quarta-feira, 6 de outubro de 2010
domingo, 3 de outubro de 2010
O tempo é rei
Gil tem fama de falar, falar e nada dizer. Ontem ouvi dele as palavras de sabedoria maior em todos esses anos de Refavela no meu top hits. "Minha música não tinha nada a ver com aquilo, era um om", desculpou-se ao confessar sua inadequação ao novo, que era a Tropicália. Também soltei gargalhadas com Chico (Buarque) dizendo que não lembrava de ter aderido ao figurino exotic dos novos baianos e agregados nas ditas reuniões de organização do movimento que quebraria com a ordem vigente dos músicos populares brasileiros porque foi a todas as reuniões bêbado. Aí concordava com tudo e depois não conseguia se livar do "velho" que habitava seu corpinho de 23 anos, trajado de smoking nos festivais da Record.
Na fileira que ocupei, buscando exclusividade, somente sentaram dois sujeitos que, como eu, riam sem parar a cada depoimento dos artistas como Caetano, Roberto Carlos, Edu Lobo e outros. Não era somente engraçado o figurino (o vestido de Cidinha Campos rosa pink e verde chuchu e a camisa branca de babados rococó de Roberto Carlos pronto pra cantar um samba) e sim as respostas monossilábicas e lisérgicas dos entrevistados. Aí apareciam os velhos cansados de guerra no presente, avaliando seu passado. Gil comenta que nada pode ser mais engrandecedor do que o amadurecimento, Chico ri de sua timidez disfarçada pela caretice que ditava seu visual no palco, diferentemente do que acontecia nos bastidores. Edu Lobo meio descontente com o que não viveu, invejoso dos novo baianos, também disse ser uma artista fora dos padrões da época. Verdades necessárias como essa de Caetano "Queria me livrar de Alegria, Alegria como Chico se livrou de A banda" são pertinentes. Assim como admitir que, mesmo quando era mocinho, a noção do ridículo existia para alguns. Caetano conta que ficou do hotel na Brigadeiro Luiz Antonio com Nara (Leão) vendo a passeata contra a invasão da guitarra na MPB como se aquele fosse um verdadeiro ato fascista. Aos 66, bem mais apresentável, ele sente saudade da disposição, apenas. Mas cá entre nós, Caê é mais bonito agora.
Esse foi o documentário imperdível Uma noite em 67, que assisti numa sexta de muita chuva e vento no cine Paradigma, meu novo admirável espaço de entretenimento. Os meus colegas de fileira, que como eu choraram de tanto rir ao longo da exibição, na saída quiseram deixar registrada a reação diferente da que o restante da platéia jovem, admirada a cada imagem em os astros dos festivais concedem entrevista com um cigarro aceso nas mãos, expressou. "Cara, a gente tava nesse show do clube doze em que o Gil foi preso." Abraçados, emocionados, seguiram porta afora, caminhando contra o vento.
Na fileira que ocupei, buscando exclusividade, somente sentaram dois sujeitos que, como eu, riam sem parar a cada depoimento dos artistas como Caetano, Roberto Carlos, Edu Lobo e outros. Não era somente engraçado o figurino (o vestido de Cidinha Campos rosa pink e verde chuchu e a camisa branca de babados rococó de Roberto Carlos pronto pra cantar um samba) e sim as respostas monossilábicas e lisérgicas dos entrevistados. Aí apareciam os velhos cansados de guerra no presente, avaliando seu passado. Gil comenta que nada pode ser mais engrandecedor do que o amadurecimento, Chico ri de sua timidez disfarçada pela caretice que ditava seu visual no palco, diferentemente do que acontecia nos bastidores. Edu Lobo meio descontente com o que não viveu, invejoso dos novo baianos, também disse ser uma artista fora dos padrões da época. Verdades necessárias como essa de Caetano "Queria me livrar de Alegria, Alegria como Chico se livrou de A banda" são pertinentes. Assim como admitir que, mesmo quando era mocinho, a noção do ridículo existia para alguns. Caetano conta que ficou do hotel na Brigadeiro Luiz Antonio com Nara (Leão) vendo a passeata contra a invasão da guitarra na MPB como se aquele fosse um verdadeiro ato fascista. Aos 66, bem mais apresentável, ele sente saudade da disposição, apenas. Mas cá entre nós, Caê é mais bonito agora.
