sábado, 7 de maio de 2011

Só sei que foi assim

...e desde então, tudo de mais nobre em mim é o tanto que tenho para dar.     

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A casa feliz


Eu sempre quis aquele jogo de porcelana para chá falante do cenário de A Bela e a Fera na minha cristaleira. Já tive pinguim na geladeira e quase arrematei, em São Paulo, um relógio de parede com nariz também. Mas nunca imaginei que móveis de animação existissem de verdade. Estou encantada com o trabalho do designer canadense Judson Beaumont. Claro que desejo quase tudo que ele faz, mas olha que sonho!


segunda-feira, 2 de maio de 2011

A primavera de maio

Hoje o sol nasceu de mansinho, pintando as primeiras cores no céu mais azul de maio. Hoje o mar está mais calmo e brilhante e o meu coração em festa. Meu mundo comemora o nascimento da pequena Buda, a flor de lótus, meu grande amor, a luz da minha casa. Feliz aniversário, filha querida! No silêncio dessa manhã, enquanto desentrelaçava meu rosário do seu, ensaiei uma prece especial. Porém, nela nada coube, além de simplesmente obrigada. Que a paz seja tua semente plantada na vida e a luz te guie sempre pelo bom caminho. Namastê.

domingo, 17 de abril de 2011

Coração de cozinheira

Pode ser escondidinho. Entre duas camadas espessas e macias de massa de batata, aipim ou abóbora um universo de possibilidades para rechear esse delicioso prato aguça a minha criatividade. O mais fácil é pensar em carne, seja de sol ou de lua, picadinha, moidinha com alho bem picadinho, cebola, tempero verde e um mix de pimentas. Ou inventar moda com vegetais, aromas, cores e sabores. Meu coração de cozinheira está apaixonado pela segunda opção no momento. É assim como se o sabor do tartuffo fizesse as asas de uma borboleta chacoalharem dentro do meu estômago. Em todas as receitas, amor a gosto.
Sabe que o sucesso de um prato está na energia que se deposita no seu preparo, né? Nada como ver o caldo do feijão encorpar, enquanto sorri plenamente.
Por falar em amor e sonhos, deixa eu apresentar logo a minha personagem, a Sinhá Saúde. Vivo falando dela e faltava o seu sorriso contagiante aqui no meu blog que, aliás, nasceu por causa delazinha. Fofa!
Era para relatar minhas experiências com as crianças na cantina, no horta pedagógica, nas outras atividades lúdicas, na rotina da escola, onde o projeto de educação alimentar e cardápio saudável estava inserido. Também era para divulgar as receitas que a gente preparava lá. O livro de receitas da Sinhá Saúde é uma coletânea com várias participações especiais. Tem o dedo da Rosane (nutricionista e mãe de dois adolescentes), da tia Márcia (merendeira e mãe de uma adolescente), da tia Simone (merendeira e mãe de três filhos pequenos), o meu (jornalista metida a chef e mãe da pequena Buda), do Jamie Oliver (chef de fato e pai de uma criançada que estampa seus livros e mete as mãozinhas em seus preparos na TV), da vovó Lúcia (minha mãe, dona de casa com muito talento e amor e vovó da pequena Buda) e por aí vai. Agora tem ainda os meus passeios pelos blogs como o da Márcia Feijó, olha que legal. Tem a Dadivosa, que a Bebé me apresentou.
Olha, o que não falta é gente boa em torno do prazeroso ato de cozinhar e de comer, olha aí o Gastão e a Soninha também. Vixe, é de dar água na boca e de encher o coração de alegria.
E deixa eu contar: sabe o Bolo do Sítio? Maior sucesso a receita da Rosane. Fiz um teste cego lá com meus colegas de trabalho (publicitários adoram testes cegos) e até uma cliente provou. Ninguém adivinhou que o quitute levava abobrinha.Chutaram banana, quase todos. Erraram, mas gostaram. Amanhã embarco no bonde levando um bolo inteiro para o lanche da tarde.     
 

