terça-feira, 22 de junho de 2010

Como ativar seu auto defrost

Quem bate? É o friiiiiiio. O velho jingle das Casas Pernambucanas foi tão feliz que grudou para sempre e o frio neste ano chegou impiedoso nas suas primeiras 24 horas. Hoje, na prática matinal do Yôga, pela primeira vez ouvi estalos ao entrar nas posições. Nunca consegui essa proeza dobrando os dedos.
Além de caprichar nos pratos mais calóricos e sacar o figurino de inverno do armário, as massagens são ótimas para ativar a circulação e soltar a musculatura retraída pelas baixas temperaturas. Aquele hábito de esfregar as mãos umas nas outras e depois colocá-las sobre o rosto pode ser aplicado em todo o corpo, fazendo movimentos circulares e pressionando partes mais duras de braços, pernas (especialmente das panturrilhas, onde minha mestre diz ser um ponto de concentração da raiva. Vivendo a aprendendo. Eu só sabia do maxilar) e você sente seus membros descongelarem aos poucos. É delicioso e curioso utilizar os recursos do próprio corpo para sobreviver às intempéries. Assim como plantas, animais, pássaros e tudo o que dialoga com a natureza, somos seres dotados de todas as capacidades para qualquer necessidade. Se não as reconhecemos, é porque não prestamos atenção em nós mesmos. Aquecidos os dedos das mãos, deixa eu trabalhar agora que os teclados me exigem por hoje muito mais tempo sem luvas do que desejaria. Aproveitei para trocar minha foto de perfil por uma da coleção Inverno 2010. A essa altura as maçãs fuji de São Joaquim já começaram a ser colhidas, pelo que informaram os produtores locais, e logo os pomares serão uma paisagem totalmente diferente desta, com sua outra beleza particular.     

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Nós na Copa (na cozinha e na sala)

Tá engraçada essa Copa do Mundo. Quer dizer, não muito diferente das outras, neste aspecto do qual quero falar, está pra rir. Sou o tipo torcedora apenas, única e exclusivamente da Seleção no mundial de futebol. Se me perguntam para que time torço, respondo Flamengo. Só que isso é de nascença, não quer dizer que eu acompanhe futebol. Na famiglia Santoro, quem não é Flamengo vai para o banco. Sorte do meu pai que, quando foi escalado pela minha mãe, já torcia para o rubro negro.
Até agora tenho visto os jogos do Brasil na África do Sul em companhia das minhas amigas e a experiência tem sido interessante, mais engraçada do que qualquer outra coisa. Gritamos para as crianças pararem de gritar porque queremos acompanhar os "lances", mas sempre só uma de nós consegue e daí tem de narrar para as que desperdiçaram a trégua dos filhos ocupando-se de algum um assunto paralelo. A dispersão é quase geral. Falamos de tudo, dos uniformes, das jogadas, damos pitacos muitas vezes coerentes nem que sejam com a nossa conduta, não necessariamente com as regras vigentes naquela ocasião. Elegemos os mais belos, alguém sempre tem um comentário desses que leu nas revistas de estilo de vida sobre os guerreiros do gramado e, então, nos voltamos para a televisão para mais um grito de gol, mesmo com alguns segundos de atraso depois da conclusão da jogada, ou por engano. Acontece. Até cair a ficha de que a bola entrou na nossa trave, nos permitimos seguir algum coro ou puxar um equívocadamente. 
Corre lá pra cozinha, que tem mais uma receitinha saindo do forno, um balde de pipoca acalma a torcida sem álcool (uma tacinha de vinho só para relaxar). Imagina se estivéssemos na loucura da Copa, qual seria o prejuízo ao final dos 45 minutos. Melhor assim. Ué, já acabou? Nunca achei as partidas de futebol tão rápidas em toda a história da minha vida de torcedora ocasional. E já saímos dali combinadas para o próximo confronto, sempre com aquele dilema: faremos sem as crianças da próxima vez para ser mais produtivo? Nos associamos aos outros grupos? Nada se define, acertamos tudo faltando cinco minutos para o início do primeiro tempo e acho que essa tem sido a nossa receita de sorte. As crianças podem ser nossos amuletos. Até agora o Brasil só saiu ganhando! Vai lá Seleção, vai indo que nós já vamos.   

