terça-feira, 1 de dezembro de 2009

El mango

Impossível não acordar sorrindo num dia como o de hoje, de céu muito azul, ouvindo os pássaros em um coral desatinado, cada com sua própria canção. Hoje comemos peixinho, salada com manga (depois passo a receita do linguado com molho de manga que preparei no sábado e recebi os aplausos da crítica mais exigente, minha filha e minha sobrinha) e nos preparamos para, agora à noite, montar nossa árvore de Natal. Era para ser uma nova decoração, toda com pinhas e laços dourados, um lux!
Mas acontece que a Bela pediu para usar também os enfeites antigos, ela adora os ursinhos e outros badulaques que temos desde São Paulo. Resolvi, então, que será dela a autoria da decoração, mesmo que pareça descontrol ou nada "chique" (não há nada mais cafona do que esse termo ou aspiração).
Afinal, que graça tem em comer a manga picadinha e de garfo, né? Guardo até hoje a foto que minha nutricionista da Sinhá Saúde (cozinha saudável e educação nutricional na pré-escola) me deu em um material para as atividades de estímulo ao consumo de alimentos saudáveis. Um menino com o rosto todo pintado do amarelo e viscoso suco da manga, segurando o caroço descabelado da fruta.
Para que a comunicação com a criançada surtisse resultados, lá na Sinhá, os recursos aplicados eram os que falam aos sentidos na infância: brincadeira, bagunça, lambança. Além de atenção e amor, evidentemente. Então, vamos ver o que será de nossa árvore by Bela. Depois conto, mas só tenho a esperar o melhor.
  

domingo, 29 de novembro de 2009

Cinema para viajar

Forianópolis receberá o Festival Internacional de Cinema de Turismo, em maio de 2010. É a primeira vez que a mostra acontece no Brasil, Santa Catarina acaba de captar. Filmes institucionais e comerciais dividirão a programação na capital. Aventura, esportes, cultura e gastronomia, em documentários, peças promocionais, longa e curta-metragem.
Os filmes comerciais sobre vinhos, como Sidways - Entre umas e outras (Alexander Payne/2004/EUA) podem estar na mostra. Dois caras, o escritor fracassado Miles e inconformado com o divórcio e Jack, um ator boa-vida prestes a casar, viajam para uma inusitada despedida de solteiro pela região produtora de vinho na Califórnia. Entre uma degustação e outra divertem-se com a vida e suas situações. Bom como uma taça de Merlot.
Essa é exclusiva do Bom bocado, falei com um dos organizadores na sexta.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

On the road

Rock to Sleep, a trilha perfeita para a vista do mar grosso nas curvas de sempre, a caminho de casa.  Just be thankful for what you got! Entendi, thank you, William DeVaughn. Aumento o volume na hora em que o caminhão ultrapassa e encaixa sua interminável carroceria em nossa frente, me fazendo pisar levemente tensa no freio e respirar aliviada. "Deus é pai. Graças a Deus" era  que trazia grafado em letras brancas sobre a lona preta, que seguimos até o próximo desvio da BR desordenada pelo progresso. Um túnel sai do meio do morro verde, que pena, que bom. O cenário se trasforma e sentimos saudade, vontade de desacelerar o que tem pressa. O verde se transforma em branco, rosa desbotado de rocha detonada. 
Calor insano en la Isla, asfalto derretendo. Pantera libera uma fúria a que todo zen tem direito, nem que seja de vidro fechado, no ar condicionado. What did you say? Are you talking to me?
Y hoy, que horas son, mi corazón?

Nonocha

- Na semana que vem temos um evento aqui também,vai ser bem legal.
 - Que bom, se der...eu venho.
 - Pode vir assim mesmo como você está, o pessoal é bem simples.

Tentei, mas foi inevitável, meus ouvidos têm atração para essas coisas e também juro que lutei para não comentar, mas não consegui. Pronto, falei.
Nonocha = No notion