terça-feira, 5 de abril de 2011

Jamie e eu

Quando conheci Jamie Oliver (e isso ainda vai acontecer de verdade!) pesquisava para alguma tese  acadêmica sobre a influência da propaganda na elevação dos índices de obesidade infantil no Brasil. Os estragos já eram caso de saúde pública nos Estados Unidos e na Europa. Só que a mídia era uma pequena parte responsável pelo processo todo. Havia, ainda, os hábitos familiares, os novos padrões de consumo e de vida de pais e filhos no mundo. O fato é que não escrevi tese nenhuma e tive a chance de interferir na vida das pessoas com o que estudei e isso foi uma experiência e tanto. As circunstâncias me levaram pelo caminho e, quando me dei conta, lá estava eu. Depois de longos nove anos trabalhando exclusivamente com o jornalismo em São Paulo, diante de um desafio completamente inesperado. A cantina da escola da minha filha fecharia, já que o prestador de serviço deixara o ramo. Prestes a liderar um mutirão de mães para resolver a questão e garantir a nossa paz, saquei da manga uma proposta. Todos adoraram, mas quem quis meter a mão na massa fui eu.
O verão chegou e dediquei aqueles dias de sol à reforma do espaço, onde a Sinhá Saúde faria uma revolução no conceito de alimentação na pré-escola. O ano letivo começou e eu chorei feito criança no primeiro dia de aula, sentada no chão colorido, no fim do dia, com uma pilha de fichas nas mãos preenchidas por pais que adotariam os pacotes mensais de alimentação saudável e educação nutricional para seus flhotes na minha cantina. Seria uma imensa responsabilidade dar de comer para os filhos de outros pais, que eu nem imaginava como eram em casa, do que gostavam, o que comiam. O ato de alimentar simboliza dar amor, lida com a vida porque interfere na saúde. Mas eu estava certa de uma coisa: faria aquilo com muito afinco, colocaria as pitadas de lições que aprendi com minha mãe, com as avós da vida, as vizinhas, as tias e as amigas mais experientes, os pediatras e as leituras sobre o tema. Também contava com um dom que se revelava naquela oportunidade. Afinal, passei minha infância e adolescência na cozinha da minha mãe ao lado dela vendo o almoço e o jantar serem preparados, falando de tudo, passando o tempo sem saber que estava ali aprendendo. Minha tia fazia bolos lindos sob encomenda e, embora eu tenha acompanhado muitos deles serem confeccionados, os doces nunca foram minha especialidade. Um dia ela construiu com massa de chocolate, raspas e coberturas um trem imenso para eu comemorar meu aniversário na escola, lá no Rio. Eu era bem pequena, mas lembro como se fosse hoje. O vagão de cargas era cheio daqueles palitos de biscoito cobertos com cohocolate, imitando a lenha que era transportada diretamente para as bocas gulosas dos meus colegas de classe.
Agora eu era mãe e tia e seguia os passos de Jamie sem saber. O cozinheiro inglês era cada vez mais pop, se transformou no "melhor amigo dos pais" ao colocar ingredientes saudáveis de maneira atraente na merenda dos pequenos britânicos. Ele também não sabia que aqui na minha cantina eu acrescentava aulas de culinária para as crianças no currículo pré-escolar. Realizava atividades lúdicas, como criar nossa própria horta orgânica e ensinar com o teatro de fantoches tudo sobre os alimentos e o seu poder de promover a saúde e a felicidade desde muito cedo na vida. Vira e mexe eu esbarrava com o chef de cabelos desordenados e riso fácil, veloz com as panelas, criativo improvisador em alguma consulta a receitas pela internet. Estava sempre em busca de novidades para o cardápio da minha cantina (café da manhã, lanche, almoço e jantar) elaborado com a consultoria de uma nutricionista igualmente apaixonada pelo trabalho com crianças. Se não era assim, alguém que tomava conhecimento do que eu fazia me comparava a ele. Jamie ganhou a mídia pelos resultados que conseguiu muito rapidamente nas escolas inglesas e atravessou fronteiras. Um amigo me incentivava a tentar a rede pública de ensino. Eu ganhei um novo trabalho e o carinho daquelas crianças que me chamavam de "tia Sinhá". Sabe que até hoje, se encontro algum deles por aí, me emociono por ser lembrada assim.
Meu ano como Sinhá Saúde (esse era o nome da personagem que batizou a cantina e encantou as crianças, os pais e os educadores daquela escola de Florianópolis) foi inesquecível, todos aprendemos muito. Mas isso eu ainda vou contar em capítulos. Agora estou feliz por reencontrar Jamie num livro escrito em inglês, o meu primeiro da coleção, que é para eu afiar o idioma e poder trocar receitas com ele um dia. Voltei para as experiências que a cozinha de minha casa me proporcionam, cercada de crianças e de amigos. Meu tempo livre tem me permitido conhecer temperos, pesquisar ingredientes saudáveis, inventar moda multicolorindo pratos, testando o aproveitamento de nutrientes onde menos esperamos encontrá-los, anotando invenções, fotografando pratos, registrando depoimentos de pequenos críticos, de suas mães e pais. Já somos um ensaio de confraria. Eu tenho um sonho recheado de ideias e um apetite dandado para retomar de onde parei. Quando a escola fechou e tirei a minha última peça da cantina dizendo "até logo", sabia que não era um adeus. Desde que foi entregue pela empresa que a confeccionou, Sinhá Saúde jamais tinha saído da portinha verde alface do meu pequeno restaurante. Ela está  guardada com meu amigo Zédassilva que gentilmente emprestou seu traço para dar vida a minha personagem. Ela espera por novas aventuras e, quem sabe, ainda posará para uma foto com Jamie?

