Neste final de semana foram avistadas 57 baleias que serão a grande atração da temporada de 2010 no litoral Sul catarinense. Mônica Pontalti, bióloga do Instituto Baleia Franca avistou no sobrevoo em área de preservação as fofonas concentradas entre o sul de Florianópolis e região da Praia do Rosa, em Imbituba, nas praias do Siriú e Guarda do Embaú. Quem tiver chance, vai ver este espetáculo da vida no mar, é encantador. Estamos entre os destinos mais badalados no Brasil e no exterior em turismo de observação, não somente de baleias, como de pássaros.
Aí vai uma das cenas que mais gosto, esguicho!
segunda-feira, 30 de agosto de 2010
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Cidadaniazinha
Hoje a pequena Buda realizou seu desejo de dias atrás. No rádio do carro, tínhamos ouvido que o pessoal do Censo bateria às portas das casas. Claro que tive de explicar o que o noticiário matinal não havia esclarecido em quase 10 indagações, sempre seguidas de "mas, por que?". Achei que ela tinha esquecido ou desistido, pensando que talvez em nossa casa o censo poderia não vir. Assim como eu, que jamais fui abordada por pesquisa nenhuma das que já citei ou vi em reportagens e muitas vezes até duvidei de sua existência.
Ivy, uma jovem de baixa estatura com óculos e sorriso de Velma apareceu do outro lado do olho mágico na porta. Agradecemos sua visita e fomos logo querendo conferir a nova tecnologia que o IBGE colocou nas mãos dos recenseadores. Disputamos o lugar no sofá ao lado dela e, claro, cedi à curiosidade da moradora de oito anos e sentei-me diante da "perguntadora". Com os olhos grudados no palm top que Ivy trazia, a pequena Buda largava na frente em todas as respostas. Não tive quase nenhuma chance e, ao mesmo tempo, senti uma alegria danada ao vê-la tão espertinha indicar ao governo que políticas adotar para melhor nos atender.
- Quantos vivem aqui?
- Três. Eu, minha mãe e um cachorro.
Mr. Fedoreza grudou a fuça no vidro para dar credibilidade à dona-mirim. A moça sorriu delicadamente e registou no aparelhinho azul.
Terminado o questionário, foi a pequena Buda quem perguntou.
- No rádio falaram que sua visita demoraria 40 minutos. Você já acabou?
Ivy sorriu novamente e explicou que o sistema escolhe qual questionário ela deve aplicar, tão logo é acionado na residência. E que, mesmo que fosse o mais longo, a visita demoraria uns 15 minutos no máximo. Então, ofereci algo para a moça. Ela aceitou água e, antes mesmo de me devolver o copo, foi surpreendida pela apresentação do morador de número três. Eu sabia que não escaparia dessa.
- Deixa ela conhecer o Pepê, mãe.
Como hoje não foi dia de banho semanal, fiquei meio envergonhada, mas permiti. Pronto, a visita acabou.
- Tchau Ivy, boa sorte no seu trabalho e até outro dia.
Depois ficamos as duas imaginando um censo para os animais. Afinal, Mr. Fedoreza tem residência própria, adquirida no início desse ano e já quitada. Mas será que ele nos citaria no questionário do censo dele? Acho que não. A cidade ideal do cachorro, pelo que lembro da canção de Chico Buarque em Os Saltimbancos, tem um poste por metro quadrado, mas não seres humanos.
Ivy, uma jovem de baixa estatura com óculos e sorriso de Velma apareceu do outro lado do olho mágico na porta. Agradecemos sua visita e fomos logo querendo conferir a nova tecnologia que o IBGE colocou nas mãos dos recenseadores. Disputamos o lugar no sofá ao lado dela e, claro, cedi à curiosidade da moradora de oito anos e sentei-me diante da "perguntadora". Com os olhos grudados no palm top que Ivy trazia, a pequena Buda largava na frente em todas as respostas. Não tive quase nenhuma chance e, ao mesmo tempo, senti uma alegria danada ao vê-la tão espertinha indicar ao governo que políticas adotar para melhor nos atender.
- Quantos vivem aqui?
- Três. Eu, minha mãe e um cachorro.
Mr. Fedoreza grudou a fuça no vidro para dar credibilidade à dona-mirim. A moça sorriu delicadamente e registou no aparelhinho azul.
