terça-feira, 18 de maio de 2010

Um dia feliz e nada raro


O gotejar dos céus na janela do meu quarto me despertam lentamente, prolonga mais um pouco a confortável permanência debaixo do edredon neste dia cinza, prateado de tamanha alegria. Pelo simples fato de que a vida é entusiasmo, é motivo de celebração a cada minuto. Minha mestre yoguini nos conduz à meditação, observamo-nos internamente e valorizamos algo tão acessível e compensador: o ar. Os pingos da chuva guiam meus pensamentos. Eles caem devagar, se esparramam no chão, seguindo em veios, fluindo como as águas de um rio. Ao meu lado, minha pequena Buda adormecida nem percebe que partimos do relaxamento para a meditação. Sempre é tão grande o seu empenho nas posturas, que ela completa a sonequinha matinal. Já estamos acostumados à cena: como uma flor de lótus, a menina repousa ali, no colchão, serena, linda, pequenina e inocente como um passarinho. Grata pelo amanhecer deste dia, pelos instantes que se seguem, dedico minha prática de hoje à Marina (fiel escudeira, outra flor) presente da vida para mim, a taurininha da Preta (parabéns pela filha maravilhosa que você criou).
Tua existência comemoramos com alegria nesta data querida, Marina. Que seja rica e longa a tua jornada! Ao meu anjo também sou grata pelas asas com as quais alcanço o sol a cada amanhecer, saudando o astro rei, ali escondido atrás das nuvens a iluminar esse dia chuvoso. Namastê!

domingo, 16 de maio de 2010

Aberta a temporada das sopas

Lá na minha Sinhá Saúde cantávamos com os pequeninos o hit do cd da Adriana Calcanhoto, enquanto a tia Neide ensinava a "passear com a colher" no prato para esfriar a sopa. A cada "quem não diz ave! Quem não diz eia! Quem não diz, opa! Que bela sopa..." era um tal de respingar caldo no amigo ao lado, porque eles levantavam as colheres como quem brindasse o jantar. O frio chegou e eu andei revirando o livro de receitas do restaurante infantil para montar nosso cardápio das noites de inverno. Abri a temporada com a preferida da minha filha, a Minestra com massa de letrinhas (cada vez mais difícil de se encontrar nos supermercados). Mas a Rosane (a competente e carinhosa nutricionista da Sinhá Saúde) deixou registrado nesse livro um belo repertório de cremes e caldos, todos nutritivamente saborosos. Quando a gente ouve a música da Calcanhoto, naquela parte sobre os tipos de sopas, de osso ou aveia, a ferver na panela cheia, não se anima muito. Mas esses são só ingredientes que, como em todo prato, dependem daquele segredinho básico para ficar superbe!
A aveia nem aparece, só acrescenta saúde, osso dá sabor e sustança, creme de leite ou requeijão encorpam a abóbora bem amassadinha com ervas, a mandioquinha (aqui é batata salsa) e dali sai um atraente consomê. Hummmmm, me dá até uma fominha. E olha que nunca fui muito de sopas.
Taí um prato do qual aprendi a gostar.
Lembro de quando eu era criança e minha mãe fazia uma espécie de ratatouille (ela chama de sopão de legumes) uma vez por semana, pelo menos.
Neste dia eu já sabia que teria de negociar com meu irmão. Ele comia o dele, enquanto eu enrolava, até nossa mãe sair da cozinha. Então trocávamos de prato e ele me salvava do dia do sopão.
Depois eu dava um jeito de forrar o estômago sem ela perceber. Quando minha mãe nos apresentou o creme de ervilhas com linguiça paio e bacon, aí já gostei. Meio parecido com o feijão dela (que eu amo!) foi fácil aderir, embora ela não desistisse do ratatouille.
Só que filho é assim, na casa dos outros come tudo o que rejeita sem experimentar, contrariando as mães. Nossa vizinha fazia o mesmo sopão da minha mãe, porém batia no liquidificador, ficava tipo um creme. Eu me lambusava, repetia, elogiava. Assim fui descobrindo que minha implicância era com aqueles legumes todos ali, expostos. Raramente as crianças se encantam por legumes e verduras, adultos tampouco. Aceitam obrigados pelas dietas médicas ou estéticas. Tem até aquela canção do Palavra Cantada que diz: "Mas tem sempre alguns legumes, que não sei como eu engulo".
Pois na Sinhá Saúde ganhamos os pequeninos apostando nos cremes, como a minha vizinha fazia. Para estimular a aceitação dos legumes e verduras, quando visíveis, misturávamos massas divertidas, como letrinhas, conchinhas, argolinhas, minhoquinhas.
Uma vez até estrelinhas eu achei nas minhas andanças pelos supermercados. Ainda hoje prefiro cremes, consomês, mas também sei apreciar um belo cozido, com grandes pedaços de abóbora e até batata doce! Tinha um  bloqueio com relação a ela e hoje como com melado. Isso devo aos meus clientes-mirins. Muitas vezes tive de experimentar antes deles, para incentivar a degustação. 
Por falar em frio e sopas, minha amiga Isa tem um lindo trabalho lá no ABC Paulista. Com a mãe e um grupo de voluntários, prepara e serve sopa para moradores de rua, aquecendo a barriguinha e o coração de muita gente. Grande alma a da Mulher Maravilha. O nome da minha filha escolhi em homenagem a ela, essa pequenina grande pessoa que para sempre estará comigo, independentemente dos quilômetros que nos separem. Câmbio, Mulher Maravilha. Mulher Gato desligando.    

