quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A lagarta travessa

E já que falei de verão, navios e férias, é bom ficar atento aos bichos da temporada. Ontem tive de recorrer ao Centro de Informações Toxicológicas - CIT - para socorrer minha filha de um "ataque" de lagarta. Escutei seu grito e saltei da cadeira do escritório para ver o que tinha acontecido. A lagarta, miúda, pretinha com marrom, com a carinha vermelha, estava grudada na perninha dela. Tirei com uma revista e matei a bichinha, contrariando todo o ensinamento budista. Normal, uma mãe é capaz de encarar um leão por sua cria, esquece qualquer filosofia, crença e não mede consequências.
Na perna da menina aos berros, um risco que parecia uma unhada, fundo. Por sorte sempre tenho pomada para picadas, dessas antialégicas (usei Berlison) para tratar as picadas de mosquito ou outros insetos. Só depois fui consultar o serviço do HU para saber se deveria adotar outros procedimentos. O atendente me pediu que idenficasse o tipo de lagarta. Descrevi mas, como não sou bióloga e lagarta pra mim só tem outro nome, "bicha cabeluda", porque aprendi com meus amigos da escola ao chegar do Rio aqui na Ilha, com uns seis anos, ele me pediu pra entrar no site http://www.cit.sc.gov.br/ e ver as fotos disponíveis das espécies mais comuns. A mais parecida com a que assassinei a sangue frio é a da família Arctiidae, só que a da foto não tinha a carinha vermelha. Meus primeiros socorros, disse o atendente, foram perfeitos e essa não é a lagarta mais ameaçadora. Perigosa é a Lonomia Obliqua, a que parece ter reflexos platinados no cabelo. Ardeu mais um pouquinho e passou. Pena que tivemos de mandar embora nossas mudas de Malva Cheirosa que a vovó nos deu. Foi de lá que ela saiu, a taturana travessa. Duas companheiras dela, de igual tamanho e aparência rumavam para debaixo do sofá da sala quando as flagrei. Hortas, jardins, calor favorecem o aparecimento dessas "larvas de um grupo de insetos conhecidos como Lepidópoteros" pesquisei. Agora, ao explorar a horta da vovó seremos mais cautelosas.
  

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Para não morrer na praia

O turismo náutico entrou na pauta como segmento de grande pontencial no Brasil mas, como toda febre, já rende polêmica. De um lado os donos de resorts e hotéis que acusam os transatlânticos de roubarem a sua clientela amparados por  "facilidades". Argumentam que não podem competir com os pacotes generosos, as condições de pagamento que atraem a terceira idade, a garotada querendo curtição em alto mar, a milhas dos pais, casais classe média com filhos, gays e outros grupos consumidores de viagens. No Brasil não há nenhuma regulamentação para a atividade, sua exploração acontece meio nos moldes do que os destinos em desenvolvimento "importam" das feiras internacionais. O problema de embarcar na tal tendência mundial sem antever uma série de impactos, como este que o setor hoteleiro argumenta (querem uma taxação menor que os tornará competitvos) ou mesmo como a ausência de infra-estrutura para que esses navios atraquem e as pessoas tenham uma programação que lhes ofereça lazer e turismo de fato, que essa atividade movimente a economia local, é que o negócio corre o risco de morrer na praia. Ouvi relatos que colocam em xeque a qualidade do produto, o que demonstra a falta de planejamento ou de foco. Um casal de uns 50 anos que ouvi não pretende mais investir nesse tipo de passeio. Os dois acharam tudo muito "fubá", desde a trilha sonora das festas (pagode e sertanejo metido a pop) comida, atrações, quase nada de opção. Pode ter sido uma escolha infeliz de cruzeiro (foram de Itajaí para Santos, depois rumo a Punta del Este). Imagino esse casal respondendo por elegância ao agente de turismo nas próximas férias: "Obrigada, nós enjoamos em alto mar. " Os filhos adolescentes adoraram as "baladas" ao som de Victor e Leo (excesso e ausência de hormônios justificam certos desprendimentos).
 As opções dentro de segmentos como o ecoturismo, turismo de aventura, religioso, náutico, compras, cultural, hidrotermal que se estruturam dentro de um destino diverso como o Brasil devem mesmo ser ofertadas por área interesse e devemos é decidir que visitante queremos atrair.
O último debate sobre "turismo e tendências" que acompanhei falava do viajante independente, o que  planeja seu roteiro, compra tudo pela internet. Certa vez recebi uma jornalista alemã de uma revista especializada em ciclismo que disse: "O turista adepto do cicloturismo (muito difundido na Europa) só quer desembarcar no aeroporto, montar sua bicicleta e  receber o mapa da rota que vai seguir."
 Sua preocupação, obviamente, é com a segurança das ciclovias. O futuro do turismo no Brasil promete, mas ainda temos muito o que remar e pedalar para receber com qualidade.

