quinta-feira, 13 de maio de 2010

So (mente) desejar



Um longo e lento inspirar enche meu corpo. Vejo e sinto, posso pausar, reter por alguns minutos o ar e essa cor reluzente e aparente que meu corpo inteiro percorre. Nenhum pensamento se fixa, eles vão e voltam. A luz segue pela corrente sanguínea, invade minha mente calma, toma meu ser, minha alma. A cor  é verde, linda, me encanta, transborda esperança, paz, amor. É como o despertar de uma força evolutiva, aquela que até então permanecia à espera do poder transformador. Os verdes feixes de luz e o desabrochar do novo ser em mim. O ar, a respiração, a imagem fixada na mente, a lembrança de um breve, porém eterno encontro. A luz é etérea, é sua e minha também. A energia flui e o tempo passa sem nada ansiarmos, apenas desejarmos.
Ensinamentos (y recuerdos) valiosos de Shuryu Suzuki (Suzuki Roshi) e de outros mestres destes com os quais a vida nos brinda ao longo da jornada.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Sobre seres iluminados

Deus, obrigada pela minha mãe.
Mãe, obrigada pela minha vida.
Vida, obrigada por me tornar mãe.
Filha, obrigada por me escolher.
Amigos, obrigada pelas lindas mensagens, abraços e presentes. Aproveito para dizer a todas as mães que somos um valioso instrumento da vontade divina, veículos de acesso à existência, esse raro presente dos céus.
Se sou uma "estrela linda", isso ainda não sei, meu gentil amigo. Só sei que persigo a luz.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Turismo de sensações

Meu passaporte tá vencido, mas embarquei para Espanha e seus destinos deslumbrantes com filmes exibidos por David Cooper na abertura do Tour Film Brazil, que começou nesta quarta-feira (6/05), em Florianópolis. Madri, Segóvia, Guadalupe (na região de Extremadura) Castilla em até cinco minutos de películas muito bem roteirizadas e dirigidas despertam o desejo de viajar agora mesmo. Dos aspectos geográficos, à cultura, tudo desperta sensações pelas câmeras subjetivas e outros truques aplicados pela nova tendência em "vender" o turismo no mundo. Os destinos mais competitivos já perceberam que a internet e a tv paga são as mídias mais eficientes para acertar o alvo: viajantes auto-organizados, aqueles que planejam e compram seus roteiros pela prateleira de consumo que mais cresce neste setor. As agências de publicidade dormem no ponto ao permanecerem presas ao modelo ultrapassado de comunicação atrelada ao ganho com as veiculações na mídia de massa. Não que uma invalide a outra, mas é preciso sair um bocadinho do trivial. No competitivo mercado de viagens e turismo, Cooper assinalou o que papas da comunicação de marca no Brasil, como Jaime Troiano, falam há muito tempo: o cliente não investe mais sem conhecimento de retorno. O nome técnico disso é ROI - Return On Investiment - algo que lá por 2000/2001 entrou na pauta dos marketeiros e virou uma pedra no sapato dos publicitários, não habituados a levar planilhas para reuniões com clientes. Acontece que as grandes marcas passaram a exigir relatórios que comprovem a eficácia dos recursos investidos na comunicação, com percentuais, sobretudo cifras. David Cooper, premiado por filmes de turismo da Espanha diz que os destinos mais profissionais do mundo não brincam em serviço. Então, apresentou as películas premiadas que arrancaram suspiros, além dos aplausos da platéia em Florianópolis e abriu planilhas para mostrar que cada Euro investido em um filme turismo, exibido na internet e em canais pagos, equivale a 41 Euros pagos para veiculação de peças em mídias de massa, sem atingir objetivos esperados. Cooper diz que entrega no pacote das suas produções (Videon) os resultados também dos filmes sobre aspectos como aumento de visitantes após a promoção do destino, geração de empregos no setor, entre outros recortes.
"O viajante do futuro é jovem", argumentou o produtor a favor da mídia web, amparado pela constatação de que o turismo é uma atividade crescente no mundo e tende a influenciar cada vez mais as economias dos países, tornando-se um hábito de consumo das próximas gerações até pela consciência do ser humano sobre a importância do equilíbrio entre trabalho e ócio (para o bem estar), vida e conhecimento. Os filmes de Turismo são veiculados em canais internacionais, promovem os destinos para viajantes qualificados pela audiência paga. Mais do que a qualidade técnica (3D e outras vedetes do momento nas produções audiovisuais), o grande apelo dos filmes de turismo é a penetração em mercados estratégicos, a visibilidade que oferecem aos destinos pela exibição e possível premiação em festivais mundo afora. É ver para crer. 