Esse foi o documentário imperdível Uma noite em 67, que assisti numa sexta de muita chuva e vento no cine Paradigma, meu novo admirável espaço de entretenimento. Os meus colegas de fileira, que como eu choraram de tanto rir ao longo da exibição, na saída quiseram deixar registrada a reação diferente da que o restante da platéia jovem, admirada a cada imagem em os astros dos festivais concedem entrevista com um cigarro aceso nas mãos, expressou. "Cara, a gente tava nesse show do clube doze em que o Gil foi preso." Abraçados, emocionados, seguiram porta afora, caminhando contra o vento.
sábado, 2 de outubro de 2010
Mãe é mãe
Depois de passear por meu blog, um amigo curioso por saber o que penso dispara: - É blog de mãe!
Isso e um pouco mais. A divisão exata (se é que podemos nos definir com tanta precisão) é a seguinte: 90% mãe eu sei que sou. Nos 10% restantes, sou muitas coisas apertadinhas nesse percentual bem importante e intenso, mas não fundamental desde que minha pequena Buda veio como o presente mais lindo de Deus nesta existência. Então, aí vai minha corujice mais recente
Isso e um pouco mais. A divisão exata (se é que podemos nos definir com tanta precisão) é a seguinte: 90% mãe eu sei que sou. Nos 10% restantes, sou muitas coisas apertadinhas nesse percentual bem importante e intenso, mas não fundamental desde que minha pequena Buda veio como o presente mais lindo de Deus nesta existência. Então, aí vai minha corujice mais recente
quinta-feira, 30 de setembro de 2010
Um ponto faz toda a diferença
Nada como ter uma colega de trabalho que acaba de entrar na casa dos vinte para me salvar das trapalhadas tecnológicas. Desde que adentrei à blogosfera foram muitas cometidas. Aline me tirou do limbo uma vez, bem lá no comecinho. Mas tinha algo tão fácil a resolver, o registro do endereço do blog que eu tinha feito de um jeitinho meio bizarro, sem ponto entre o "www" e o "bombocado", que só fui conseguir agora, com a ajuda da Mary, minha little assistente de marketing. Mas até que não fui tão sem noção assim. É que com o ponto, bombocado já existia. Canceriano é prático por natureza. Resolvi tirando o ponto e deu no que deu. Hoje Mary resolveu me tirar dessa cilada e fomos lá na configuração para transformar "wwwbombocado.blogspot.com" em http://www.bombocadodascoisas.blogspot.com/
Simples assim. Agora não terei mais de explicar porque o endereço do meu blog é diferente de todos os demais, um tanto quanto exótico, sem o ponto depois do www, essas coisas.
Simples assim. Agora não terei mais de explicar porque o endereço do meu blog é diferente de todos os demais, um tanto quanto exótico, sem o ponto depois do www, essas coisas.
sábado, 25 de setembro de 2010
Observação de humanos
Era um dia ensolarado este em que aportamos numa das baías mais belas do mundo, a praia do Rosa, no litoral Sul de Santa Catarina. Tinha em mente um encontro há muito desejado, há três temporadas adiado. Na companhia da minha pequena Buda esperava no segundo grupo pronto para embarcar rumo à costa e avistar a beleza da vida marinha no ritual que se repete nesta época do ano em águas catarinenses, as baleias Franca e seus filhotes aproveitando as águas mais quentinhas desse berçário natural. Planejei e até sonhei apresentar ao gigante dos mares o meu filhote, conhecer o seu, captar a doçura em seus olhos. Após a palestra dos biólogos do Instituto Baleia Franca, nos equipamos e subimos na embarcação flutuante utilizada em resgates, dessas que parecem de longe uma enorme bóia. O motor assume uma velocidade de até 40 km/h sobre as ondas, valente e seguro. Em poucos minutos estamos a quase mil metros de distância da praia e o que vemos é só mar, intenso, verde, lindo e assustador por sua imensidão. As aves sobrevoam por ali como se guiassem nosso barco para o local onde estão as baleias e suas crias. Já não podemos ver a antiga igreja construída com óleo extraído da gordura que elas acumulam no período de gestação até chegar aqui. Segundo os biólogos, ao final da temporada sem se alimentar, dedicando-se exclusivamente aos bebês, as baleias exibem os ossos de tão magrinhas. Mais alguns metros e já não enxergamos outro sinal do passado que queremos esquecer, a rampa diante da igreja, por onde elas eram arrastadas já sem vida.
