sábado, 26 de novembro de 2011
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Nós três em: O passado nos redime
Por que levamos pelo menos 30 anos para começar a dizer "eu te amo" para os amigos? Por que também precisamos de tanto tempo para confessar os segredos guardados a sete chaves nos cofres da infância adormecida? Acordamos sobressaltados aos 40 anos, eu, Iramaia e Charles feito tivéssemos 10. Faltou a Renata para reconstruir a trama, mas sigamos assim mesmo. Estamos em um café, os três, enquanto minha filha de nove anos desenha no papel sobre a mesa, no cantinho. Tudo começa no presente, os filhos que tivemos, que não tivemos, os trabalhos que fizemos, que não fizemos, os sonhos realizados e os jamais levados adiante, os discursos superados, ultrapassados, as manias acentuadas e tudo parece mais hilário do que trágico. Isso é bom. Mas por que? Perco o fio da meada para dar alguma atenção a quem nada entende do que estamos ali falando e nem parece se interessar. Minha filha gosta dos meus amigos de infância, de me ver com eles, mas não entende como podemos achar graça de algumas coisas tão bobas que vivemos juntos. Perfeitamente compreensível. Quando minha mãe me contava sobre ela e sua amiga escondidas no porão da casa da vovó amassando tijolos para fazer o blush que lhes coraria a face e, depois, apreciarem o movimento no portão do casarão de Jacarepaguá também achava bobo. Para cada época um espírito, uma ousadia, um valor. Já que nada a consola, a não ser os lápis de colorir, os carimbos, o papel e o seu petit gateau volto para meu reencontro com o passado mais doce, o das minhas saias de pregas azuis, das meias brancas 7/8, camisa de alfaiataria e gravata azul. Meu primeiro uniforme escolar em terras catarinenses era assim. Quando eu, Maia e Charles nos conhecemos o figurino começava a mudar, na quarta série eu e Maia sonhávamos com as saias em modelo tubinho, do mesmo tecido azul e as camisetas de malha, sem gravatas.
Nos amávamos, isso era fato. Mas tínhamos uma relação dupla. Deixa eu explicar melhor: Charles amava Tiane e Maia, mas as duas disputavam a amizade dele e tudo mais ao seu redor. Então, Charles era o melhor amigo de Tiane, para ela. Era o melhor amigo de Maia, para ela. Veja só: fui descobrir que os dois passavam tardes divertidas iguais as nossas somente agora! Achei que aquilo era só meu, ora bolas. Mas também fiquei feliz ao saber que Maia me admirava tanto quanto eu a ela. Sim, claro que fizemos várias confissões naquela tarde de domingo, clamando por café com creme, em vez de refrigerante. Incrível, a menina que eu achava a mais bonita da escola, com seus longos cabelos loiros iguais aos da minha Susi preferida sonhava em ter os meus cachos negros balançando sobre seus ombros. E por que nunca dissemos isso uns aos outros? Por que não passamos os três juntos as maravilhosas tardes de brincadeiras e lanches, confissões e estudos? Meu amigo Charles nunca saiu da minha vida, até foi padrinho do meu casamento. Ligou no meu aniversário todos os anos, inclusive quando eu vivia em São Paulo. Que Maia não sinta ciúme nessa hora (até porque ele pode e deve ter feito o mesmo para ela) mas tenho de agradecer por ele ter cumprido a promessa que fizemos um dia, ainda meninos, no pátio da escola: - Nunca vamos nos separar! Me perdoa, Charles, por todos os anos que não lembrei do seu aniversário. Maia, linda e risonha, a minha boneca com vida, me perdoa pela traquinagem com os cabelos da Susi na sala de aula. Aquilo foi ciuminho, invejinha, coisa de menina moleca, imatura e insegura. Tudo foi e o que ficou é o melhor que temos, a nossa amizade e o carinho um pelo outro. Se Deus quiser estaremos juntos até o final dessa vida e nos encontraremos em tantas outras. Prometo um novo post sobre nós três dentro de dez anos. Até lá espero termos o paradeiro de Renata para puxarmos uma cadeira a mais na mesa do café. Aí eu conto onde ela entra nessa história. O Charles vai adorar! (isso é, ainda, resquício de crueldade pueril).