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Lugar de pipoca é na Mostra de Cinema Infantil

De espectadora a colaboradora, minha filha neste ano estréia como blogueira oficial no site da Mostra de Cinema Infantil. As pipocas (Ela e a amiguinha Maria Rosa com a Dora, filha da minha sempre mestre Gilka e a Amanda, filha da Adri e precursora da coberura com olhar mirim da Mostra) publicarão posts sobre os filmes exibidos na programação da mostra. Obrigada Luiza pelo convite, que é uma honra, e parabéns para minha amiga Vanessa, a mãe da Maria, que cuida do visual da Mostra com muito talento e a toda equipe envolvida neste que é dos mais importantes eventos do calendário cultural catarinense. Estou orgulhosa da mini-me e ansiosa para ler suas impressões sobre as películas. É claro que como toda mãe coruja já espalhei para todos os amigos e distribui o link mundo afora. Vamos lá turminha, bora ampliar a audiência do bloguinho http://bloguinhodamostra.blogspot.com/ da Mostra de Cinema Infantil e lotar as sessões lá no Pedro Ivo Campos, de 19 de junho a 4 de julho. Confira a programação em http://www.mostradecinemainfantil.com.br/

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Inverno astral

É com grande satisfação que adentrei (no dia 30) ao que neste ano decidi chamar de inverno astral. Me ocorreu assim nomear os 30 dias que antecedem minhas 39 primaveras porque observo mudanças internas e suas influências externas com as quais fico feliz. Gostei do que li sobre o assunto e vejo porque jamais concordei muito com a alcunha mística ou religiosa que se dá ao mês do aniversário. Afinal, são 30 dias até você encontrar-se na data e horário exatos em que nasceu, motivo e tanto para alegria e celebração. Lembro que num ano desses passados, minha mãe ficou surpresa ao receber meu telefonema no dia do meu aniversário, antecipando sua tradicional chamada para as felicitações. Estranhou porque liguei para felicitá-la e agradecer. 
- Hoje você me trouxe ao mundo, parabéns, obrigada!
Foi algo que me deu na telha fazer sem nenhuma motivação que não a compreensão do que meu aniversário significava para ela. Quantas pessoas ligaram, foram até a maternidade me ver, levaram para ela flores e lhe deram os parabéns.  Passadas as sei lá quantas festinhas infantis nas quais ela também possa ter recebido parabéns pela filha (eu sempre parabenizo os pais nas festas, assim como os avós) acredito que não mais tenha sido felicitada por isso.
Neste ano meu estalo foi outro. Percebi um inverno dentro de mim, no qual permaneço quietinha, hibernando, aguardando o que o dia 30 me dirá sobre o novo que estará em mim a partir desta data. Não que eu espere acordar outra pessoa, sei que morremos com certos traços de personalidade e, sobretudo com certos valores. Mas acredito que vou concluir uma transformação em andamento. E isso é bom, sempre é. Então me diz, pra que chamar de inferno? Nem acredito neste lugar, apenas creio que ele deva ser um estado de espírito. O meu período é de inverno, aconchegante, de onde sairei feito um presente para mim mesma e, espero, para meus companheiros de jornada.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A saudade, as maçãs e o vinho

Longe de casa, há mais de uma semana, milhas e milhas distante do meu amor. Será que ela está me esperando? Eu fico aqui sonhando, voando alto, bem perto do céu...
Ela estava, como sempre, com uma beijoca cheia de saudade, do tamanho da que eu senti todas as noites ao deitar sem minha pequenina e ao acordar sem ter de preparar seu leitinho e chamá-la 557 mil vezes para sair da cama. Da terra da garoa sinto falta, adoro a rotina agitada, gosto dos estranhos solidários da cidade grande, dos amigos que são para sempre (não briguem comigo porque não deu tempo de nada nesses dias de feira, meus queridos e queridas) das possibilidades, das conectividades. Mas estar de volta à minha casa, ter a pequena Buda nos braços e ler seu cartãozinho de boas vindas é melhor do que tudo isso. Esta é a parte gostosa da vida, amar e ser amada. Para abrir a semana que merece ser leve, com descanso e paz, uns posts atrasados da press trip com O Globo pela serra catarinense, antes do embarque para o Salão do Turismo.