sábado, 21 de novembro de 2009

Kirikou lê-lê-lê-lê


Os olhos cansam de leis e decretos e escapam para outras letras, que contam boas histórias. Gostei da reportagem de Fifo Lima (parabéns, Fi!) na edição 69/09 de Ô Catarina! sobre o pai de Kirikou, o mini-menino africano que salva sua tribo da feiticeira malvada (porque as boas existem, ok?). O perfil do cineasta Michel Ocelot, que esteve aqui em Floripa, em julho último, na Mostra de Cinema Infantil (foi na edição anterior que eu e minha filha conhecemos o africaninho comparado pelo autor a Voltaire e aprendemos sua música e dança parecida com o kuduro angolano) fala da obra do francês que conquistou não só o título de "Amigo do cinema infantil" como o mercado de cinema de animação com a determinação de um herói. Cinema sem grana não é queixa e sim combustível para o novo queridinho dos produtores de animação, como relata a matéria. A origem das excelentes produções de Ocelot é de parte de sua infância em contato com  as lendas africanas (ele morou na Guiné Francesa dos seis aos 11 anos) e da imaginação despejada em seus roteiros, a qual define como "antropofagia de narrativas." Então, corre atrás da sua edição  impressa de ""Ô Cata!" (para os íntimos) e leia essa e outras matérias na íntegra. No site da Fundação Catarinense de Cultura http://www.fcc.sc.gov.br/ também tem um PDF com a edição completa.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Como ser legal

O vento súbito arranca telhas, sacode as árvores violentamente, arrasta fios de telefonia, desmorona alicerces de uma construção perto do meu trabalho. Apagão geral, produzi uma nota apenas e descobri que a vida parece nula fora do mundo virtual. Quem diria, não estamos nem aí pra natureza e não vivemos sem a internet, esse universo paralelo, nada palpável, sem cheiro, gosto, forma. Mas, sem muito querer filosofar, já o fazendo, dei uma geral agora pelos blogs, noticiários online e vi que a fúria de titãs saiu devastando, matou gente pacas aqui no Sul. Em novembro do ano passado, sobretudo em Santa Catarina,  de Norte a Sul, o final do ano de 2008 foi triste pra muita gente. Não tem dinheiro do governo ou solidariedade do próximo que repare os estragos feitos nas vidas dessas pessoas depois de tragédias. Mas nada é por acaso. A solidariedade nos acalenta porque é assim que reforçamos nossa fé na essência humana, que tomamos sacodes necessários.
É hora de pensar no que fazemos, em quem somos neste epetáculo dirigido por Deus. O que nele nos encanta, faz rir e chorar, sofrer e celebrar. Que nessa vida não temos tempo pra nada, mas encontramos tempo demais para pequenices. É hora de ser gigante, como a natureza. Li uns comentários de leitores no noticiário catarinense e, pelo que percebi, quando o medo bate, todos ficamos sensatos. Um leitor reconhecia que "os ecochatos estão com a razão". Outro dava explicações apocalípticas e citava a inversão térmica, causada pelo aquecimento global e outros fenômenos propalados pelos cientistas. Tinha maluco vibrando com as big waves que podem pintar no litoral, fazendo o estilo camicase do tow in. Aqui da minha janela vendo o tempo passar e o vento soprar ameaçador, sei que preciso fazer mais pelo planeta. A começar por reciclar meu lixo, tornar isso um hábito mesmo, não só separar latas e garrafas dos encontros em casa com amigos.
Engraçado, hoje pela manhã vi minha sacola retornável atrás da porta da área de serviço e tomei a atitude que vivo prometendo aos empacotadores do supermercado, como que me justificando pelo descaso. Levei pro carro e pretendo usar na próxima vez que o consumo me colocar de cara com minha consciência. Até no shopping! Já pensou que engraçado? Me imaginei garimpando araras dos magazines e carregando tudo na minha sacola de pano. E no sacolão também. Mesmo quem tem o carrinho de feira leva as frutas, verduras e legumes naquelas sacolas plásticas verdes ou saquinhos transparentes. Não custa, é mesmo questão de praticar e de mudar de atitude. Agradeço por ter minha pequena Buda me dando lições que traz da escola sobre o amor à natureza. Me ensinando, no dia-a-dia, como ser legal.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Todos querem sorrir