Terminado o questionário, foi a pequena Buda quem perguntou.
- No rádio falaram que sua visita demoraria 40 minutos. Você já acabou?
Ivy sorriu novamente e explicou que o sistema escolhe qual questionário ela deve aplicar, tão logo é acionado na residência. E que, mesmo que fosse o mais longo, a visita demoraria uns 15 minutos no máximo. Então, ofereci algo para a moça. Ela aceitou água e, antes mesmo de me devolver o copo, foi surpreendida pela apresentação do morador de número três. Eu sabia que não escaparia dessa.
- Deixa ela conhecer o Pepê, mãe.
Como hoje não foi dia de banho semanal, fiquei meio envergonhada, mas permiti. Pronto, a visita acabou.
- Tchau Ivy, boa sorte no seu trabalho e até outro dia.
Depois ficamos as duas imaginando um censo para os animais. Afinal, Mr. Fedoreza tem residência própria, adquirida no início desse ano e já quitada. Mas será que ele nos citaria no questionário do censo dele? Acho que não. A cidade ideal do cachorro, pelo que lembro da canção de Chico Buarque em Os Saltimbancos, tem um poste por metro quadrado, mas não seres humanos.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
É tudo que basta
Quase nada
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois sei mais nada
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
Não é preciso saber mais nada
(Zeca Baleiro em noite de lua e estrela)
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
Análise de conjuntura
Para quem está acostumado a ouvir discursos, de qualquer um dos lados do balcão que um jornalista pode ocupar nas cenas corriqueiras de seu ofício, o Suspense de Mario Quintana serve como desabafo.
"Depois que o orador oficial deu conta do seu discurso, há um momento de atroz suspense. É Quando o presidente da mesa, como quem não quer nada, ergue-se e diz, sadicamente: Se algúem mais quiser fazer uso da palavra... (MQ)
Recomendo uma longa e lenta inspiração e expiração. Para mim sempre funciona.
"Depois que o orador oficial deu conta do seu discurso, há um momento de atroz suspense. É Quando o presidente da mesa, como quem não quer nada, ergue-se e diz, sadicamente: Se algúem mais quiser fazer uso da palavra... (MQ)
Recomendo uma longa e lenta inspiração e expiração. Para mim sempre funciona.
sábado, 7 de agosto de 2010
O Alfa cor-de-rosa
Eu já conhecia o conceito do macho Alfa (no mundo animal irracional). Mas aplicado às mulheres, confesso que não. É que a gente se acostuma com coisas que são inevitáveis (e essenciais) para a vida no mundo de igualdades que escolhemos pra nós mesmas, que acabamos achando bem normal sermos como somos. Ih, compliquei? Assim, ó: trabalhar, estudar, as duas coisas ao mesmo tempo agora, os filhos, marido, ex-marido, enteados do marido atual na nossa vida de mãe, filha, mulher, modelo, atriz (nem que seja só no espelho do banheiro ou na hora de driblar dificuldades rotineiras) fera radical, que nem percebemos que estamos sendo as tais Mulhes Alfa (ufa!).Mas não é só isso, escuta só.
Outro dia enquanto equilibrava a bandeja no meio de restaurante lotado atrás de um canto para comer e partir para o segundo turno, ouço uma vozinha: -Chriiiiiiiiiiiis, aquiiiiiiii. Fui lá. Era uma conhecida que trazia a boa nova. Apressada para seu próximo compromisso também foi bem objetiva: - Preciso de um projeto de divulgação para um negócio inédito que vou montar em Floripa. Programada para não rejeitar trabalhos nos próximos seis meses, dediquei os primeiros minutos do almoço a ouvir e deixar pré-agendada a reunião.
Um espaço para mulheres, com serviços dedicados à beleza, equilíbrio emocional, sensualidade (opa! eu vi uns outdoors chamando para um curso de srteap para as mulheres que querem aprimorar a performance do relacionamento e ri muito no carro, parecendo uma doida, mas não era bem isso que ela queria me falar). Minha potencial contratante quer que eu estude profundamente o comportamento das mulheres Alfa para vender (driblando os preconceitos) para a mídia e o seu target os serviços que ela vai oferecer neste espaço dentro de alguns meses. Adoro comportamento humano, já mergulhei no assunto e descobri que meu alvo são as que ainda não perceberam que, além de ralarem com dignidade em nome da sobrevivência e da satisfação pessoal, merecem ser femininas, mimadas (nem que seja por elas mesmas) e até estudarem formas (com coreografias ou mesmo figurinos especiais, para ocasiões especiais) para tornar os momentos de prazer e lazer mais proveitosos. Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás, né fofoletes?
