segunda-feira, 12 de abril de 2010
sexta-feira, 9 de abril de 2010
A sabe-tudo ataca novamente
Quando digo que botei no mundo uma pequena Buda, não é só porque ela vive tentando me ensinar a fazer "invertidas" e outras posições desafiadoras de minha atual elasticidade com o que aprende do Ióga. Ontem me contava a lenda de Shiva.
Hoje pela manhã, naqueles episódios diários de educar os filhos, recorro a uma cassação do direito de uso do computador por um dia. Foi por causa de uma resposta malcriada que ela teria me dado.
- Mas por que mamãe?
- Ué, porque você foi malcriada. Disse tal coisa.
- Não, eu não disse. E não posso ser malcriada porque sou criada por você! (ai, que fofa!)
- Você disse sim, eu ouvi!
- Não, eu disse "já fiz a lição hoje."
- Jura? Então me desculpe.
Relembro a lenda de Shiva que ela me contou na noite anterior e extraio dali duas lições, para cada uma de nós.
- Mãe, o Shiva foi meditar lá no topo da montanha e não percebeu que ficou por 20 anos sem dar notícia para a esposa. Aí, quando voltou, um moço abriu a porta da casa para ele. Shiva puxou a espada e cortou a cabeça do moço, porque achou que ele era o namorado da mulher dele. Só que não era. A esposa veio e contou que o moço era o filho deles (Lord Ganesha) que nasceu e cresceu enquanto o pai estava sumido. Foi então que os amigos do Shiva ajudaram ele. Cortaram a cabeça de um elefante (ai, que dó!) e deram para ele colocar no lugar da que tinha decepado numa atitude precipitada (embora nada justifique cortar a cabeça de alguém, acho eu). Assim o filho dele viveu com uma cabeça de elefante.
Aprendi a ouvir (bem) antes de reagir.
- Filha, quando os pais, os avós, a professora estão nos educando, ensinando o certo, não devemos retrucar, responder com afronta. Aliás, não devemos agir assim com ninguém, nem com os amiguinhos. Ou eles podem devolver da mesma forma, até pior. Tem um ensinamento budista, numa canção chamada Desapego, dos The Darma Lóvers, que diz: "minha voz é parte do teu ouvido, quando a palavra sai bem..."
Aprendeu a respeitar para ser respeitada.
Não é Cosme e Damião, mas tem doce para todos
Do blog do Fifo (http://cine-luz.blogspot.com/) vem a dica para não perdermos Doce de Coco em exibição pelo estado neste mês e no próximo. O filme de Penna Filho será exibido gratuitamente em 25 cidades catarinenses a partir de 8 de abril e entra em cartaz no circuito nacional em 14 de maio, em São Paulo. Mais um pouquinho e eu estaria lá na platéia, bem orgulhosa, já que desembarco na metrópole no mesmo mês para o Salão Nacional do Turismo.
Porém, o que motiva este post, mais do que a curiosidade para ver essa nova produção catarinense, é o fato de, tanto as exibições em Santa Catarina, quanto a nacional, pelo sistema digital e em película, integrarem o projeto “Cinema Para o Povo Sem Tela”, apoiado pelo Funcultural - Fundo Estadual de Incentivo à Cultura. Inicitiva e tanto essa, porque o que fazemos tem de circular, o contribuinte catarinense deve ter acesso à produção que ajuda a financiar, não é mesmo? A recente Mostra de cinema Brasil-Alemanha (Diálogos em Cena) também foi itinerante e gratuita. Para quem não sabia ainda, o Fundo Estadual de Cultura incentiva a Maratona de Cinema de Santa Catarina, um projeto com quatro anos de estrada. A tela itinerante já levou cinema para mais de 200 mil pessoas, em cidades onde as salas de projeção nunca existiram, foram extintas e, sobretudo, onde a população não pode pagar pelos ingressos ou pelas locações de vídeos. Nágela Fadel, que criou a Maratona e executa o projeto com a ajuda de um assistente (dirige o carro, monta a tela e improvisa cadeiras em praças públicas, salões paroquiais, ginásios de esportes, escolas públicas e associações de moradores) diz que hoje as cidades ligam perguntando quando a Maratona vai passar. As sessões são por faixa etária, bem como a seleção da programação (blockbusters, curtas e longas catarinenses, docs, filmes nacionais e estrangeiros). Algumas aniações já exibidas na Mostra de Cinema Infantil, até onde soube, foram incluídas nesse circuito quase mambembe, bem ao modo Bye Bye Brasil, e a criançada do interior deve ter adorado conhecer personagens e narrativas diferentes, de autores outros países. Os idosos também comparecem em peso, segundo os relatos de Nágela. Muitos até colocam a melhor roupa para "ir ao cinema", é realmente um dia diferente em suas rotinas. Isso não tem preço para quem faz arte ou mesmo acredita nela como meio de inclusão, de educação ou de simples lazer.