Nos amávamos, isso era fato. Mas tínhamos uma relação dupla. Deixa eu explicar melhor: Charles amava Tiane e Maia, mas as duas disputavam a amizade dele e tudo mais ao seu redor. Então, Charles era o melhor amigo de Tiane, para ela. Era o melhor amigo de Maia, para ela. Veja só: fui descobrir que os dois passavam tardes divertidas iguais as nossas somente agora! Achei que aquilo era só meu, ora bolas. Mas também fiquei feliz ao saber que Maia me admirava tanto quanto eu a ela. Sim, claro que fizemos várias confissões naquela tarde de domingo, clamando por café com creme, em vez de refrigerante. Incrível, a menina que eu achava a mais bonita da escola, com seus longos cabelos loiros iguais aos da minha Susi preferida sonhava em ter os meus cachos negros balançando sobre seus ombros. E por que nunca dissemos isso uns aos outros? Por que não passamos os três juntos as maravilhosas tardes de brincadeiras e lanches, confissões e estudos? Meu amigo Charles nunca saiu da minha vida, até foi padrinho do meu casamento. Ligou no meu aniversário todos os anos, inclusive quando eu vivia em São Paulo. Que Maia não sinta ciúme nessa hora (até porque ele pode e deve ter feito o mesmo para ela) mas tenho de agradecer por ele ter cumprido a promessa que fizemos um dia, ainda meninos, no pátio da escola: - Nunca vamos nos separar! Me perdoa, Charles, por todos os anos que não lembrei do seu aniversário. Maia, linda e risonha, a minha boneca com vida, me perdoa pela traquinagem com os cabelos da Susi na sala de aula. Aquilo foi ciuminho, invejinha, coisa de menina moleca, imatura e insegura. Tudo foi e o que ficou é o melhor que temos, a nossa amizade e o carinho um pelo outro. Se Deus quiser estaremos juntos até o final dessa vida e nos encontraremos em tantas outras. Prometo um novo post sobre nós três dentro de dez anos. Até lá espero termos o paradeiro de Renata para puxarmos uma cadeira a mais na mesa do café. Aí eu conto onde ela entra nessa história. O Charles vai adorar! (isso é, ainda, resquício de crueldade pueril).
terça-feira, 1 de novembro de 2011
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
sexta-feira, 7 de outubro de 2011
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Notícias da Lili
Jamais duvido de que tudo que acontece é bom e de que as coisas não se movem até que devam se mover. Olha a Lili, nossa fofa hóspede de quem trago as boas novas. Um belo dia abri minha caixa de e-mails e vejo lá uma resposta esbaforida de Anita Martins (a jovem jornalista que conhecia pelo fascinante jeito de contar as coisas, as suas aventuras pelo mundo no blog que tenho aqui entre os meus favoritos). A campanha por um lar pra Lili seguia, uma moça marcava a desmarcava a visita para conhecer a cachorrinha e Anita aparece dizendo que só naquele dia tinha lido a mensagem com o cartaz da campanha de Lili que disparei. Tinha de ser ela.
Lili é a primeira experiência de convivência de Anita com um cãozinho. Ela tinha medo de cachorros e isso é muito normal, acontece. Lili também tinha medo de humanos. Qualquer gesto, mesmo que fosse de carinho a fazia encolher-se, num primeiro momento, e até urinar involuntariamente. Não sabemos o que ela viveu até o dia em que a encontramos com fraturas na bacia, abandonada ali na Baía Sul. Só que não vamos pensar no passado triste, mas sim no presente e no futuro felizes da nossa lobinha de riso fácil, bagunceira e ciumenta, como conta Anita. Ela mora num espaçoso e seguro quintal, recebe amor, carinho, passeia de carro com sua família e tem aqui eternos amigos: eu, pequena Buda e Pepê. Daqui pra frente, tudo vai ser diferente, Lili! Tudo já é mais felicidade na sua vida e nas vidas de quem você faz sorrir.
