Ontem torcemos com nossas amigas (mãe e filha também) para que encontrassem seus parentes em viagem pelo Chile e sem contato com o Brasil, desde o terremoto que matou centenas. As duas meninas conectadas pelo serviço de mensagem instantânea falavam sobre a catástrofe, pautadas pelos adultos e seus relatos naturalmente ansiosos, apreensivos, apegados à fé e à esperança. Inevitavelmente as notícias atualizadas na rede pela qual as pequenas teclavam produziam uma narrativa peculiar sobre o acontecido, naquele alfabeto de códigos indecifráveis que as crianças adotam no MSN. Seus inocentes processadores da realidade, abastecidos com as informações do mundo adulto, demonstram o quanto elas temem pelo futuro do planeta e como é desafiador educar um filho, quando a mídia e a informação nos atropelam. Negar o acesso é impossível, a convivência social e em família teria de ser outra e não é o caso. Porém, ser o mediador entre esse mundo real e aquele que pertence à criança é tarefa dos pais e da escola.
Falemos da nossa parte a quem, primeiramente cabe livrá-las dos medos. Afinal a proteção é o que mais os filhos esperam dos pais, seguida dos saudáveis limites. Depois é fazê-los perceber que tudo pode melhorar com boas atitudes. Desde cuidar do meio ambiente, ajudar as pessoas a se recuperarem dessas tragédias, mentalizar positivo para a tia da amiguinha lá no Chile, pela coletividade afetada, até acreditar que a ciência pode ajudar a gente a impedir as catástrofes ou minimizá-las. Só sei que o sábado dedicado a caseirices me fez exercitar o pouco que aprendi sobre crianças, educação e mídia.
- Mãe, o que é tsunami? Ela pode chegar aqui? Vamos pra São Paulo, lá pode chegar?
O alívio vem do pisca-alerta cor de laranja na tela do computador. Uma trégua para comemoração.
- Mãe, a tia da Maria fez contato, ela tá bem!
Parecia que o terremoto no Chile encerrava a participação no dia dela. Foi brincar com as bonecas. Mais tarde recebo uma determinação da pequena candidata a mochileira.
– Mãe, não vamos mais para o Peru, lá pode ter tsunami. Nem para o Havaí (a gente quer dançar hula-hula como a Lilo, a Nani e o Stitch ao som de Elvis) e pro México.
Bem, não vamos pensar nisso agora.
domingo, 28 de fevereiro de 2010
sábado, 27 de fevereiro de 2010
Do blog do Almodóvar
Que bom que o outono vem aí. Longas botas pretas, batom vermelho, casacos e chapéus. Chega da suor.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010
Volta às aulas
O primeiro dia de aula neste ano foi com emoção de estréia. Escola nova, tudo para ser descoberto: espaço, amigos, professores. Enquanto assava o rocambole de carne e brócolis, me concentrava no propósito de não pagar o mico de chorar no primeiro dia (nunca escapei desse papelão nas minhas estréias e nem nas dela). Teria dado certo, se eu não me sabotasse. Sorrateiramente fui colocar um pacote do biscoito preferido dela na mochila. Vai que ela não gosta de nada que tem na cantina da nova escola? Não satisfeita, escondi também um bilhetinho de boa sorte, carimbado com um beijo de batom rosa. Foi aí que boca tremeu e em questão de segundos meus olhos estavam marejados. Fui flagrada por ela neste exato momento. Pronto, o mico se materializou. Ainda bem que foi em casa e não no portão da escola, né?
- Mãe, você tá chorando? Não acredito!
- Ah, Bela, deixa, sempre chorei no primeiro dia de aula, quando mudei de escola...
- Mas por que? Sei lá, ficava com saudade da minha mãe e com um pouco de ansiedade, uma cosquinha danada na barriga, que logo passava. Hoje é diferente, estou emocionada porque você vai para sua nova escola, é coisa de mãe.- O que é isso aí?
- Um bilhete para você.
- Me dá, deixa eu ler.
- Não, é para ler na escola, não estraga.
- Tá boooooom, só abro lá (fazendo cara de supermadura ao atender meu desejo pueril).
