Se não fossem o mar, a brisa, a paisagem de cinema, meus amigos, os da minha filha, minha família, meu canto, não acharia mais tão absurdo pensar em voltar para minha amada terra de ninguém. De vez em quando o vento trazia o cheirinho bom da maresia me chamava à Terra. Pensei que fosse surtar no inacreditável congestionamento da tarde dessa quinta-feira. Nunca imaginei levar duas horas e meia presa no trânsito de Floripa. Nem a respiração do yoga, nem minhas mais positivas telas mentais me salvaram do estresse coletivo que se materializou nessa cidade. E olha que o pior dia (o do megatrânsito) é sexta, quando nem cogito cruzar a ponte. Mas é que eu fui levar meu pai ao tratamento dele. Do centro ao continente levei uma hora e meia, só na marcha lenta. Na volta recorri a caminhos alternativos para escapar do engarrafamento que começava já no túnel de saída da rua da casa dos meus pais, ainda na BR-101. Me senti em plena Marginal Tietê, exercitando todo o desprendimento que adquiri com relação ao meu precioso tempo quando não me restava outra postura. A vida na selva urbana educa a gente.
Da ponte percebi que o melhor seria chegar ao Itacorubi pelo Sul. Parada na rua principal do bairro, me distraio tentando relembrar onde ficava o clube local, o Limoense (já fui numa domingueira lá com a Gisa. Como a gente se divertia...). O papo de duas moradoras na calçada me arranca do transe e também assalta minha esperança. Percebo que não vou chegar antes das 19 horas no local pretendido.
- Credo, morreu alguém famoso aqui do Saco, nunca vi tanto carro assim, só pode ser cortejo.
As duas caem na gargalhada e eu embarco no clima de piada. O melhor a fazer é rir, sabemos disso.
Olho para meu pai em busca de alguma cumplicidade, mas ele dorme o sono dos despreocupados. Já falei aqui nesse blog que admiro isso nos velhos, a total resignação. Pulo três músicas seguidas no CD e percebo no meu gesto frenético um sinal de que a paciência se esvai. Eject!
O próximo, por favor. Me vem Lenine com uma certeira: - Esse lugar é uma maravilha, mas como é que faz pra sair da ilha? É pela ponte, pela ponte.
Lenine, tá tudo trancado lá, rapá.
E ele responde em outro verso: - A ponte não é para ir nem pra voltar, a ponte é somente atravessar, caminhar sobre as águas desse momento.
Tá certo. Bora.
sábado, 20 de março de 2010
quarta-feira, 17 de março de 2010
Céu azul, verde mar
Onde vai despido das suas asas brancas que proporcionam voos pelos mais inimagináveis céus? Aquele azul celeste tão limpo. Chegou tão perto do sol que quase cegaram os seus olhos verde-mar, lindos de assustar, iluminando o sorriso alegre que traz a vida para o tempo que não pode mais esperar.
Do anjo sem as asas não procure o olhar, mesmo que muito queira um mergulho profundo naquele oceano de paz. É do saber dos anjos nada despertar antes da hora.
segunda-feira, 15 de março de 2010
sexta-feira, 12 de março de 2010
Até mais, vai na paz
Vá em paz, que Deus conforte a tua família, que a paz e a serenidade estejam com eles na vida que segue. Contigo e com teu filho também, numa nova e rica existência.
quinta-feira, 11 de março de 2010
quarta-feira, 10 de março de 2010
O efeito Avatar
Engraçado, Avatar não levou o Oscar de melhor filme e me parece, sem ainda ter visto o vencedor (Guerra ao Terror), ser a grande lição de vida e amor supremo. Mas não é porque ficou sem a estatueta da Academia que Avatar deixa os méritos para qualquer outro filme da temporada. Pelo menos entre os que vi. Quando entrou em cartaz, li a matéria sobre a saga de sobrevivência dos Na'vi, de Pandora. A sinopse me encantou, mas meus olhos grudaram na foto do abre de página por causa do homem e da mulher azuis, com orelhas pontudas, quando aunciavam a entrada do filme em cartaz no Brasil. Adoro essas fantasias, brumas, cores, mágica que vejo desde muito frequentemente nos filmes da Barbie, com minha filha. Mas, com os requintes dos efeitos e da ficção adulta de James Cameron, certamente seria uma experiência incomparável. Demorei, só fui conferir isso ontem, abandonando quase tudo o que já tinha lido e ouvido sobre o filme.
Desci as escadas da sala de cinema rumo à porta de saída meio tonta, não só por causa dos óculos 3D, mas por todos os estímulos sensorias aos quais esse filme me submeteu. Ouvi que muitas pessoas se dizem "sob o efeito de Avatar" por algumas semanas, depois de assisti-lo. A sensação aumentada pela projeção em 3D é potencializada, claro, mas não sei explicar o que se passou comigo a cada frame dessa película. Diversas e intensas emoções, todas elas muito boas, prazerosas. O amor que mexe com os sentidos não é nem aquele ao qual estamos acostumados a ver nos filmes românticos, até porque Avatar é um filme de aventura. É algo muito maior, associado ao coletivo, ao mundo, ao que trazemos registrado na essência humana. Senti as energias que aquela corrente de gente azul movimentava, ligados à árvore, à terra para salvar uma vida, várias vidas, do seu povo e dos demais habitantes de Pandora e, especialmente para vencer as forças opostas com bondade, pureza, amor e respeito. Foi maravilhoso.
Nesta manhã de sol, ao caminhar com meu cão pela beira mar, inspirar o ar puro, olhar para o céu, admirar os pássaros, o verde ao meu redor, pude entender a mensagem de Cameron e de muito o que tenho lido e ouvido ultimamente. A esperança está na natureza e minha caminhada de hoje me fez perceber que estou e quero permanecer sob o tal "efeito Avatar". Com a natureza trocamos energias, nos renovamos, ganhamos uma força incomum e imbatível. Uma nuvem de libélulas nos cercou até a ponta do trapiche. De lá, bem no meio do mar, vimos peixes saltarem em várias direções. O som das marolinhas batendo nos barcos, o mais belo mantra matinal que conheço, foi quebrado pelo farfalhar de uma rede sendo preparada para ir ao mar promover "a morte limpa" do peixe para o alimento do homem. Este que, no fim de sua existência, devolverá essa energia à natureza. Assim ensina o povo azul de Pandora, assim acredito que é.
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