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Os japoneses são responsáveis pela cultura da maçã em São Joaquim, na serra catarinense. A presença deles está registrada não só nos pomares que movimentam a economia local, mas no monumento da praça central na cidade da neve. Destino indutor do turismo de inverno no Brasil, São Joaquim tem na igreja matriz duas esculturas "escondidas" lá nos fundos da construção em pedra, Adão e Eva experimentando o fruto da terra,  o que lhes custou a expulsão do paraíso. Este é um pomar do tipo Colha e Pague, ao longo da serra e estas são maçãs Fuji, a espera da colheita que vai até junho. Dos dez tipos de uvas (oito tintas e duas brancas) cultivadas no alto da serra, onde o clima é frio e seco (embora também chova, com a frequência necessária para o cultivo das tintas, que exigirem maior tempo de maturação) São Joaquim extrai o vinho tinto, branco, rosé (o mesmo que Madonna provou e teria levado em sua última estada no Brasil) de excelente qualidade. São os vinhos de altitude, com uma característica da Villa Francioni, que é de produzir em corte, ou seja, utilizar dois tipos de uva em um mesmo vinho. Quem explica ( e eu espero ter entendido corretamente) é o expert Orgalindo Bettu, enólogo da vinícola-grife da serra catarinense. Natural de Bento Gonçalves, cresceu entre os parreirais e vendo o pai produzir o mais apurado artesanal com maestria. Sereno como todo apreciador da bebida e humilde para quem detém admirável domínio sobre o tema, Bettu não lembra do seu primeiro gole. Mas nos ensina, como quem conhece desde o ventre, a apreciar a bebida em uma deliciosa degustação prevista no final do roteiro de visita à vinícola oferecido a turistas em São Joaquim.  Confesso que, a cada troca de taça, me custava esvaziar tudo no recipiente diante de mim e aguardar o próximo. Tão precioso líquido, despejado assim...fui logo querendo saber como era a degustação a cada 15 dias lá na linha de produção. Sim, porque haja vinho para manter ali nas barricas 225 litros, capacidade para fabricar 300 mil garrafas/ano (fazem metade hoje).



A paisagem em  300 hectares da vinícola, a mil metros de altura é o começo do nosso roteiro, observando a grandiosa construção em tijolos recicláveis, com aberturas em vitrô, idealizada por Manoel Dilor de Freitas. O passeio acontece desde a galeria de artes, onde já estiveram expostas obras de artistas como Camille Claudel e outros que integram o acervo de Lily Marinho (ela está fotografada entre tantos outros famosos conhecedores da bebida convidados para as degustações da Ville Francioni). No piso onde a uva se processa, vira vinho e é engarrafada toda a produção da VF, obras em mosaico de Rodrigo de Haro (o pai, Martinho, era joaquinense) promovem a integração entre o prazer de beber um vinho de boa qualidade (prometo que depois desse dia nunca mais reclamo de preço, agora que sei que uma simples rolha pode custar R$ 5,00, garrafas e barris são importados e bem caros. A média de preços da marca é de R$ 50,00) e o de observar a arte na parede. O sexto e último nível de maturação dos vinhos é escuro, com temperatura de até 18 graus, o lugar que Bettu chama de "coração da vinícola" tem cheiro acentuado de vinho e não mais do carvalho das barricadas. Lá os barris estão arranjados em pirâmides. Os tintos amadurecem nas barricas, depois nas garrafas, ensina o enólogo. Dentre os brancos, somente o Chardonnay carece desta etapa na garrafa. Lá tivemos o prazer de conhecer a mais nova criação de Bettu, a champagne VF que deverá ser lançada em 2011. Na foto, ele nos mostra como funciona o método de maturação do vinho na garrafa chamado champenoise, desenvolvido lá pelos idos de 1600, quando Don Perignon descobriu a fórmula dos espumantes. Curiosidade que Bettu nos acrescenta, ao permitir que degustemos a novidade: quanto menor e mais delicada a perlage, mais qualidade tem a bebida com a qual celebramos a vida. À noite, na residência anexa, disfrutamos de um delicioso jantar serrano protegidos pela calefação e bebemos mais um pouco do melhor de todos, ouvimos música, papeamos. Agora bem mais ousados, sabendo o que falar ou pelo menos testando a paciência de nosso sábio Bettu, a nos maturar a cada lance depois de misturarmos o líquido, percebermos o buquê, segurarmos o primeiro gole na boca e dispararmos nossas opiniões. Grazie, Bettu!