Voltando ao Doce de Coco, estou ansiosa para ver o Ribeirão da Ilha, lindo cenário histórico de Florianópolis, na comédia dramática sobre uma família de classe média em um país em crise financeira. Ainda mais que fala de gente que não desiste, nem afrouxa diante de dificuldades, como a sacoleira Madalena e seu marido Santinho, artesão sacro que lutou contra a ditadura militar. Em vez de pipoca, quero comer doce de abóbora com coco que só minha mãezinha faz pra mim. Hummm, bateu o desejo, vou ligar agora mesmo pra ela e fazer a encomenda.
Porém, o que motiva este post, mais do que a curiosidade para ver essa nova produção catarinense, é o fato de, tanto as exibições em Santa Catarina, quanto a nacional, pelo sistema digital e em película, integrarem o projeto “Cinema Para o Povo Sem Tela”, apoiado pelo Funcultural - Fundo Estadual de Incentivo à Cultura. Inicitiva e tanto essa, porque o que fazemos tem de circular, o contribuinte catarinense deve ter acesso à produção que ajuda a financiar, não é mesmo? A recente Mostra de cinema Brasil-Alemanha (Diálogos em Cena) também foi itinerante e gratuita. Para quem não sabia ainda, o Fundo Estadual de Cultura incentiva a Maratona de Cinema de Santa Catarina, um projeto com quatro anos de estrada. A tela itinerante já levou cinema para mais de 200 mil pessoas, em cidades onde as salas de projeção nunca existiram, foram extintas e, sobretudo, onde a população não pode pagar pelos ingressos ou pelas locações de vídeos. Nágela Fadel, que criou a Maratona e executa o projeto com a ajuda de um assistente (dirige o carro, monta a tela e improvisa cadeiras em praças públicas, salões paroquiais, ginásios de esportes, escolas públicas e associações de moradores) diz que hoje as cidades ligam perguntando quando a Maratona vai passar. As sessões são por faixa etária, bem como a seleção da programação (blockbusters, curtas e longas catarinenses, docs, filmes nacionais e estrangeiros). Algumas aniações já exibidas na Mostra de Cinema Infantil, até onde soube, foram incluídas nesse circuito quase mambembe, bem ao modo Bye Bye Brasil, e a criançada do interior deve ter adorado conhecer personagens e narrativas diferentes, de autores outros países. Os idosos também comparecem em peso, segundo os relatos de Nágela. Muitos até colocam a melhor roupa para "ir ao cinema", é realmente um dia diferente em suas rotinas. Isso não tem preço para quem faz arte ou mesmo acredita nela como meio de inclusão, de educação ou de simples lazer.