Lilly da pequena Buda é Lili da Anita. Pepê da Christiane é João Pedro de Edu e Zé Cláudio. E assim animais criam laços fraternos entre humanos e nos ensinam que para amar e ser amado, basta querer.
Lili é a primeira experiência de convivência de Anita com um cãozinho. Ela tinha medo de cachorros e isso é muito normal, acontece. Lili também tinha medo de humanos. Qualquer gesto, mesmo que fosse de carinho a fazia encolher-se, num primeiro momento, e até urinar involuntariamente. Não sabemos o que ela viveu até o dia em que a encontramos com fraturas na bacia, abandonada ali na Baía Sul. Só que não vamos pensar no passado triste, mas sim no presente e no futuro felizes da nossa lobinha de riso fácil, bagunceira e ciumenta, como conta Anita. Ela mora num espaçoso e seguro quintal, recebe amor, carinho, passeia de carro com sua família e tem aqui eternos amigos: eu, pequena Buda e Pepê. Daqui pra frente, tudo vai ser diferente, Lili! Tudo já é mais felicidade na sua vida e nas vidas de quem você faz sorrir.
Lilly da pequena Buda é Lili da Anita. Pepê da Christiane é João Pedro de Edu e Zé Cláudio. E assim animais criam laços fraternos entre humanos e nos ensinam que para amar e ser amado, basta querer.
quarta-feira, 28 de setembro de 2011
A natureza é sábia
Tem coisas que não mudam. Pode o ser humano evoluir, adaptar normas de conduta aos novos tempos, mudar hábitos, mas existem as características imutáveis para cada etapa da vida. As das crianças são as que me ocorrem por ora, já que tem uns 15 dias que só ouço a minha dizer: - mãe, tá chegando o Dia das Crianças. É como querer que criança não faça sujeira, nem bagunça, nem cometa traquinagens a gente desejar que elas tenham consciência de que o quarto delas já tem muito mais brinquedos do que deveria. Só quem é mãe ou pai sabe o quanto é difícil convencê-los a doar alguns deles, sempre que algo novo chega. A gente apela até para o senso de organização, afinal é desesperador ver a o quarto deles na maior bagunça e não ter mais onde guardar trecos. Para mim isso é tão sério, que me declaro contra os brindes de fast food. Tá doido, quanta tranqueira acumulada. Sim, porque eles não brincam com essas coisas. Na hora de doar brinquedos, é cada desculpa esfarrapada, que chega até a ser engraçado. - Mãe, mas esse boneco foi o meu primeiro de quando eu tinha três anos! - E daí? Penso em responder ao argumento, apropriando-me da gíria do momento entre os tweens. Nada pode ser mais irritante do que ouvir esse "e daí?" acompanhado daquela expressão de sabichão independente que eles fazem.
É nosso dever educar os pequenos para o consumo, é ainda mais importante darmos o exemplo. Aí que mora o dilema. Assim como é do ser criança uma série de coisas como querer brinquedos em exagero e dar respostas espertinhas, é de ser pai emeterno aprendizado cometer os tropeços mais tradicionais. De vez em quando eu ouço: - Ué, mas você me disse que a gente só compra aquilo que precisa... você já não tem isso, mamãe?
Ô, meu pai, que vontade novamente de dizer: - E daí? Mas eu não digo, claro. Respiro, penso e sigo firme no propósito de educar: - Você tem razão, eu não preciso disso agora. Seria um ato de consumismo, filha.
E obrigada por me lembrar disso.