terça-feira, 25 de maio de 2010

Xô perereca

Não era rã e sim perereca o "entrave" da pavimentação no lado catarinense dos Aparados da Serra, em Praia Grande. Paulinho, nosso guia geógrafo esclareceu e nos deu uma aula sobre o ecossistema local, sobre a origem das formações gigantes, fissuras e paredões que íamos conhecer adiante. Tá certo, a espécie está em extinção, não sabem se essa perereca sobreviveria em outro lugar e, se queremos turismo sustentável, vamos assim, com paciência e respeito pela vida. O acesso foi fácil, subimos de carro tranquilamente até o parque, admiramos e fotografamos os canyons (lindos!) tomamos muita chuva a espera de uma abertura da névoa que encobria a paisagem, com cachoeiras, uma mais surpreendente do que outra. As gêmeas são as mais incríveis! Lama nos pés, água nas lentes, aventura na tirolesa (encarei mais esta!) bóia cross, lareira, paçoca de pinhão e vinho regional. Na hora do banho, lá estava ela, a perereca rara, dourada (a cor é bonita que só) no meu box. Me olhando, como quem sugere: - esquece, deixa para amanhã que água não está esquentando muito a essa hora. Mas, sem banho não durmo. Também não ia comprar briga com o bichinho raro da região que me recebeu com tanto carinho. Inspirada na caçadora de gafanhotos (minha filha retira insetos de casa para devolver à natureza com muito zelo) peguei o copo do frigobar, um leque da campanha de carnaval seguro do Ministério da Saúde e improvisei uma gaiola até chegarmos lá fora, na grama, na chuva, no habitat dela. Pronto, cada uma no seu cantinho. Banho, Marina Silva na telinha, descanso dos justos em mais um sono pesado.
Na pousada da dona Maria (pousadacolina@hotmail.com) a do chalé fofo azul, com horta orgânica e um lindo fogão à lenha (meu sonho de consumo) fomos muito mimados. Comida caseira serrana, doces de compota, chá de alecrim, lanchinho para levar nos passeios e boas conversas ao redor da mesa da cozinha. Disse ela que, pelo que contavam  "os antigos", o fogo "prende as pessoas". Ela mesma não consegue largar dali, enquanto a lenha mantém o calor na chaleira. Comprovado. Vira e mexe, lá estávamos nós perto do fogão, esperando a chuva passar para continuar a pauta externa. Maria começou recebendo hóspedes em casa, hoje tem um conjunto de chalés bem confortáveis e a casa dela virou recepção e restaurante aconchegante. Livros e algo para degustar sempre à mão, o pessoal adora passar o tempo na "casa grande". No meu caso, até os tênis de caminhar no rio de Mariana (a filha de Maria) me salvaram do despreparo para esta viagem. Choveu mais do que esperávamos e meu pequeno estoque de calçados na mochila inundou, esgotando-se facilmente. Paz e sossego que se busca na Serra com acesso à internet fazem a diferença, garante a empresária. Ela sabe que o viajante não abre mão da tecnologia para comunicação. Como é que vai postar as fotos no orkut ou no facebook e dizer: - eu tô aqui numa vida mais ou menos. É mesmo, olha eu aqui, não (ainda) de férias, mas dependente do sistema. Nossa companheira de press trip, roteirista de TV agradeceu poder entregar as duas últimas páginas do seu seriado diretamente do chalé. Eu escrevi releases e notas, chequei meu e-mail, André (o jornalista que acompanho na matéria) também resolveu suas pendências, enviou material.
 - Mato ou não mato. De vez em quando seu pesamento se descola, vai longe e, sem perceber, ela deixa escapar diálogos e movimentos de cenas. Vai saber se não estaremos naquele capítulo? Tem vezes em que a roteirista parece capturar um trecho de algo nosso, nos observa demais.
Valerie e Peter, ela norte-americana, ele escocês querem curtir os esportes radicais e ficar perto da natureza em Praia Grande. Estão na pousada mais equipada para isso, com instrutores de rappel, tirolesa, bóia cross, passeios de moto quadriciclo, a cavalo, arvorismo. Os dois embarcam comigo na subida de 10 minutos até o ponto de partida da tirolesa de pouco mais de 200 metros. Somente Valerie e eu somos autorizadas pelos instrutores. Peter estava acima do peso máximo permitido para os padrões de segurança da prática. Com a chuva, fica mais difícil freiar também. Ela me pergunta se tenho medo. Digo que não, para que minha parceira mantenha sua coragem e se jogue. Então, sou a primeira e tirar os pés da plataforma, presa por cabos nas pernas, fazendo meu assento no ar. Deslizei sobre as ávores numa velocidade de 40 km, de olhos bem abertos, depois de ter respirado fundo por orientação dos guias. Uma sensação muito boa essa de Jane das selvas. Valerie veio logo em seguida gritando: - ohhhhhh, greaaaaaaat! No bóia cross não nos arriscamos, os instrutores avisaram que nem daria, pois a chuva fez o nível do rio Malacara subir. Fomos ver as manobras de Frank  nas ondas radicais, desviando de pedras, caindo e voltando para a bóia no esporte que é mania na cidade de Praia Grande. Antes a comunidade descia em flutuantes troncos de bananeira, depois passaram a utilizar câmaras de pneus de caminhão e hoje as bóias epeciais para a prática têm alças de segurança, os turistas podem praticar com o auxílio dos instrutores sem medo. Os meninos explicam que a pousada implantou o programa de certificação de Aventura Segura, do Ministério do Turismo com a ABETA (Associação Brasileira de Turismo de Aventura) e que isso acompanha o crescimento de adeptos. Em Praia Grande, no verão, a população se reúne para uma grande competição de Bóia Cross. Os troféus são disputados com muita garra e a cidade fica lotada de visitantes.