We don't need a revolution

sexta-feira, 14 de maio de 2010

O sol dos meus dias

Nesta semana a escola de inglês da minha filha preparou uma homenagem para as mães. Nem aí para os comentários ácidos de rabujentos sobre o delay da festinha, que em nada me roubaria a emoção de todos os anos ver minha filha demonstrar seu afeto por mim, saí em busca da mensagem dela pra mim. Uma parede cheia de desenhos e frases desafiava minha capacidade de encontrar o que era dedicado a mim. Não demorei nem um minuto para derreter diante do desenho pintado e contornado com canetinha ao lado do enunciado da escola "Happy Mother's Day". Surpresa mesmo fiquei com o momento que ela escolheu para descrever na homenagem, algo emocionamente que vivemos juntas. "Mamãe, eu gostei que você foi na Fire Whip do dia que você, bom deixa pra lá...Te amo!"
Deixa pra lá, eu acho que é porque o dia em que a sua mãe com medo altura e aventuras radicais encarou, pela primeira vez na vida, uma montanha russa era o do aniversário dela. Fomos comemorar no "melhor lugar do mundo", o parque Beto Carrero World. Parei diante daquela monstruosa armação cheia de loopings assustadores e decidi que era a hora de me dar essa chance e, talvez, presentear a minha filha com um ato de superação, coragem. Lá fui e tinha de ser logo na maior montanha russa da América Latina para valer a entrada no meu livro de recordes.
Encontrei na fila uma menina que me deu dicas do tipo: - mantenha sua cabeça firme no encosto, não feche e abra os olhos repentinamente para não enjoar e grite muuuuuuuito. Sentei ao lado dela, que gentilmente segurou minha mão antes da partida. Foram uns 40 segundos indescritíveis. Minha prática de respiração antes de despencar foi importante, mantive a calma dentro do possível. Acho que fui tranquila até demais para quem não subia nem na escada para trocar uma lâmpada. Descabelada, sem um dos meus estimados brincos, feliz e anestesiada me desatei do aparato de segurança pronta para a próxima aventura.Vou saltar de parapente.
Ah, sim, este post termina com uma canção de um disco que amo do início ao fim, Talking Book, de Stevie Wonder. A homenagem da escola de inglês fechou com ela e sua colegas de turma cantando para as mães "you're my sunshine, my only sunshine...please don't take, my sunshine away". Me fez lembrá-la de que ela é meu sol que brilha todos os dias também. You are the sunshine of my life é um dos Temas da Barriga, seleção de músicas que eu ouvia e cantava durante a gravidez e até hoje tem preferência no nosso soundsystem.

