
Taí um prato do qual aprendi a gostar.
Lembro de quando eu era criança e minha mãe fazia uma espécie de ratatouille (ela chama de sopão de legumes) uma vez por semana, pelo menos.
Neste dia eu já sabia que teria de negociar com meu irmão. Ele comia o dele, enquanto eu enrolava, até nossa mãe sair da cozinha. Então trocávamos de prato e ele me salvava do dia do sopão.
Depois eu dava um jeito de forrar o estômago sem ela perceber. Quando minha mãe nos apresentou o creme de ervilhas com linguiça paio e bacon, aí já gostei. Meio parecido com o feijão dela (que eu amo!) foi fácil aderir, embora ela não desistisse do ratatouille.
Só que filho é assim, na casa dos outros come tudo o que rejeita sem experimentar, contrariando as mães. Nossa vizinha fazia o mesmo sopão da minha mãe, porém batia no liquidificador, ficava tipo um creme. Eu me lambusava, repetia, elogiava. Assim fui descobrindo que minha implicância era com aqueles legumes todos ali, expostos. Raramente as crianças se encantam por legumes e verduras, adultos tampouco. Aceitam obrigados pelas dietas médicas ou estéticas. Tem até aquela canção do Palavra Cantada que diz: "Mas tem sempre alguns legumes, que não sei como eu engulo".
Pois na Sinhá Saúde ganhamos os pequeninos apostando nos cremes, como a minha vizinha fazia. Para estimular a aceitação dos legumes e verduras, quando visíveis, misturávamos massas divertidas, como letrinhas, conchinhas, argolinhas, minhoquinhas.
Uma vez até estrelinhas eu achei nas minhas andanças pelos supermercados. Ainda hoje prefiro cremes, consomês, mas também sei apreciar um belo cozido, com grandes pedaços de abóbora e até batata doce! Tinha um bloqueio com relação a ela e hoje como com melado. Isso devo aos meus clientes-mirins. Muitas vezes tive de experimentar antes deles, para incentivar a degustação.
Uma vez até estrelinhas eu achei nas minhas andanças pelos supermercados. Ainda hoje prefiro cremes, consomês, mas também sei apreciar um belo cozido, com grandes pedaços de abóbora e até batata doce! Tinha um bloqueio com relação a ela e hoje como com melado. Isso devo aos meus clientes-mirins. Muitas vezes tive de experimentar antes deles, para incentivar a degustação.
Por falar em frio e sopas, minha amiga Isa tem um lindo trabalho lá no ABC Paulista. Com a mãe e um grupo de voluntários, prepara e serve sopa para moradores de rua, aquecendo a barriguinha e o coração de muita gente. Grande alma a da Mulher Maravilha. O nome da minha filha escolhi em homenagem a ela, essa pequenina grande pessoa que para sempre estará comigo, independentemente dos quilômetros que nos separem. Câmbio, Mulher Maravilha. Mulher Gato desligando.