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Mas, já?

Lá vem mais um ano letivo e minha pequena Buda, como a maioria dos pimpolhos em idade escolar, está com aquela cosquinha danada na barriga, contando as horas para voltar à escola. Passou tão rápido que parece que meu post sobre a estreia dela na nova escola foi publicado ontem, né não?
Arrumamos o estojo e a mochila na primeira hora desse domingo e separamos seu uniforme no sábado! Nem assim parei de responder sobre os detalhes para o grande retorno:  - Mãe, a que horas tenho de dormir para acordar cedo?
- Todos precisamos dormir oito horas, filha. Ensino.
- Ah, não, é muito cedo, manhê.
- Não, filha, você deve dormir oito horas por dia e não às 20 horas. Isso é para você ter saúde e disposição para ir à escola, aprender, brincar, se desenvolver.
- Ainda bem, você quase me matou de susto. Acalmou-se.
Assim como aconteceu comigo, a quarta série trará para ela a novidade da mudança de turno. Pequena Buda vai pular cedinho da cama, ver o sol raiar, enquanto se prepara para o dia de aula. Eu fui para o período vespertino nessa idade. Achei que seria bom dormir até mais tarde, ver a programação de desenhos da manhã, mas logo descobri que aquilo não era para mim. Além de prefrir filmes da Sessão da Tarde, meu balé, andar de bicicleta na rua com a turma até o final do dia, tudo era mais lento e preguiçoso, desde o meu despertar, até a passagem das horas na escola à tarde. Não que eu não gostasse de estar lá, mas é que pela manhã a vida parecia ser mais dinâmica no colégio. Irmã Gabriela assobiava no jardim, podando as rosas e nos chamava para ver a horta. À tarde ela dormia, nem víamos a rechonchuda freira.
Prefiro que minha filha se acostume a acordar cedo e a cultivar disposição. Pelo menos me parece empolgada com a nova rotina, diz que terá a tarde para brincar com as amigas do condomínio, participar mais ativamente do clube Planeta Água. Membro do conselho diretivo da organização pelo bem do condomínio, das pessoas e do planeta, evidentemente, hoje ela me contou que a criação da segunda sede do clube do condomínio não foi uma expansão, mas sim a quase quase dissolução do Planeta Água, um racha. O que seria uma grande perda para todos nós, acostumados às benfeitorias da organização, há mais de um ano. Bem que notamos a ausência de mensagens coloridas nas portas dos elevadores, da barulheira pelas escadas dos prédios. Claro que só descobri o que de fato aconteceu nos bastidores porque a questão já foi resolvida e a paz voltou a reinar. Duas sócias do Clube fizeram uma intriguinha e tentaram minar a amizade entre a pequena Buda e a Jujuba, que são muito unidas. Jamais esqueço a primeira das muitas pérolas de Jujuba, de quando chegamos aqui no condomínio: - Olha, você tem sorte de ter a mim como amiga da sua filha.  - Sério, por que?  - É que eu gosto muito dela.
Espontânea e verdadeira, Jujuba é uma grande amiga mesmo para a pequena Buda. Tanto que, minha menina, que tem um coração imenso e uma intuição e tanto, não engoliu a fofoquinha assim fácil, embora ambas tenham ficado chateadas.  - Mãe, eu sabia que a Jujuba não faria isso comigo, não poderia ter acreditado nelas. Agora sei que ela não fez nada do que as meninas disseram. As meninas também se arrependeram porque viram que não se deve querer estragar a amizade dos outros. - Mãe, rasgamos o documento que criava a sede nova do clubinho, eu e Jujuba. O Planeta Água é um só e somos todas companheiras. 
Ufa, não sei o que seria de nós aqui, adultos mal acostumados a separar doces para o Halloween delas. Imagina a ausência que seria para o senhor que um dia reclamou das bruxinhas e, no ano seguinte, já abriu a porta, sorrindo, com algumas balinhas nas mãos. Os estudantes, que habitam o condomínio em crescente escala, até já entregaram uma pizza que era consumida no exato momento em que a campainha tocou para entrarem na brincadeira. Fiquei feliz porque um dia ouvi comentarem no elevador que acharam divertido participar e que as crianças alegram o condomínio. Nem sabiam que eu tinha ajudado a comer a pizza, que a parte de brócolis tava ótima, e que lavei o tabuleiro deles para ser devolvido no dia seguinte. Agora boa noite, já é hora de nanar porque amanhã acordaremos até o galo sem relógio. Sim, ele existe, mas outro dia eu conto essa história.