sábado, 26 de junho de 2010

Esta tal felicidade

Para as coisas que não têm preço, nada de mensuração. Para o que não tem valor, nenhuma importância. A essência da vida está onde menos esperamos, em pequenas coisas nas quais não reparamos. Quando a mente não está a serviço de nossos anseios, um feixe de luz janela adentro ou o admirável reflexo da lua cheia no azul escuro do mar manso revelam-se a totalidade da satisfação. Aí reparo no pensamento de Tales Nunes, mestre em Antropologia, praticante e mestre de Yôga (reproduzido logo adiante) para falar de coisas simples que me fazem tão feliz e das que podem (e devem) te fazer esse bem.
Enquanto sacolejava meu esqueleto na pista embalada pelos hits dos 80 (as pistas mais divertidas bombam versões eletrônicas espetaculares com The Cure, Eurythmics, Depeche Mode, Talking Heads, B52's e tantos mais saudosos sons) reparei na instantaneidade desta tal felicidade como sempre esteve, aqui, não ali. Tinha complementado o pensamento de Saramago reproduzido por alguém outro dia no Facebook com o que extraí desse texto de Nunes. Sem a pretensão de vendê-la como verdade, o mestre oferece algo aparentemente simples, como respirar. Porém, mesmo esse gesto puramente fisiológico, quando recebe atenção, revela o tanto que ainda precisamos conhecer.
A busca
"Se você busca a felicidade, é porque crê que ela está em algum lugar fora de ti;
Se você procura a felicidade, é porque acredita que ela está perdida;
Se você corre atrás da felicidade, é porque acredita  que ela te escapa;
Quando pára,
Descobre a felicidade que sempre esteve ali, encoberta pela insistente busca.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Apagaram tudo

Nesta semana li que a prefeitura mandou pintar bancos instalados ao longo da praia do Bom Abrigo e, sem perceber, cobriu poemas de autores catarinenses grafados em preto no fundo branco. Quem foi lá e tornou tudo azul, não percebeu ou achou que não deveria questionar a ordem recebida, apagou a arte e nos privou de ler as letras e as palavras dos poetas nas nossas passagens apressadas pela rotina. Poetas Livres foi o grupo responsável pela intervenção artística há dez anos, quando da reurbanização do bairro, explicava a reportagem. Se acaso o grupo não puder refazer, que outros expressem ali algo de bom. A gente merece.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Nova no percurso



Eis o mais recente hit da série Nossa Ondinha é do Ziggy Marley. As músicas do pai conheço praticamente todas, ouço desde moleca. Mas confesso que nunca dei muita bola para o que os exemplares da extensa prole do rei do reggae fazem por aí, juntos ou em carreira solo. Um amigo me apresentou essa, achei bonitinha e fui atrás do cd. A pequena Buda já tirou a letra de ouvido, fomos conferir e a danadinha está com uma quase perfeita compreensão do que ouve. Pra quem se recusava a estudar inglês, tá saindo melhor do que encomenda. A música tem sido um estímulo no exercício diário pra ela. Como a profe usa filmes também em sala de aula, logo acho que vamos tirar as legendas aqui. Quero ver eu me virar nessa, vou ter de praticar na marra. Agora aperta aí o play no soudsystem e vamos cantar.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Como ativar seu auto defrost

Quem bate? É o friiiiiiio. O velho jingle das Casas Pernambucanas foi tão feliz que grudou para sempre e o frio neste ano chegou impiedoso nas suas primeiras 24 horas. Hoje, na prática matinal do Yôga, pela primeira vez ouvi estalos ao entrar nas posições. Nunca consegui essa proeza dobrando os dedos.
Além de caprichar nos pratos mais calóricos e sacar o figurino de inverno do armário, as massagens são ótimas para ativar a circulação e soltar a musculatura retraída pelas baixas temperaturas. Aquele hábito de esfregar as mãos umas nas outras e depois colocá-las sobre o rosto pode ser aplicado em todo o corpo, fazendo movimentos circulares e pressionando partes mais duras de braços, pernas (especialmente das panturrilhas, onde minha mestre diz ser um ponto de concentração da raiva. Vivendo a aprendendo. Eu só sabia do maxilar) e você sente seus membros descongelarem aos poucos. É delicioso e curioso utilizar os recursos do próprio corpo para sobreviver às intempéries. Assim como plantas, animais, pássaros e tudo o que dialoga com a natureza, somos seres dotados de todas as capacidades para qualquer necessidade. Se não as reconhecemos, é porque não prestamos atenção em nós mesmos. Aquecidos os dedos das mãos, deixa eu trabalhar agora que os teclados me exigem por hoje muito mais tempo sem luvas do que desejaria. Aproveitei para trocar minha foto de perfil por uma da coleção Inverno 2010. A essa altura as maçãs fuji de São Joaquim já começaram a ser colhidas, pelo que informaram os produtores locais, e logo os pomares serão uma paisagem totalmente diferente desta, com sua outra beleza particular.     