E já na escola, lá foi sala adentro, segura e feliz, depois de nos apresentarmos à professora. Fiquei pela janela olhando minha pequena-grande-menina-sabe-tudo da terceira série e pensando nas conversas sobre o que ela quer ser quando crescer. Imaginei-a com seu uniforme de astronauta, manipulando fórmulas no seu laboratório ou de microfone e bloco em punho, como muitas vezes a vi imitando os repórteres do noticiário local. Sabiamente ensina a canção do Palavra Cantada, "brincadeira, choradeira, pra quem vive uma vida inteira." Em todas as estréias de minha filha, muitos micos ainda hei de pagar.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
O meu ganza faz chica-chica-bum
Carnaval para os que pulam quatro dias, a receita é: bate um suco de clorofila por dia, meu rei. Aos que aproveitam o feriado para descansar, dou a dica de caldinho de vôngoles ao vinho, espetinhos de lula com molho de shoyu e gengibre para regar, alguns bons filmes locados e brisa. Se o sol aparecer, melhor. Vamos ouvir marchinhas, cubanitos, reggae e sacolejantes misturas eletrônicas com latinidades a caminho do mar. Confete não porque gruda na pele suada, mas serpentina pouca é bobagem.
A Nega Tide ganhou um megapainel no acesso dos camarotes da Nego Quirido, com uma foto exibindo seu baita sorrisão. Fui lá no lançamento do novo espaço "vip" e senti aquela melancolia que o Carnaval injeta no peito da gente. Sempre morre um bamba pra comunidade chorar, em todo salão tem um pierrô pela colobina a lamentar... essa festa do Momo é como diz o Átila Ramos, artista plástico e autor de alguns livros sobre o entrudo na Ilha de Cascaes: "Não sei de onde vem o espírito carnavalesco", da alegria ou da tristeza? Do profano ou do sagrado? É pra rir e chorar ao mesmo tempo, digo eu.
A Nega Tide ganhou um megapainel no acesso dos camarotes da Nego Quirido, com uma foto exibindo seu baita sorrisão. Fui lá no lançamento do novo espaço "vip" e senti aquela melancolia que o Carnaval injeta no peito da gente. Sempre morre um bamba pra comunidade chorar, em todo salão tem um pierrô pela colobina a lamentar... essa festa do Momo é como diz o Átila Ramos, artista plástico e autor de alguns livros sobre o entrudo na Ilha de Cascaes: "Não sei de onde vem o espírito carnavalesco", da alegria ou da tristeza? Do profano ou do sagrado? É pra rir e chorar ao mesmo tempo, digo eu.
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Mr. Black Green e os segredos da cozinha para a felicidade
segunda-feira, 25 de janeiro de 2010
India dos sonhos
Este foi o filme vencedor da edição 2009 do Festival Internacional de Cinema de Turismo, em Viena. Falei no post Cinema para viajar (aqui no Bombocado e em primeira mão, busca lá por novembro) que Florianópolis é a representante do Tour Film Brazil para a América Latina (Santa Catarina captou esse megaevento no final do ano) e vai receber o Festival em maio próximo. No lançamento que aconteceu aqui na capital na semana passada a platéia embarcou nesse vídeo (Incredible India) que foi muito feliz ao representar a essência do turismo como experiência, valorizando as emoções e as sensações. Essa é a pegada do marketing especializado em viagens e turismo dos destinos mais competitivos do mundo. As vivências são o que tornam uma viagem inesquecível. O slogan "Brasil Sensacional", criado pela Chias Marketing para a Embratur, saiu de uma pesquisa com turistas estrangeiros que conheceram algum destino brasileiro. A pergunta era que palavra traduzia a experiência vivida no País. A maioria cravou "sensacional!". Um colega de trabalho que esteve recentemente na Índia para o casamento da filha (com a cerimônia tradicional que muitos brasileiros conheceram pela última novela das oito) relatava sua passagem pela comunidade tibetana, sua viagem de sete horas até a nascente do rio Ganges e nem precisou verbalizar o que sentia enquanto exibia suas fotos. Tava nos olhos dele: incrível! E na bagagem, além das emoções, ele a e a esposa trouxeram muito curry, chá, incenso e panos. Vou lá preparar uma receitinha qualquer hora com eles.
Faz pouco tempo eu sonhei que descia por escadarias intermináveis, meus cabelos soltos e muito mais longos do que realmente são estavam enfeitados com lenços de todas as cores. Uma fumaça perfumada dos incensos se espalhava com a brisa fresca e a música me alegrava como não sei descrever. Pois quando o operador apertou o play desse vídeo no lançamento do Festival ativou minha memória onírica. Agora durmo sempre pensando em embarcar no dia seguinte pra Índia. Hoje só amanhã.
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