quinta-feira, 13 de maio de 2010

So (mente) desejar



Um longo e lento inspirar enche meu corpo. Vejo e sinto, posso pausar, reter por alguns minutos o ar e essa cor reluzente e aparente que meu corpo inteiro percorre. Nenhum pensamento se fixa, eles vão e voltam. A luz segue pela corrente sanguínea, invade minha mente calma, toma meu ser, minha alma. A cor  é verde, linda, me encanta, transborda esperança, paz, amor. É como o despertar de uma força evolutiva, aquela que até então permanecia à espera do poder transformador. Os verdes feixes de luz e o desabrochar do novo ser em mim. O ar, a respiração, a imagem fixada na mente, a lembrança de um breve, porém eterno encontro. A luz é etérea, é sua e minha também. A energia flui e o tempo passa sem nada ansiarmos, apenas desejarmos.
Ensinamentos (y recuerdos) valiosos de Shuryu Suzuki (Suzuki Roshi) e de outros mestres destes com os quais a vida nos brinda ao longo da jornada.

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Sobre seres iluminados

Deus, obrigada pela minha mãe.
Mãe, obrigada pela minha vida.
Vida, obrigada por me tornar mãe.
Filha, obrigada por me escolher.
Amigos, obrigada pelas lindas mensagens, abraços e presentes. Aproveito para dizer a todas as mães que somos um valioso instrumento da vontade divina, veículos de acesso à existência, esse raro presente dos céus.
Se sou uma "estrela linda", isso ainda não sei, meu gentil amigo. Só sei que persigo a luz.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Turismo de sensações

Meu passaporte tá vencido, mas embarquei para Espanha e seus destinos deslumbrantes com filmes exibidos por David Cooper na abertura do Tour Film Brazil, que começou nesta quarta-feira (6/05), em Florianópolis. Madri, Segóvia, Guadalupe (na região de Extremadura) Castilla em até cinco minutos de películas muito bem roteirizadas e dirigidas despertam o desejo de viajar agora mesmo. Dos aspectos geográficos, à cultura, tudo desperta sensações pelas câmeras subjetivas e outros truques aplicados pela nova tendência em "vender" o turismo no mundo. Os destinos mais competitivos já perceberam que a internet e a tv paga são as mídias mais eficientes para acertar o alvo: viajantes auto-organizados, aqueles que planejam e compram seus roteiros pela prateleira de consumo que mais cresce neste setor. As agências de publicidade dormem no ponto ao permanecerem presas ao modelo ultrapassado de comunicação atrelada ao ganho com as veiculações na mídia de massa. Não que uma invalide a outra, mas é preciso sair um bocadinho do trivial. No competitivo mercado de viagens e turismo, Cooper assinalou o que papas da comunicação de marca no Brasil, como Jaime Troiano, falam há muito tempo: o cliente não investe mais sem conhecimento de retorno. O nome técnico disso é ROI - Return On Investiment - algo que lá por 2000/2001 entrou na pauta dos marketeiros e virou uma pedra no sapato dos publicitários, não habituados a levar planilhas para reuniões com clientes. Acontece que as grandes marcas passaram a exigir relatórios que comprovem a eficácia dos recursos investidos na comunicação, com percentuais, sobretudo cifras. David Cooper, premiado por filmes de turismo da Espanha diz que os destinos mais profissionais do mundo não brincam em serviço. Então, apresentou as películas premiadas que arrancaram suspiros, além dos aplausos da platéia em Florianópolis e abriu planilhas para mostrar que cada Euro investido em um filme turismo, exibido na internet e em canais pagos, equivale a 41 Euros pagos para veiculação de peças em mídias de massa, sem atingir objetivos esperados. Cooper diz que entrega no pacote das suas produções (Videon) os resultados também dos filmes sobre aspectos como aumento de visitantes após a promoção do destino, geração de empregos no setor, entre outros recortes.
"O viajante do futuro é jovem", argumentou o produtor a favor da mídia web, amparado pela constatação de que o turismo é uma atividade crescente no mundo e tende a influenciar cada vez mais as economias dos países, tornando-se um hábito de consumo das próximas gerações até pela consciência do ser humano sobre a importância do equilíbrio entre trabalho e ócio (para o bem estar), vida e conhecimento. Os filmes de Turismo são veiculados em canais internacionais, promovem os destinos para viajantes qualificados pela audiência paga. Mais do que a qualidade técnica (3D e outras vedetes do momento nas produções audiovisuais), o grande apelo dos filmes de turismo é a penetração em mercados estratégicos, a visibilidade que oferecem aos destinos pela exibição e possível premiação em festivais mundo afora. É ver para crer.