Seguuuuuuuura, Frank!



O fogo ficou aceso, mas uma hora a gente tem de partir. Até a próxima história, dona Maria!

De vez em quando, uma abertura de ceú e um espetáculo da natureza, obrigada!

sábado, 22 de maio de 2010

Boa noite

Pistas desordenadas, buracos ameaçadores, sinalização precária, megafilas exaustivas, desde o acesso à BR, ainda em Florianópolis. Estamos em obras, desculpem o transtorno, aviso aos navegantes. O caos temporário trará o absoluto desfrutar de um novo horizonte, aguardem. Quase seis horas de estrada nos esperavam. No caminho encanto os convidados apontando a Imbituba das Baleias, a Laguna de Anita. Jornalistas não esgotam pautas, a viagem começa com nossa integração contra o tédio do congestionmento. Causos, risadas, favas contadas de coberturas, vida de repórter, mais um gancho, nova edição e assim nos distraimos. Se o jantar de recepção na chegada ao pé da serra já deixara de ser possível, o negócio era encontrar um lugar à beira da estrada para matar fome, saciar a sede. Nada além de lamparinas vermelhas sinalizando diversão farta e de raras ofertas de frituras vencidas nas vitrines embassadas das lanchonetes. Decidimos abdicar da refeição. Nossa previsão de chegada estourara fazia tempo, diante da lentidão do tráfego gerado pelas barreira que despencaram sobre o asfalto em construção. Foi então que nosso guia (de direção e turístico) nos vem com a melhor opção esperada. Um rodízio de massas e pizza, em Araranguá. Na chegada, somos saudados com Namastê! (inclusive este era nome do estabelecimento). Em menos de 20 minutos éramos quatro felizes diante dos pratos de variadas massas e molhos, pizzas e uma garrafa (resfriada?!) de Cabernet. Tudo bem, ainda não começamos a degustação profissional, foi só nosso jantar de chegada improvisado no caminho com grata surpresa. Entramos em Praia Grande, passamos pelo pequeno centro movimentado pela sexta à noite e logo o asfalto vira chão batido. "Aqui não tá pronto ainda, por causa de um casal de rã que precisa ter seu território preservado", explica o nosso guia. Amanhã teremos detalhes sobre esta admirável decisão a respeito do progresso que abre caminho na natureza para o turismo, adianta ele. Eu que já vinha desmitificando a previsão alarmada de ciclone que assustava os colegas da imprensa carioca em nosso território, apontando uma ou duas estrelas que catei no céu e a lua clara entre as nuvens cinzas, valorizei a história das rãs (no melhor espírito Avatar) e assim ganhei um box verde na matéria. Agora estou teclando de um chalé azul com aberturas brancas bem fofinho, até parece uma casa de bonecas. Os fundos dão para a floresta coberta por uma bruma misteriosa de onde ouço a sinfonia noturna que me fará adormercer em poucos minutos. Estou na Pousada da Colina, que tem comunidade no Orkut e horta orgânica com as bananinhas mais doces que já experimentei na minha vida.


Amanhã às oito da matina seguiremos para  o Canyon do Índio e Itaimbezinho e teremos uma trilha. Já decidimos percorrer talvez metade das sete horas previstas de caminhada. Não temos preparo físico para tal e concordamos que a visão do alto é o grande apelo.
Sinfonia de seres da floresta e agora a chuva são promessas de um sono calmo e profundo. Boa noite.