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A lagarta travessa

E já que falei de verão, navios e férias, é bom ficar atento aos bichos da temporada. Ontem tive de recorrer ao Centro de Informações Toxicológicas - CIT - para socorrer minha filha de um "ataque" de lagarta. Escutei seu grito e saltei da cadeira do escritório para ver o que tinha acontecido. A lagarta, miúda, pretinha com marrom, com a carinha vermelha, estava grudada na perninha dela. Tirei com uma revista e matei a bichinha, contrariando todo o ensinamento budista. Normal, uma mãe é capaz de encarar um leão por sua cria, esquece qualquer filosofia, crença e não mede consequências.
Na perna da menina aos berros, um risco que parecia uma unhada, fundo. Por sorte sempre tenho pomada para picadas, dessas antialégicas (usei Berlison) para tratar as picadas de mosquito ou outros insetos. Só depois fui consultar o serviço do HU para saber se deveria adotar outros procedimentos. O atendente me pediu que idenficasse o tipo de lagarta. Descrevi mas, como não sou bióloga e lagarta pra mim só tem outro nome, "bicha cabeluda", porque aprendi com meus amigos da escola ao chegar do Rio aqui na Ilha, com uns seis anos, ele me pediu pra entrar no site http://www.cit.sc.gov.br/ e ver as fotos disponíveis das espécies mais comuns. A mais parecida com a que assassinei a sangue frio é a da família Arctiidae, só que a da foto não tinha a carinha vermelha. Meus primeiros socorros, disse o atendente, foram perfeitos e essa não é a lagarta mais ameaçadora. Perigosa é a Lonomia Obliqua, a que parece ter reflexos platinados no cabelo. Ardeu mais um pouquinho e passou. Pena que tivemos de mandar embora nossas mudas de Malva Cheirosa que a vovó nos deu. Foi de lá que ela saiu, a taturana travessa. Duas companheiras dela, de igual tamanho e aparência rumavam para debaixo do sofá da sala quando as flagrei. Hortas, jardins, calor favorecem o aparecimento dessas "larvas de um grupo de insetos conhecidos como Lepidópoteros" pesquisei. Agora, ao explorar a horta da vovó seremos mais cautelosas.
  

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Para não morrer na praia

O turismo náutico entrou na pauta como segmento de grande pontencial no Brasil mas, como toda febre, já rende polêmica. De um lado os donos de resorts e hotéis que acusam os transatlânticos de roubarem a sua clientela amparados por  "facilidades". Argumentam que não podem competir com os pacotes generosos, as condições de pagamento que atraem a terceira idade, a garotada querendo curtição em alto mar, a milhas dos pais, casais classe média com filhos, gays e outros grupos consumidores de viagens. No Brasil não há nenhuma regulamentação para a atividade, sua exploração acontece meio nos moldes do que os destinos em desenvolvimento "importam" das feiras internacionais. O problema de embarcar na tal tendência mundial sem antever uma série de impactos, como este que o setor hoteleiro argumenta (querem uma taxação menor que os tornará competitvos) ou mesmo como a ausência de infra-estrutura para que esses navios atraquem e as pessoas tenham uma programação que lhes ofereça lazer e turismo de fato, que essa atividade movimente a economia local, é que o negócio corre o risco de morrer na praia. Ouvi relatos que colocam em xeque a qualidade do produto, o que demonstra a falta de planejamento ou de foco. Um casal de uns 50 anos que ouvi não pretende mais investir nesse tipo de passeio. Os dois acharam tudo muito "fubá", desde a trilha sonora das festas (pagode e sertanejo metido a pop) comida, atrações, quase nada de opção. Pode ter sido uma escolha infeliz de cruzeiro (foram de Itajaí para Santos, depois rumo a Punta del Este). Imagino esse casal respondendo por elegância ao agente de turismo nas próximas férias: "Obrigada, nós enjoamos em alto mar. " Os filhos adolescentes adoraram as "baladas" ao som de Victor e Leo (excesso e ausência de hormônios justificam certos desprendimentos).
 As opções dentro de segmentos como o ecoturismo, turismo de aventura, religioso, náutico, compras, cultural, hidrotermal que se estruturam dentro de um destino diverso como o Brasil devem mesmo ser ofertadas por área interesse e devemos é decidir que visitante queremos atrair.
O último debate sobre "turismo e tendências" que acompanhei falava do viajante independente, o que  planeja seu roteiro, compra tudo pela internet. Certa vez recebi uma jornalista alemã de uma revista especializada em ciclismo que disse: "O turista adepto do cicloturismo (muito difundido na Europa) só quer desembarcar no aeroporto, montar sua bicicleta e  receber o mapa da rota que vai seguir."
 Sua preocupação, obviamente, é com a segurança das ciclovias. O futuro do turismo no Brasil promete, mas ainda temos muito o que remar e pedalar para receber com qualidade.