Voltando ao Doce de Coco, estou ansiosa para ver o Ribeirão da Ilha, lindo cenário histórico de Florianópolis, na comédia dramática sobre uma família de classe média em um país em crise financeira. Ainda mais que fala de gente que não desiste, nem afrouxa diante de dificuldades, como a sacoleira Madalena e seu marido Santinho, artesão sacro que lutou contra a ditadura militar. Em vez de pipoca, quero comer doce de abóbora com coco que só minha mãezinha faz pra mim. Hummm, bateu o desejo, vou ligar agora mesmo pra ela e fazer a encomenda.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Reflexão
Hoje participei de uma palestra sobre as transformações do Planeta, não somente no plano físico, estas anunciadas em previsões catastrófcias sobre um provável fim do mundo, ou como as recentemente (terremotos, tsunamis, enchentes e outros arrastões humanos) acontecidas. Falava-se ( o Dr. Ricardo Di Bernardi, no ICEF, http://www.icefaovivo.com.br/) das transformações morais, essas mais ligadas à existência, com base em (muitas) informações de um texto de Joana De Angelis, psicografado por Divaldo Franco. Uma lição básica sobre evolução, sobre como precisamos de cada erro e acerto para o amadurecimento de nossas almas e, no fim das contas, ofertava um conforto: quando nos sentimos imaturos, saibamos que não somos nós, com vinte e poucos, trinta e poucos, quarenta e poucos por aí fazendo bobagens. Somos toda uma população de habitantes terráqueos em período de contestação, experimentação para o ansiado crescimento do espírito (ufa!), partindo de uma espécie de "adolescência" existencial para algo muito melhor. Mas claro que com consciência ética, que nos permita enxergar os tropeços para adotar nova postura com relação às pessoas, a outros seres, à natureza. A palestra também remeteu a um poema que li de Hermann Hesse (no livro Minha Fé) e tomo a liberdade de compartilhar.Reflexão
Divino e eterno é o espírito
Para ele, de que somos imagem e instrumento,
Corre o nosso caminho; a nossa mais íntima aspiração
É ser igual a ele, evoluir para a sua luz.
Mas terrenos e mortais fomos criados,
Inerte pesa a carga sobre nós criaturas.
Doce e Cálida nos envolve a natureza maternal,
A terra nos aleita, prepara-nos o berço e a cova,
Seduz-nos a ficar junto às flores lá embaixo;
Mas a natureza não nos dá a paz,
Paternalmente rompe-lhe a magia maternal
O raio exorante do espírito imortal.
Paternalmente faz da criança um homem,
Apaga a inocência e desperta-nos para a luta e a consciência
Assim entre mãe e pai,
Assim entre corpo e alma
Hesita da criação a mais frágil criatura,
O homem de alma fremente, capaz de sofrimento
Como ninguém mais, capaz do mais sublime:
Do mais fiel e confiante amor.
Difícil é o seu caminho, pecado e morte seu alimento,
Perde-se às vezes nas trevas, às vezes
Ser-lhe-ia melhor não ter nascido.
Eterna, porém, brilha sobre ele a sua missão,
O seu destino: a luz, o espírito.
Sentimos: ao que está em perigo, a ele,
O eterno ama com amor especial.
Por isso a nós irmãos transviados
É-nos possível o amor em toda desunião
E não julgamento e ódio,
Mas o amor tolerante,
A tolerância amante nos leva
Mais perto do santo destino.
quarta-feira, 24 de março de 2010
Is not a toy!
Atropelada pela rotina, deixo minha programação da semana fixada em quadradinhos de papel na mesa de trabalho, na capa de uma agenda que carrego na bolsa ou presa por imã na geladeira. Só percebo quanta coisa não pude fazer lá pela sexta-feira. E sempre são as coisas mais legais, como a estréia de Luiz Henrique no Balanço do Mar, o filme da Ieda Beck, ali no Centro, promovido pela Cinemteca Catarinense no Centro de Floripa e eu não pude ir. Tudo bem, oportunidade não faltará para ver o manezinho bossa nova sob o olhar dessa brilhante cineasta catarinense que partiu há dois anos.
Moro aqui perto da curva onde Luiz Henrique (também) se despediu da vida, depois de grandes aventuras pelo Brasil e o mundo, só no banquinho e violão. Minha filha já tem a história do artista na ponta da língua, conta sempre que falamos o nome do nosso condomínio para alguém (é uma homenagem a Luiz Herinque Rosa). Sabe também que o trabalho dele, quando retomou a vida na Ilha, era ali na frente, no Armazém Vieira. Inclui tudo isso no seu script sobre o artista. Ontem, feriado (a escola já não funcionou na segunda e deixo aqui meu protesto de mãe trabalhadora!) ela encontrou Luiz Henrique ao percorrer a feira de integração multicultural catarinense ali no Centrosul comigo.