Quem lembra daquela personagem da Flávia Alessandra na novela que se envolve com o lider comunitário gritão Juvenal Antena (Antonio Fagundes) saberá que, uma das vedetes dos serviços ofertados às mulheres Alfa neste empreendimento que aportará na Isla, o Pole Dance (uau!) é, antes de tudo, uma atividade física bem exigente. Se seu parceiro achar esquisito ou considerar vulgar (bobão) esta prática, pelo menos vai admirar a firmeza que suas pernas, bumbum e barriguinha deverão adquirir. Isso é o que garante a instrutora da modalidade no espaço a ser lançado. Ela também promete terapias para o relaxamento físico e mental, equilíbrio emocional, beleza e uma lojinha com grifes de under wear bem bacaninhas, uma boutique de lingerie. Fiquei de lançar a idéia no ar (aqui no blog e outros meios formadores de opinião, por enquanto) e ver no que dá. E aí, meninas, que tal?
Outro dia enquanto equilibrava a bandeja no meio de restaurante lotado atrás de um canto para comer e partir para o segundo turno, ouço uma vozinha: -Chriiiiiiiiiiiis, aquiiiiiiii. Fui lá. Era uma conhecida que trazia a boa nova. Apressada para seu próximo compromisso também foi bem objetiva: - Preciso de um projeto de divulgação para um negócio inédito que vou montar em Floripa. Programada para não rejeitar trabalhos nos próximos seis meses, dediquei os primeiros minutos do almoço a ouvir e deixar pré-agendada a reunião.
Um espaço para mulheres, com serviços dedicados à beleza, equilíbrio emocional, sensualidade (opa! eu vi uns outdoors chamando para um curso de srteap para as mulheres que querem aprimorar a performance do relacionamento e ri muito no carro, parecendo uma doida, mas não era bem isso que ela queria me falar). Minha potencial contratante quer que eu estude profundamente o comportamento das mulheres Alfa para vender (driblando os preconceitos) para a mídia e o seu target os serviços que ela vai oferecer neste espaço dentro de alguns meses. Adoro comportamento humano, já mergulhei no assunto e descobri que meu alvo são as que ainda não perceberam que, além de ralarem com dignidade em nome da sobrevivência e da satisfação pessoal, merecem ser femininas, mimadas (nem que seja por elas mesmas) e até estudarem formas (com coreografias ou mesmo figurinos especiais, para ocasiões especiais) para tornar os momentos de prazer e lazer mais proveitosos. Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás, né fofoletes?
Quem lembra daquela personagem da Flávia Alessandra na novela que se envolve com o lider comunitário gritão Juvenal Antena (Antonio Fagundes) saberá que, uma das vedetes dos serviços ofertados às mulheres Alfa neste empreendimento que aportará na Isla, o Pole Dance (uau!) é, antes de tudo, uma atividade física bem exigente. Se seu parceiro achar esquisito ou considerar vulgar (bobão) esta prática, pelo menos vai admirar a firmeza que suas pernas, bumbum e barriguinha deverão adquirir. Isso é o que garante a instrutora da modalidade no espaço a ser lançado. Ela também promete terapias para o relaxamento físico e mental, equilíbrio emocional, beleza e uma lojinha com grifes de under wear bem bacaninhas, uma boutique de lingerie. Fiquei de lançar a idéia no ar (aqui no blog e outros meios formadores de opinião, por enquanto) e ver no que dá. E aí, meninas, que tal?
quarta-feira, 28 de julho de 2010
Ser real é...