O silêncio do motor do barco é um aviso de que estamos a pelo menos 100 metros da área onde aparecerão. Então nada mais se ouve, além do som das águas batendo no barco, uma solidão perfeita e agradável. O capitão ensina como nos apontará a direção do avistamento, utilizando o sentido horário do relógio. Lá de cima do barco indica.
- Baleia às 11 horas!!!
Nos voltamos para o ponto em busca da imagem mais esperada. Ansiosas, as crianças querem se levantar, mas são contidas pelos adultos. A paciência vale ouro nesta hora. Uma cauda e uma barbatana ao longe revelam o que ainda está por vir, o grande espetáculo. Alguns relatos me fizeram crer que eu teria mais do que isso. Chega o momento.
- Atenção, baleia às 9 horas!
Em pouco tempo descubro o quanto valera a pena esperar. De repente ela surge perto do barco, uma presença escura no mar, como um submarino que emerge e se aproxima rapidamente causando até susto. Chega tão perto que toca a lateral do barco, balança fortemente bem onde estou sentada. Ficamos cara-a-cara, eu e a mamãe Franca (e ela realmente é sincera, vem daí seu nome) sorrimos uma para a outra. Procuro seus olhos, meu coração bate acelerado, meu espírito se enche de paz e minha respiração vai ficando cada vez mais lenta. Não consigo dizer nada ainda, apenas sorrir. A vontade de tocá-la é grande e sei que não sou a única, por isso os biólogos fazem recomendações sobre como devemos agir nesta hora. Consigo, então, expressar em sussurro: - olá, como você é linda. Foi exatamente a frase que disse para minha filha quando seu rostinho enrugado e quentinho enconstou no meu e nos vimos pela primeira vez, na sala de parto.
O filhote preto e branco acompanha a mãe num delicado mergulho e passa por debaixo do barco, sai do outro lado e os dois rumam mar adentro para fazer acrobacias. Esguichos de uma respiração forte que se ouve quando estão bem pertinho de nós, saltos incríveis. Como ficam muito próximas da praia (e por conta disso eram presas fáceis) são elas que nadam até nós, curiosas, querendo interagir. Há 17 anos defendendo a preservação da área de procriação da Franca no litoral Sul de Santa Catarina e pioneiro no turismo de observação da espécie nesta região, nosso sicerone, Enrique Litman, explica que as baleias são mesmo seres solitários e que chegam assim tão pertinho dos barcos também porque são inocentes. Na verdade, são elas quem nos observam. Como toda mãe, as baleias zelam pelos filhotes repreendendo-os quando se aproximam demais dos barcos sem elas. A natureza é sábia e estabelece meios de garantir a espécie. Elas aprenderam de tanto sofrer os ataques humanos, que usavam como tática fisgar o filhote, mesmo sem serventia nenhuma, para atrair as mães. Do lado de cá também evoluímos e agora não somos mais ameaça. Não com arpões e dinamites, o que já é um grande avanço. Porém, vale assistir Océanos, filme de Jacques Perrin e Jacques Cluzaud, para perceber o quanto nossa intervenção pode ser danosa quando não percebemos que os seres dos mares desse planeta merecem nosso respeito.
Nos despedimos das quatro mães e seus filhotes felizes e certos de que elas voltarão dentro de três anos, quando estarão prontas para mais um ciclo de renovação da vida.
O silêncio do motor do barco é um aviso de que estamos a pelo menos 100 metros da área onde aparecerão. Então nada mais se ouve, além do som das águas batendo no barco, uma solidão perfeita e agradável. O capitão ensina como nos apontará a direção do avistamento, utilizando o sentido horário do relógio. Lá de cima do barco indica.
