque durante o verão e vivi momentos de dor e diversão. Enquanto me falava da vida, ela mandava ver no roll-on (ai que dor!) método que só aceito em último caso. Pensei que sairia dali em carne viva. Mas, bem no estilo Nete, ela prestou um bom serviço. Engraçado, embora tivesse sofrido pacas nas mãos de minha algoz depiladora cheia de histórias para contar e com um ousado conceito de virilha cavada, se um dia precisar, volto com muito gosto.
Nete, assim como tia Maria, que atende em uma maca nos fundos do salão, cercada por estoques de produtos de toda natureza e revistas antigas de cortes de cabelo, tem também sua vantagem competitiva. A personagem da matéria da Piauí é, antes de tudo, uma confidente, amiga das clientes. Chega a emprestar dinheiro para as "patroas" em apuros, dá desconto para as fiéis durangas e superfatura a tabela, se não fizer questão de atender alguma dondoca chata. Batalhadora, educa as filhas para a vida com boa dose de realidade. "Não depilo bunda de madame pra vocês irem mal na escola", avisa sempre que necessário. Grande Nete, da próxima vez que eu for ao Rio, vou tentar um horário com ela, figuraça.
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