Segundo os "especialistas", as mulheres reais são as mais legais. É a vizinha da casa ao lado, com alguma barriguinha e muitas coisas em comum entre todas as reais: esquecer sempre algo na hora de sair. Nem aterrisa e já aperta o botão do elevador, marcando seu inevitável retorno ao andar de origem em busca de algo tão indispensável. As mulheres reais e comuns reviram bolsas que mais parecem o Maracanã em dia de Fla-Flu, atoladas de pertences necessários e (90%) desnecessários atrás de algo que ficou na outra, a que usou ontem. Sou real até onde sei mas, às vezes, invento moda. Fui pedalar nesse domingo ensolarado ali na ciclovia à beira mar e descobri que os reais precisam aprender a rir de si mesmos. Foi o que fiz. Empolgada com a liberdade de um dia inteiro só para mim, comecei com longos alongamentos na academia a céu aberto. Depois ajustei as marchas da bicicleta e dei a largada. Que delícia a liberdade de pedalar ao vento, acelerar e ziguezaguear pela pista distante dos carros aloprados na avenida. Tudo estava perfeito, até que minha aventura começou a virar, como o vento. Quem se exercita até três vezes por semana aguenta. Como (ainda) não alcancei tal disciplina, é claro que já estava sentindo os músculos das pernas reclamarem no meio do trajeto. Nisso passa por mim um ciclista, depois outro, mais um, equipado com tudo que um atleta de verdade usa para as suas melhores performances. Comi poeira, até pensei em pedir uma ajudinha, porque a volta, contra o vento, começava a deixar a brincadeira meio sem graça. Já não eram só os músculos das pernas, mas o bumbum incapaz de permancecer no assento, os olhos ardendo, o fôlego chegando ao fim. Nem com a marcha mais leve resolvi o problema, o vento me puxava para o sentido contrário, meu esforço nas pedaladas que mais pareciam funcionar em câmera lenta era o mesmo que nada. Até que uma gaivota me ensinou um truque. Passou por mim vencendo com facilidade as rajadas, enquanto eu ofegante decidia se fazia ou não um pit stop no trapiche. Nunca subestimo o mar, muito menos me afasto da orla para afrontá-lo lá nas profundezas do reino de Netuno num dia de fúria. Imitando a ave, posicionei o tronco paralelamente ao guidom e pedalei a toda velocidade. De volta ao ponto de partida, desabei na pracha de abdominal e ali permaneci desfalecida por uns 30 minutos. Só pensava na segunda-feira, em voltar a ser a moça sem a pretensão de exibir os músculos em volta do umbigo e feliz. Aí voltei para casa e li na edição de domingo sobre o ciclochique, a nova onda de ir e vir de bicicleta e substituir a rotina estressante e poluente de carro por uma que libere endorfina e, de quebra, obrigue ao exercício diário. Achei bacana, espero que realmente a moda pegue. Quando visitei Amsterdã, achei o máximo ver as pessoas de terno e tailleur no ciclotrânsito da cidade das casas-barco. No recente seminário de turismo regional aqui no extremo Sul do estado, vi a apresentação do case de cicloturismo do Vale Europeu catarinense e, desde então, desejo fazer esta trip sobre duas rodas. Mas só depois que eu me recuperar da traquinagem desse final de semana e de comprar uma bermudinha dessas com amortecedores de gel. E para aderirmos ao ciclochique na cidade, a Prefeitura vai ter de concluir as ciclovias existentes e fazer tantas outras. Também teremos de inventar um jeito de chegar cheirosos e penteados nos lugares num dia de muito sol e vento ou simplesmente apostar no real way of life.
sábado, 24 de julho de 2010
Mais e melhores sons
As férias escolares mudam totalmente a cidade e a vida, especialmente a de quem tem filhos. Não tenho nada contra as colônias de férias, já fui a uma, nosso hino era Aquarela, de Toquinho, e foi inesquecível. Mas nada pode ser melhor do que passar uns dias na casa dos avós. Conversando com minha pequena Buda, antes do seu embarque para a itinerância de duas semanas longe da rotina da sala de aula, argumentei sobre a felicidade de se ter vovó e vovô. Quando eu era criança, mesmo até adolescência e, confesso que até hoje, senti falta disso. Os maternos perdi muito pequenina e meu avô viúvo amazonense, morando longe, vi quase nada. Cercada pela grande família da minha mãe sempre tive meus dengos das tias cajazeiras, das minhas primas mais velhas, dos meus primos que me contavam histórias de terror e dos bate-bola (ou Clóvis do carnaval carioca) e do meu exército de tios amados, mesmo quando nos mudamos do Rio para Floripa. Só que, quando meus colegas de escola ou da vizinhança diziam "neste final de semana não posso, vou pra casa da vó", sentia vontade de ter uma também.