- Mamy, olha o Luiz Henrique Rosa!
Fiquei impressionada com as reações dela ao deparar-se com o que já conhecia, de leituras, vivências e do aprendizado na escola.
- O Cruz e Sousa! Não sabia que ele era assim.
- Isso é uma Nau, você sabia Mamy? Só que essa não é das maiores.
E o Meyer Filho, a baleia Franca, os cânions, o zoo de Pomerode, o traje típico alemão, a Festa do Divino, os bailarinos do Bolshoi. Ela deu um show, poderia bem ser monitora da mostra.
Parou diante do inseto e perguntou (não teve paciência para ler o painel, claro)
- O que esse grilo gigante faz aqui?
Era o entomologista Fritz Plaumann (que fez Seara tornar-se uma referência no estudo de insetos). Resumi a história para ela e esperei pela réplica.
- Ah, legal.
Pareceu que tudo o que falei ou mostrei foi nada. Realmente muito pouco interessante naquela hora. Mas sei que ficou o registro, que ela vai puxar o arquivinho, quando a professora chegar nesse capítulo do livro. Corro para cobrir um painel sobre políticas públicas para o turismo e, quando vejo, ela está de caneta e papel ao meu lado, sentada, anotando tudo, exatamente como eu.
- Você tá copiando tudo da tela, né mãe?
- Não filha, tô anotando coisas que o palestrante fala pra depois fazer minha matéria, palavras-chave, frases, ideias.
Olhou para meu bloco, caligrafia e sinais indecifráveis, escolheu copiar o que estava projetado no telão. Perdi o controle do que ela degustava saltitando pelos estandes das regiões turísticas (bolachas caseiras de montão!) carreguei uma megasacola de brindes, cupons para concorrer a viagens, tudo o que ela recolheu na feira de turismo. Ajudou os colegas da sala de imprensa a acessar o computador, que obviamente já havia fuçado e, portanto, sabia que não carecia de senha para entrar. Ensinou o atendente do quiosque de comida típica italiana o que era molho a matriciana (ela queria esse no seu talharim, mas só tinham molho a bolonhesa e não sabiam que catso! era esse tal matriciana) e me fez ficar da cor de um pimentão.
- Agora vamos embora?
- Você ainda precisa dormir hoje na vovó, trabalho aqui muito cedo amanhã.
- Só queria saber quando volto a dormir em casa...
Tá vendo filha, essa profissão não é brincadeira.
Moro aqui perto da curva onde Luiz Henrique (também) se despediu da vida, depois de grandes aventuras pelo Brasil e o mundo, só no banquinho e violão. Minha filha já tem a história do artista na ponta da língua, conta sempre que falamos o nome do nosso condomínio para alguém (é uma homenagem a Luiz Herinque Rosa). Sabe também que o trabalho dele, quando retomou a vida na Ilha, era ali na frente, no Armazém Vieira. Inclui tudo isso no seu script sobre o artista. Ontem, feriado (a escola já não funcionou na segunda e deixo aqui meu protesto de mãe trabalhadora!) ela encontrou Luiz Henrique ao percorrer a feira de integração multicultural catarinense ali no Centrosul comigo.
- Mamy, olha o Luiz Henrique Rosa!
Fiquei impressionada com as reações dela ao deparar-se com o que já conhecia, de leituras, vivências e do aprendizado na escola.
- O Cruz e Sousa! Não sabia que ele era assim.
- Isso é uma Nau, você sabia Mamy? Só que essa não é das maiores.
E o Meyer Filho, a baleia Franca, os cânions, o zoo de Pomerode, o traje típico alemão, a Festa do Divino, os bailarinos do Bolshoi. Ela deu um show, poderia bem ser monitora da mostra.
Parou diante do inseto e perguntou (não teve paciência para ler o painel, claro)
- O que esse grilo gigante faz aqui?