Bom, eu acredito que assim eles aprendem e adquirem mais confiança ao saber que adultos também derrapam. E o melhor: entendem como é possível mudar, optar pelo que seria correto. Outro dia li num link a partir do Twitter uma matéria na qual o fabricante de um produto ou um grupo deles tachava o Instituto Alana de mau. Dizia que a Ong não gostava das criancinhas porque pretendia cercear o direito de ser criança, de comer besteira, de desejar brinquedos da moda e tal. Sabe que fiquei intrigada com isso? Não a ponto de concordar com tal afirmação superficial sobre o trabalho de estudiosos sobre mídia, consumo e educação, que vai muito além disso de supostamente tolher a infância e o que dela faz parte. Muito pelo contrário. Os pais de hoje são empurrados para uma rotina na qual delegam quase tudo sobre o ato de educar a alguém ou a alguma instituição. Não me pergunte o que os leva a isso porque direi o óbvio: mulheres no mercado de trabalho (ainda bem!), o anseio pela segurança material, a busca inconsciente sobre vários aspectos, o que é da natureza humana e o consumismo, por que não? Pronto, voltei ao início de tudo: o homem natural. Entre o homem natural e o homem espiritual, ainda me sinto no meio, um tanto camaleão. Ora natural, ora espiritual, tento fazer as melhores escolhas. Acho que a tendência é tornar-me apenas um deles, com o passar do tempo. Naturalmente o tempo me levará para o espiritual. Porque é essa a tendência das pessoas, quando amadurecem. Ainda a caminho de lá e envolvida num trabalho de pesquisa sobre a propaganda brasileira, enquanto sou assediada por minha filha para o Dia das Crianças, mergulhei no meu passado de infante consumista e encontrei um velho bordão slogan. O comercial, pelo que consta, foi criado pela DPWZ, que depois se desmembrou em DPZ e W/Brasil, nos anos de 1980. A gente não só bombava isso nos ouvidos dos pais como também seguia a dica dos reclames, fixando bilhetinhos de "Não esqueça da minha Caloi" por todos os cantos da casa. Genial.
É nosso dever educar os pequenos para o consumo, é ainda mais importante darmos o exemplo. Aí que mora o dilema. Assim como é do ser criança uma série de coisas como querer brinquedos em exagero e dar respostas espertinhas, é de ser pai em
Ô, meu pai, que vontade novamente de dizer: - E daí? Mas eu não digo, claro. Respiro, penso e sigo firme no propósito de educar: - Você tem razão, eu não preciso disso agora. Seria um ato de consumismo, filha.
E obrigada por me lembrar disso.
Bom, eu acredito que assim eles aprendem e adquirem mais confiança ao saber que adultos também derrapam. E o melhor: entendem como é possível mudar, optar pelo que seria correto. Outro dia li num link a partir do Twitter uma matéria na qual o fabricante de um produto ou um grupo deles tachava o Instituto Alana de mau. Dizia que a Ong não gostava das criancinhas porque pretendia cercear o direito de ser criança, de comer besteira, de desejar brinquedos da moda e tal. Sabe que fiquei intrigada com isso? Não a ponto de concordar com tal afirmação superficial sobre o trabalho de estudiosos sobre mídia, consumo e educação, que vai muito além disso de supostamente tolher a infância e o que dela faz parte. Muito pelo contrário. Os pais de hoje são empurrados para uma rotina na qual delegam quase tudo sobre o ato de educar a alguém ou a alguma instituição. Não me pergunte o que os leva a isso porque direi o óbvio: mulheres no mercado de trabalho (ainda bem!), o anseio pela segurança material, a busca inconsciente sobre vários aspectos, o que é da natureza humana e o consumismo, por que não? Pronto, voltei ao início de tudo: o homem natural. Entre o homem natural e o homem espiritual, ainda me sinto no meio, um tanto camaleão. Ora natural, ora espiritual, tento fazer as melhores escolhas. Acho que a tendência é tornar-me apenas um deles, com o passar do tempo. Naturalmente o tempo me levará para o espiritual. Porque é essa a tendência das pessoas, quando amadurecem. Ainda a caminho de lá e envolvida num trabalho de pesquisa sobre a propaganda brasileira, enquanto sou assediada por minha filha para o Dia das Crianças, mergulhei no meu passado de infante consumista e encontrei um velho
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