A mãe da minha melhor amiga de infância (temporão de uma grande prole) era vovó de uma fila de uns doze netos. Então, eu sabia como elas eram. Deixam tudo que as mães não, cuidando com amor, claro. Fazem vontades bobas, mas que a gente valoriza quando é pequeno. Têm tempo, muuuuuito tempo para as crianças, fazem e ensinam tricô, bordado, bolo, boneca de pano, brincadeiras antigas, contam causos da infância delas e dos filhos. Meus episódios preferidos de Caillou são os que ele vai para a casa da avó. Amo a vovó de Piu-Piu e Frajola, a da Chapéuzinho Vermelho (a Pocket da versão moderna Deu a Louca na Chapéuzinho é demais) a Dona Benta e a tia Nastácia, que faz dupla com a sinhá a mimar Narizinho, Pedrinho e até a desmiolada da Emília, a vovó White, da Hello Kitty, o vovô Gepeto, do Pinóquio e por aí segue a extensa lista desses queridos personagens das infâncias da gente, a real e a fictícia. As pessoas de cabelos brancos quase azulados, com pintinhas nas mãos, fala mansa, cheirinho de talco e lavanda e uma paciência de Jó podem nem ter as características físicas, mas sempre serão avós em sua essência.
Sou realizada por minha filha ter os dela, por receber o afeto e a atenção deles, por saborear esta parte boa da infância em família. Confesso também que estou adorando ser minha, só minhazinha nestes dias de férias escolares. Faço questão de acordar muito cedo, meditar, não ligo o som para ouvir os diferentes cantos dos meu companheiros que planam lá da baía até aqui onde estou e dos que sobrevoam os morros que cercam de verde a minha morada. Ouvir os sons do córrego aqui nos fundos e dos macaquinhos saltando entre os galhos das árvores, quando não está chovendo. Gosto de ver o mar espelhado, lá longe o barquinho solitário a espera de quem o conduza para um dia de farta paescaria, de observar as flores nativas que enfeitam meu trajeto até o trapiche todos os dias. Conectada aos mais e melhores sons da vida, produzo a partir da mente as belas imagens de um simples dia e concordo que ter saudade de ouvir "manhêêêêê" até que é bom.
A mãe da minha melhor amiga de infância (temporão de uma grande prole) era vovó de uma fila de uns doze netos. Então, eu sabia como elas eram. Deixam tudo que as mães não, cuidando com amor, claro. Fazem vontades bobas, mas que a gente valoriza quando é pequeno. Têm tempo, muuuuuito tempo para as crianças, fazem e ensinam tricô, bordado, bolo, boneca de pano, brincadeiras antigas, contam causos da infância delas e dos filhos. Meus episódios preferidos de Caillou são os que ele vai para a casa da avó. Amo a vovó de Piu-Piu e Frajola, a da Chapéuzinho Vermelho (a Pocket da versão moderna Deu a Louca na Chapéuzinho é demais) a Dona Benta e a tia Nastácia, que faz dupla com a sinhá a mimar Narizinho, Pedrinho e até a desmiolada da Emília, a vovó White, da Hello Kitty, o vovô Gepeto, do Pinóquio e por aí segue a extensa lista desses queridos personagens das infâncias da gente, a real e a fictícia. As pessoas de cabelos brancos quase azulados, com pintinhas nas mãos, fala mansa, cheirinho de talco e lavanda e uma paciência de Jó podem nem ter as características físicas, mas sempre serão avós em sua essência.
Sou realizada por minha filha ter os dela, por receber o afeto e a atenção deles, por saborear esta parte boa da infância em família. Confesso também que estou adorando ser minha, só minhazinha nestes dias de férias escolares. Faço questão de acordar muito cedo, meditar, não ligo o som para ouvir os diferentes cantos dos meu companheiros que planam lá da baía até aqui onde estou e dos que sobrevoam os morros que cercam de verde a minha morada. Ouvir os sons do córrego aqui nos fundos e dos macaquinhos saltando entre os galhos das árvores, quando não está chovendo. Gosto de ver o mar espelhado, lá longe o barquinho solitário a espera de quem o conduza para um dia de farta paescaria, de observar as flores nativas que enfeitam meu trajeto até o trapiche todos os dias. Conectada aos mais e melhores sons da vida, produzo a partir da mente as belas imagens de um simples dia e concordo que ter saudade de ouvir "manhêêêêê" até que é bom.
Assinar:
Postagens (Atom)