Turismo é o Negócio da Felicidade, defende o livro (editora SENAC SP) do especialista em marketing turístico, Josep Chias (cosultor do Plano Catarina/SANTUR) com uma centena de planos de promoção de destinos assinados pelo mundo, inclusive o da Espanha, sua terra natal, e o Aquarela, da Embratur. Chias prevê um futuro para todos aqueles que desenvolvem o turismo com a adesão da comunidade, dos micro e pequenos empresários do ramo, esmagadora maioria, e do poder público também. Os turismólogos defendem os "diálogos entre a atividade econômica e a sociedade no entorno". São debates com a sociedade para que o turismo no cotidiano das pessoas que moram nas rotas dos vajantes não seja um problema social, quando deveria ser solução. Nesta quarta (18/11) o Cine Favela mostra o  documentário "Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado”, de Joel Zito Araújo sobre turismo sexual, pedofilia e racismo. O tema entra em debate logo após a eixibição do doc (19:30) no  Centro de Filosofias e Ciências Humanas – CFH - da UFSC. Na quinta (19/11) será na penitenciária feminina de Forianópolis (15:00) e no Curso de Cinema da Unisul, em Palhoça (19:30).
No Brasil e no exterior mulheres “buscam uma vida melhor” ou a "segurança" com um "marido europeu." Zito trabalha sobre a realidade de 900 mil pessoas traficadas pelas fronteiras internacionais a cada ano, exclusivamente para fins de exploração sexual. Apesar de todos os perigos, "jovens mulheres brasileiras, de maioria negra, ao entrar no mundo do turismo sexual acredita que vai mudar de vida e sonha com o príncipe encantado." O filme passa pelo Brasil e Europa " buscando entender os imaginários sexuais, raciais e de poder das jovens cinderelas do sul e dos lobos do Norte." Joel Zito, autor e diretor dos filmes A Negação do Brasil (vencedor do É Tudo Verdade 2001) e Filhas do Vento (premiado oito vezes no Festival de Gramado) faz documentários desde 1988, é autor dos livros A Negação do Brasil - o negro na telenovela brasileira e O Negro na TV Pública (no prelo), autor de vários artigos sobre a mídia e o tema racial no Brasil e doutor em Ciências da Comunicação pela ECA / USP.
Com infos do Cine Favela

terça-feira, 17 de novembro de 2009

O que adoça a vida

Nunca tive boa mão pra doces, embora, modéstia à parte, revire as panelas e tire delas preciosidades inventadas e copiadas das cozinhas do mundo ou de algum canto do Brasil. Mas ontem minha filha me pediu um bolo de chocolate, bem simples. Não queria nada pronto do supermercado (concordo, também não gosto) tampouco as misturas de caixa para facilitar a vida da mãe moderna (se eu não fosse multifuncional, seria contra também). Mas topei o desafio e fomos atrás dos ingredientes. Pulamos cedo da cama e pegamos o livro de receitas da Sinhá Saúde (minha personagem mestre cuca) e mãos, ou melhor, batedeira na massa. O chocolate do frade deixa a massa mais saborosa, preta tipo brownie. Fizemos cobertura de brigadeiro com morangos frescos. Ai, que delícia, fofinho e bonito feito bolo de confeitaria. E ela me deu uma idéia: - Mamãe, por que não montamos um loja de doces?
 - Sei, como no filme Chocolate! Lembrei. Tive de fazer uma sinopse básica da comédia de Lasse Hallström pra minha garota sabe-tudo e prometer para a próxima locação na videoteca.
Antes Juliette Binoche a Sandra Dee, aquela que ficou lá no meu diário da Hello Kitty. A foto é de Othon Neves, disponível no perfil dele no Facebook.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Cinco estrelas

Milk é um filme espetacular e Sean Penn o gay ativista que eu imaginei que ele encarnaria. O cara é fera mesmo e incrível também é a semelhança física de Sean com o verdadeiro Harvey Milk (as fotos aparecem no final do filme) que fez história nos EUA em 1978 pela defesa da igualdade, tomando como bandeira os direitos dos homossexuais.