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Nós na Copa (na cozinha e na sala)

Tá engraçada essa Copa do Mundo. Quer dizer, não muito diferente das outras, neste aspecto do qual quero falar, está pra rir. Sou o tipo torcedora apenas, única e exclusivamente da Seleção no mundial de futebol. Se me perguntam para que time torço, respondo Flamengo. Só que isso é de nascença, não quer dizer que eu acompanhe futebol. Na famiglia Santoro, quem não é Flamengo vai para o banco. Sorte do meu pai que, quando foi escalado pela minha mãe, já torcia para o rubro negro.
Até agora tenho visto os jogos do Brasil na África do Sul em companhia das minhas amigas e a experiência tem sido interessante, mais engraçada do que qualquer outra coisa. Gritamos para as crianças pararem de gritar porque queremos acompanhar os "lances", mas sempre só uma de nós consegue e daí tem de narrar para as que desperdiçaram a trégua dos filhos ocupando-se de algum um assunto paralelo. A dispersão é quase geral. Falamos de tudo, dos uniformes, das jogadas, damos pitacos muitas vezes coerentes nem que sejam com a nossa conduta, não necessariamente com as regras vigentes naquela ocasião. Elegemos os mais belos, alguém sempre tem um comentário desses que leu nas revistas de estilo de vida sobre os guerreiros do gramado e, então, nos voltamos para a televisão para mais um grito de gol, mesmo com alguns segundos de atraso depois da conclusão da jogada, ou por engano. Acontece. Até cair a ficha de que a bola entrou na nossa trave, nos permitimos seguir algum coro ou puxar um equívocadamente. 
Corre lá pra cozinha, que tem mais uma receitinha saindo do forno, um balde de pipoca acalma a torcida sem álcool (uma tacinha de vinho só para relaxar). Imagina se estivéssemos na loucura da Copa, qual seria o prejuízo ao final dos 45 minutos. Melhor assim. Ué, já acabou? Nunca achei as partidas de futebol tão rápidas em toda a história da minha vida de torcedora ocasional. E já saímos dali combinadas para o próximo confronto, sempre com aquele dilema: faremos sem as crianças da próxima vez para ser mais produtivo? Nos associamos aos outros grupos? Nada se define, acertamos tudo faltando cinco minutos para o início do primeiro tempo e acho que essa tem sido a nossa receita de sorte. As crianças podem ser nossos amuletos. Até agora o Brasil só saiu ganhando! Vai lá Seleção, vai indo que nós já vamos.   

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Lugar de pipoca é na Mostra de Cinema Infantil

De espectadora a colaboradora, minha filha neste ano estréia como blogueira oficial no site da Mostra de Cinema Infantil. As pipocas (Ela e a amiguinha Maria Rosa com a Dora, filha da minha sempre mestre Gilka e a Amanda, filha da Adri e precursora da coberura com olhar mirim da Mostra) publicarão posts sobre os filmes exibidos na programação da mostra. Obrigada Luiza pelo convite, que é uma honra, e parabéns para minha amiga Vanessa, a mãe da Maria, que cuida do visual da Mostra com muito talento e a toda equipe envolvida neste que é dos mais importantes eventos do calendário cultural catarinense. Estou orgulhosa da mini-me e ansiosa para ler suas impressões sobre as películas. É claro que como toda mãe coruja já espalhei para todos os amigos e distribui o link mundo afora. Vamos lá turminha, bora ampliar a audiência do bloguinho http://bloguinhodamostra.blogspot.com/ da Mostra de Cinema Infantil e lotar as sessões lá no Pedro Ivo Campos, de 19 de junho a 4 de julho. Confira a programação em http://www.mostradecinemainfantil.com.br/

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Inverno astral

É com grande satisfação que adentrei (no dia 30) ao que neste ano decidi chamar de inverno astral. Me ocorreu assim nomear os 30 dias que antecedem minhas 39 primaveras porque observo mudanças internas e suas influências externas com as quais fico feliz. Gostei do que li sobre o assunto e vejo porque jamais concordei muito com a alcunha mística ou religiosa que se dá ao mês do aniversário. Afinal, são 30 dias até você encontrar-se na data e horário exatos em que nasceu, motivo e tanto para alegria e celebração. Lembro que num ano desses passados, minha mãe ficou surpresa ao receber meu telefonema no dia do meu aniversário, antecipando sua tradicional chamada para as felicitações. Estranhou porque liguei para felicitá-la e agradecer. 
- Hoje você me trouxe ao mundo, parabéns, obrigada!
Foi algo que me deu na telha fazer sem nenhuma motivação que não a compreensão do que meu aniversário significava para ela. Quantas pessoas ligaram, foram até a maternidade me ver, levaram para ela flores e lhe deram os parabéns.  Passadas as sei lá quantas festinhas infantis nas quais ela também possa ter recebido parabéns pela filha (eu sempre parabenizo os pais nas festas, assim como os avós) acredito que não mais tenha sido felicitada por isso.
Neste ano meu estalo foi outro. Percebi um inverno dentro de mim, no qual permaneço quietinha, hibernando, aguardando o que o dia 30 me dirá sobre o novo que estará em mim a partir desta data. Não que eu espere acordar outra pessoa, sei que morremos com certos traços de personalidade e, sobretudo com certos valores. Mas acredito que vou concluir uma transformação em andamento. E isso é bom, sempre é. Então me diz, pra que chamar de inferno? Nem acredito neste lugar, apenas creio que ele deva ser um estado de espírito. O meu período é de inverno, aconchegante, de onde sairei feito um presente para mim mesma e, espero, para meus companheiros de jornada.