- Baleia às 11 horas!!!
Nos voltamos para o ponto em busca da imagem mais esperada. Ansiosas, as crianças querem se levantar, mas são contidas pelos adultos. A paciência vale ouro nesta hora. Uma cauda e uma barbatana ao longe revelam o que ainda está por vir, o grande espetáculo. Alguns relatos me fizeram crer que eu teria mais do que isso. Chega o momento.
- Atenção, baleia às 9 horas!
Em pouco tempo descubro o quanto valera a pena esperar. De repente ela surge perto do barco, uma presença escura no mar, como um submarino que emerge e se aproxima rapidamente causando até susto. Chega tão perto que toca a lateral do barco, balança fortemente bem onde estou sentada. Ficamos cara-a-cara, eu e a mamãe Franca (e ela realmente é sincera, vem daí seu nome) sorrimos uma para a outra. Procuro seus olhos, meu coração bate acelerado, meu espírito se enche de paz e minha respiração vai ficando cada vez mais lenta. Não consigo dizer nada ainda, apenas sorrir. A vontade de tocá-la é grande e sei que não sou a única, por isso os biólogos fazem recomendações sobre como devemos agir nesta hora. Consigo, então, expressar em sussurro: - olá, como você é linda. Foi exatamente a frase que disse para minha filha quando seu rostinho enrugado e quentinho enconstou no meu e nos vimos pela primeira vez, na sala de parto.
O filhote preto e branco acompanha a mãe num delicado mergulho e passa por debaixo do barco, sai do outro lado e os dois rumam mar adentro para fazer acrobacias. Esguichos de uma respiração forte que se ouve quando estão bem pertinho de nós, saltos incríveis. Como ficam muito próximas da praia (e por conta disso eram presas fáceis) são elas que nadam até nós, curiosas, querendo interagir. Há 17 anos defendendo a preservação da área de procriação da Franca no litoral Sul de Santa Catarina e pioneiro no turismo de observação da espécie nesta região, nosso sicerone, Enrique Litman, explica que as baleias são mesmo seres solitários e que chegam assim tão pertinho dos barcos também porque são inocentes. Na verdade, são elas quem nos observam. Como toda mãe, as baleias zelam pelos filhotes repreendendo-os quando se aproximam demais dos barcos sem elas. A natureza é sábia e estabelece meios de garantir a espécie. Elas aprenderam de tanto sofrer os ataques humanos, que usavam como tática fisgar o filhote, mesmo sem serventia nenhuma, para atrair as mães. Do lado de cá também evoluímos e agora não somos mais ameaça. Não com arpões e dinamites, o que já é um grande avanço. Porém, vale assistir Océanos, filme de Jacques Perrin e Jacques Cluzaud, para perceber o quanto nossa intervenção pode ser danosa quando não percebemos que os seres dos mares desse planeta merecem nosso respeito.
Nos despedimos das quatro mães e seus filhotes felizes e certos de que elas voltarão dentro de três anos, quando estarão prontas para mais um ciclo de renovação da vida.
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
sábado, 11 de setembro de 2010
A vida recomeça
Tá, eu sei que meu coração é de manteiga e tento me policiar, mas hoje chorei porque soube nos bastidores que a baleinha ia morrer. Tava encalhada em numa praia aqui do litoral Sul, dodói, mentalizei para que sobrevivesse a fofona. Porém, me disse o especialista, temos de comemorar que muitas hoje se vão por causas naturais, não mais muito pela pesca predatória (a caça uó) graças a Deus. Aí, lembrei que meu pai tocava no som do nosso maverick branco, naquela época, uma canção do rei Roberto Carlos engajada numa campanha da época. Eu era uma pequena solidária à causa. Agora me pego a chorar de dó da baleia encalhada na praia e a sorrir, pensando nas novas gerações, que amam os animais, as flores, as árvores, o mar lindo, a vida que ali se faz presente. Tudo será bem melhor daqui por diante. Tem um monte de filhotes que nascerão e serão amamentados, bem pertinho de nós, na praia do Rosa. Namastê!
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