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Carta para o meu amor

Minha filha, aqui estou eu pronta para festejar (porque agradecer por você, o faço todos os dias no meu papo com Deus) seus oito anos. Desde os 19 milímetros, quando te avistei pela primeira vez no ultrassom, te amo. Desde as minhas preces te pedido a Deus (e ao Senhor do Bonfim, quando amarrei aquela fitinha lá grade da igreja dele na Bahia) te espero, te desejo. Agora te vejo crescer e aprendo contigo a ser mãe, a ser uma pessoa melhor, a viver no mundo dos adultos, responsável não mais somente por mim, mas por alguém que eu trouxe à vida, para uma existência. Ensino a você o que aprendi com a minha mãe e meu pai e com a vida.
Sei que você me conhece como te conheço, que você também sabe tudo o que sinto, desde que habitavas meu ventre. Das alegrias aos medos, coisas que todos nós temos, gente pequena e gente grande, da hora que nasce até hora em que morre. Um dia, quando voltávamos da natação, eu segurei você ainda na minha barriga e te disse: - Estou ansiosa porque falta pouco pra você sair daí, vai ser demais ver seu rostinho, saber como você é. Mas estou com medo porque aqui te carrego em segurança, meu amor.
Você nasceu e este foi o dia mais feliz da minha vida. Esse medo foi embora e descobri um mundo novo. O tempo passou e com você desvendei em mim um novo ser: forte, leve e livre.
Você está comigo desde a sementinha e só me faz feliz, a cada segundo, a cada sorriso, a cada birra, a cada momento compartilhado nesses oito anos. Como sempre digo, serás meu bebê até quando fores um adulto, como eu, que ainda ri de bobagens, chora, faz birra, tem coragem, tem medo, acerta, erra, aprende, evolui. E o meu colinho para sempre terás, minha Bela flor, minha pequena Buda,  meu grande, sublime, verdadeiro e mais puro amor.
Ah, e não me arrependo nem um pouquinho de ter ajudado você a encaixar o dedinho na boca, aos dois meses, quando percebi que, como eu, você não gostava de chupetas e precisava do dedinho amigo para dormir e se acalmar (até calinho igual ao meu você fez!). Eu também sabia que um dia isso ia passar, porque tudo passa nessa vida. Olha eu, não chupo mais dedo e larguei esse hábito (nada bom para a saúde) aos oito anos. A Neiduca (nossa dentista amada) que me perdoe, mas eu confesso esse pecado maternal, embora já esteja contigo, minha filha, na campanha do "fora dedo" e fazendo orçamento do aparelho ortodôntico pra ajudar você ficar com um sorriso ainda mais lindo.
    

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A vida é tão rara

Ler, praticar e aprender são dádivas da existência. Lenine é rei em traduzir essas coisas em canções, tô redescobrindo o cabra. Hoje, lá na premiação do WCT, na linda praia da Vila em Imbituba (venceu o brasileirinho vindo do pobre Nordeste, sem lenço nem documento, cheio de talento) veio a homenagem dos organizadores para a família do Ledo, morto brutalmente em um assalto, notícia que estampou com horror o noticíario da ilsa bonita. A mulher e os filhos dele receberam rosas brancas, uma prancha simbolicamente preparada, o megacampeão mundial (que hoje desceu do trono) entregou o troféu para o menino Ícaro, trocou palavras de ânimo com o garoto que perdeu o pai assim, num rompante de violência, num encontro inesperado com essa energia densa e totalmente controlável por nós, humanos. Aliás, são tantas as energias (especialmente as boas) que dissipamos por aí sem saber o quanto valeria sua preservação para o bem do corpo e da alma.
Outro dia eu tava ouvindo Lenine e veio ele com mais uma sábia letra, Paciência.

Mesmo quando tudo pede


Um pouco mais de calma

Até quando o corpo pede

Um pouco mais de alma

A vida não pára...