Era o entomologista Fritz Plaumann (que fez Seara tornar-se uma referência no estudo de insetos). Resumi a história para ela e esperei pela réplica.
- Ah, legal.
Pareceu que tudo o que falei ou mostrei foi nada. Realmente muito pouco interessante naquela hora. Mas sei que ficou o registro, que ela vai puxar o arquivinho, quando a professora chegar nesse capítulo do livro. Corro para cobrir um painel sobre políticas públicas para o turismo e, quando vejo, ela está de caneta e papel ao meu lado, sentada, anotando tudo, exatamente como eu.
- Você tá copiando tudo da tela, né mãe?
- Não filha, tô anotando coisas que o palestrante fala pra depois fazer minha matéria, palavras-chave, frases, ideias.
Olhou para meu bloco, caligrafia e sinais indecifráveis, escolheu copiar o que estava projetado no telão. Perdi o controle do que ela degustava saltitando pelos estandes das regiões turísticas (bolachas caseiras de montão!) carreguei uma megasacola de brindes, cupons para concorrer a viagens, tudo o que ela recolheu na feira de turismo. Ajudou os colegas da sala de imprensa a acessar o computador, que obviamente já havia fuçado e, portanto, sabia que não carecia de senha para entrar. Ensinou o atendente do quiosque de comida típica italiana o que era molho a matriciana (ela queria esse no seu talharim, mas só tinham molho a bolonhesa e não sabiam que catso! era esse tal matriciana) e me fez ficar da cor de um pimentão.
- Agora vamos embora?
- Você ainda precisa dormir hoje na vovó, trabalho aqui muito cedo amanhã.
- Só queria saber quando volto a dormir em casa...
Tá vendo filha, essa profissão não é brincadeira.
terça-feira, 23 de março de 2010
Obrigada, obrigada, obrigada
Cinco da matina meu celular desperta esse corpo cansado da labuta até tarde (visitem o I Salão catarinense do Turismo lá no Centrosul até sábado, é muito bacana) e qual minha surpresa? Compromisso profissional adiado, nem penso em voltar para a cama. Afinal, é aniversário de Floripa, essa querida companheira, berço aconchegante que acolheu a carioquinha aos quase seis anos. Me embalou tão carinhosamente e me fez ser grata pelo resto da vida aqui na Terra. Floripa, linda, misteriosa, solar, paciente, me abraça que eu te abraço também. É cedo, a baía Sul está calma, parece exclusiva daqui de cima. Sou grata a você, natureza. Me espera, vou aí te ver mais de perto, te admirar, deixar teu manso mar me inundar, teu verde me pintar, teu som me embalar.
E lá estava eu, caminhando sobre o trapiche até o meio do mar, meu tapete imaginário para sobrevoar a imensidão. Pouco a pouco minha mente começa a se esvaziar. O nada depois do tudo que vejo, somente sentimentos bons e puros, o simples contemplar do movimento da vida é um presente de Deus, do Universo. Obrigada, obrigada, obrigada. Sem as lentes dos meus óculos tudo fica ainda melhor, as águas parecem escoar para dentro de mim, meus olhos não possuem filtros e recebo toda aquela energia de vida que vem do oceano, do céu. Obrigada. Quero um pouco mais, minha respiração é calma, relaxante, um sono desperto toma conta de mim, não sei se isso é o que posso chamar de Nirvana (lá, onde o vento do carma não sopra) só sei que me faz bem e o desejo a cada dia mais e mais. Aspirações gerais do bem viver (ensina Hermann Hesse) não se dirigem mais ao Buda ou Lao Tse do que à Ioga. O ser humano pode cultivar o que bem entender, ser o senhor de sua alma.
Peixes, pássaros, pessoas (já cantam os The Darma Lóvers) são únicos nessa harmoniosa paisagem, eu os amo, eles me amam também. Isso é o que me supre. Obrigada, seja plena e para sempre viva esta Ilha.
domingo, 21 de março de 2010
Simples vida
Sabedoria é algo que não se guarda, se aplica e se dissemina. Adorei esse texto de Malba Tahan (Júlio César de Melo) um matemático que mergulhou na cultura oriental e, a partir da ciência exata, criou uma inusitada narrativa, a exemplo dessa que segue.