Enquanto o tempo

Acelera e pede pressa

Eu me recuso faço hora

Vou na valsa

A vida é tão rara...



Enquanto todo mundo

Espera a cura do mal

E a loucura finge

Que isso tudo é normal

Eu finjo ter paciência...



O mundo vai girando

Cada vez mais veloz

A gente espera do mundo

E o mundo espera de nós

Um pouco mais de paciência...



Será que é tempo

Que lhe falta prá perceber?

Será que temos esse tempo

Prá perder?

E quem quer saber?

A vida é tão rara

Tão rara...



Mesmo quando tudo pede

Um pouco mais de calma

Mesmo quando o corpo pede

Um pouco mais de alma

Eu sei, a vida não pára

A vida não pára não...



Será que é tempo

Que lhe falta prá perceber?

Será que temos esse tempo

Prá perder?

E quem quer saber?

A vida é tão rara

Tão rara...



Mesmo quando tudo pede

Um pouco mais de calma

Até quando o corpo pede

Um pouco mais de alma

Eu sei, a vida não pára

A vida não pára não...



A vida não pára...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dona Lurdinha

Muito prazer, sou Lurdinha, a mãe do Cascão. Imersa no fabuloso universo de Maurício de Sousa desde os cinco anos (confesso que adoro os novos, da Turma da Mônica Jovem) minha filha resolveu me encontrar entre os personagens que habitam os gibis espalhados por vários ambientes da casa. Que tal? Para ela eu sou Lurdinha, a mãe do Cascão.
_ Mãe, vem aqui ver porque que te chamo de mãe do Cascão! Grita lá do banheiro.
- Tá, deixa eu ver se me pareço mesmo com ela.
Ela me aponta na página e avisa.
 - Sim, você até parece, mas não é por causa disso.
 Enquanto preparo o jantar, elaboro questões para simular a primeira prova dela na escola (ah, desculpe, não é prova, é avaliação) e ajudá-la a estudar (tadinha, parece tão pequenina para isso,  meu bebê girafa). Ela me observa quieta e resolve explicar de onde vem a comparação com a personagem da Turma da Mônica.
 - Você é igual a ela porque não fica parada nunca, tá sempre fazendo coisas.
 Só os gibis já justificariam minha atividade frenética. Eles estão por toda a parte, no banheiro dela, no quarto, na sala, às vezes debaixo do sofá (ai,ai,ai). No chão, são tão ameaçadores quanto uma casca de banana. E mais: se eu não mandar umas 557 mil vezes pro banho, ela escapole, a Cascona!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Self made woman

Época de contenção de gastos, cortes drásticos no orçamento, nem o conserto da máquina de lavar é prioridade. Ninguém precisa de MBA para saber que é hora de aplicar as conhecidas táticas da Self Made Woman. O problema é pintar as unhas e descobrir que acetona acabou (que uó!), esquecer que antes de pintar as unhas deveria ter lavado as roupas (a máquina tá quebrada, alôôô!), aplicar a mistura hidratante nos cabelos e massagear a raiz sem que o esmalte tenha secado. A gente se vira, sabe fazer tudo sozinha, mas precisa de prática, concentração. Se em casa o prejuízo é quase nenhum, no trabalho é bem diferente.
Na semana passada tomei lições de como ser uma competidora, digamos, menos boazinha no ambiente profissional. Não pra sacanear os outros, evidentemente, para exercer certa direção defensiva. Cheguei em casa, ponderei as dicas (de uma colega mais experiente e sagaz) e reeditei meu manual de conduta: nem Pollyana, nem Cruella Deville, justa e fiel aos meus valores sempre acertei mais do que errei.
Lembrei da executiva brasileira (Amália Sina) a que chegou a presidência da Walita e Philip Morris do Brasil aplicando uma tal de Teoria dos 70%, que ela inventou para equilibrar sua vida pessoal e profissional. Segundo ela, não precisamos ser 100% mãe, 100% amante (esposa, namorada) nem 100% profissional. Se formos somente 70%, já está valendo, é um bom desempenho. Como medir isso? Perspicácia.
Aproveita e anota aí. Inimigos mortais da Self Made Woman: ansiedade, duas taças de vinho com celular e internet à mão e TPM (ou qualquer outro deflagrador de descontrole emocional).