Era uma vez um rei que disse aos sábios da corte:
_ Estou fabricando um precioso anel. Adquiri um dos melhores diamantes possíveis. Quero esconder dentro do anel uma mensagem que possa me ajudar em momentos de desespero total e que ajude meus herdeiros e os herdeiros de meus herdeiros para sempre. Tem que ser uma mensagem pequena, que caiba debaixo do diamante do anel.
Todos que escutaram eram sábios, eruditos, que poderiam escrever grandes tratados, mas, uma mensagem com não mais de duas ou três palavras que pudessem ajudar em momentos difíceis…
Eles pensaram, procuraram em livros, mas não puderam achar nada.
O rei tinha um velho criado que também tinha sido criado de seu pai. A mãe do rei morreu cedo e este criado havia cuidado dele, então era tratado como se fosse da família. O rei sentia um imenso respeito pelo velho homem, de forma que também o consultou. E este lhe falou:
_ Não sou sábio, nem erudito, nem um acadêmico, mas conheço uma mensagem. Durante minha vida no palácio, conheci todos os tipos de pessoas e, em uma ocasião, conheci um místico. Era convidado de seu pai e estava a seu serviço. Quando, com gesto de agradecimento deu-me esta mensagem, o velho homem escreveu em um pequeno papel, dobrou e entregou ao rei. _ “Mas não leia.” - disse ele - “Mantenha-o escondido no anel, somente abra quando não tiver outra saída”.
Esse momento não tardou a chegar. O seu Reino foi invadido e o rei perdeu a batalha. Estava escapando em seu cavalo e seus inimigos o perseguiam. Estava só, e seus perseguidores eram muitos. Chegou em um lugar onde o caminho havia acabado, totalmente sem saída. Na frente havia um precipício com um vale profundo, cair seria o fim. Não podia voltar, porque o inimigo havia fechado o caminho. Já se podia ouvir o barulho dos cavalos. Não podia continuar e não havia outro caminho.
De repente lembrou-se do anel. Abriu-o, tirou o papel e lá encontrou a mensagem pequena, tremendamente valiosa, que, simplesmente, dizia:
“Isto também passará”.
Enquanto lia a mensagem, sentia que caía sobre ele um silêncio. Os inimigos que o perseguiam deveriam ter se perdido na floresta ou se enganado de caminho. O certo é que pouco a pouco deixou de escutar os cavalos.
O rei sentia-se profundamente grato ao criado e ao místico desconhecido. Aquelas palavras eram milagrosas. Dobrou o papel, pôs novamente no anel, juntou seus exércitos e reconquistou o Reino.
No dia em que entrou novamente vitorioso no palácio, tinha uma grande celebração, com músicas, danças… e ele sentia muito orgulho de si mesmo.
O velho criado estava ao seu lado na carruagem e falou:
_ Este momento também é adequado, olhe novamente para a mensagem.
_ Por quê? Agora eu sou vitorioso, as pessoas celebram minha volta, eu não estou desesperado, não estou em uma situação sem saída.
_ Escute-me - disse o velho criado - “Esta mensagem não é só para situações desesperadoras, mas também prazerosas. Não é só para quando estiver derrotado, mas para quando estiver vitorioso. Não só para quando for o último, mas para quando for o primeiro”.
O rei abriu o anel e leu a mensagem:
“Isto também passará”.
Novamente sentia a mesma coisa, o mesmo silêncio em meio a multidão que celebrava e dançava, mas o orgulho e o ego haviam desaparecido. O rei pôde compreender a mensagem. Tinha sido iluminado.
Então o velho homem falou:
_ Recorda-se de tudo o que você passou? Nenhuma coisa ou emoção é permanente. Como o dia e a noite, há momentos de felicidades e momentos de tristezas. Aceite-os como parte natural das coisas, porque eles fazem parte da natureza de sua vida.
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