quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Salve os novos tempos

Nada , você não me deu nada ...
Nada que não fosse belo
Nada , você não me deu nada ...
Nada que não fosse sonho
Chovem laranjas do Céu ...
Chovem laranjas

Esta canção dos meus irmãos Darma Lóvers é um hino dos bons ventos, traz boa sorte, fala sobre o que realmente importa: a fartura, essa que é de amor. Feliz Natal e que 2011 seja ainda mais!

domingo, 5 de dezembro de 2010

De tween pra tween

Minha amiga certa vez me contava que uma sobrinha dela, ao passar pela vitrine de uma loja que exibia um boneco de Michael Jackson, ainda menino, não acreditou se tratar do ídolo pop que conhecia.
- Tia, mas esse menino é negro e o Michael é branco!
Reorganizando os vinis que herdei de meu pai dia desses, encontrei os meus do Menudo e chamei minha filha para apresentar-lhe os Jonas Brothers da minha época.
 - Filha, esse aqui é o Ricky Martin, aquele que canta Vive la vida louca.
Custei para convencê-la de que era mesmo o tal, aquele baby face da capa do bolachão.
 - Filha, quer para você esses discos? Eu te dou, herança em vida, que nem meu pai me deu esses dos Beatles, Jimmy Hendrix, Roberto Carlos, Bone M, Village People, todos que você já conhece.
 - Mãe, não fica chateada, mas eu não quero.
Tá certo, Menudo e Jonas Brothers não são lendas como Hendrix e Beatles. E ídolos tweens não têm o mesmo peso que os da juventude. Mas rendem boas lembranças. Contei para ela quem era o "meu Menudo", sobre minha coleção de revistas, pôsters, camisetas e tantas outras tranqueiras colecionáveis que a indústria desepejava no mercado para devorar o dinheiro dos pais das fãs do quinteto porto-riquenho, e que transformaram meu quarto de criança em quarto de pré-adolescente. 
Não pude deixar de relatar a passagem mais fantástica dessa fase: minha ida ao show do grupo em Curitiba. Foram 30 dias de campanha, meus pais não cediam, minhas colegas do fã clube (sim, eu frequentava um aos sábados!) e da escola já estavam com seus lugares na excursão garantidos e eu naquela batalha incansável. Quando quero algo, não desisto facilmente. Tinham medo de me soltar sozinha, no meio de um bando de meninas loucas e uma monitora num dos cinco ônibus reservados pelas organizadoras da excursão. Mas aí, quando faltava uma semana para o show, eu venci. Só que tive de pagar o mico de ir acompanhada pelo meu pai. Não parava de pensar em como eu poderia gritar "Charlie eu te amo!" com ele ali, bem do meu lado, no gramado do Couto Pereira. Quem sabe ainda teria uma outra chance, ganharia alguma das promoções das quais participava, tipo faça tal coisa e concorra a uma viagem a Porto Rico para conhecer o Menudo.
Sem me surpreender, meu pai foi bem bacana, mais do que a monitora de óculos fundo de garrafa, silhueta e rosto de Olívia Palito. Tratou logo de acirrar a disputa entre a meninada, inventando um concurso para dar nome a cada um dos ônibus. Fiquei doida porque no nosso ônibus Robby tinha o maior número de fãs (aliás, ele era o Menudo mais admirado) e tive de trair meu Charlie, viajando no ônibus do "outro" Menudo. Até aí tudo bem. Pior foi aturar duas tagarelas atrás de mim falando dele (do meu Menudo). Elas votaram comigo no Charlie, mas fomos minoria.
Se eu já soubesse que os pensamentos tinham poder de movimentar energias do universo, não teria amarrado aquele bode. Na parada seguinte, lá foi meu pai comprar lanche para nós. Recolheu o dinheiro de todo mundo e saiu com os pedidos anotados. Menos o meu, porque sabia de cor. Dei a primeira dentada no meu sanduíche e pensei que fosse cair durinha no corredor do ônibus. Meu pai esqueceu da minha total aversão a maionese, que carreguei comigo até uns 15 anos. Como não podíamos voltar, tive de me contentar com uns biscoitos. Ainda me restava tudo o que eu tinha planejado: dançar as coreografias e cantar todas as músicas do Menudo, ver Charlie, mesmo de longe, e, quem sabe, me declarar para ele. Bom, chegamos no estádio, compramos foto, camiseta, botton. Quando os portões se abriram, invadimos o campo. Meu pai seguiu o fluxo também. Comprou uma garrafa de água mineral e avisou:  -Vou ficar aqui, bem dentro da trave, sentado. Quando o show acabar, você me encontra aqui, certo?
E eu achando que amava o Charlie. Meu pai sim, era o cara mais legal do mundo e eu já sabia disso. O show começou. Pulei feito pipoca, chorei feito um bebê, cantei todas as canções até ficar rouca. Foi então que resolvi tentar colocar meu plano em prática. Estava com a barriga grudada na cerca que nos separava dos vips com ingresso de pista no gargarejo. Então, vi uma menina desmaiar a ser levada para lá. Não pensei duas vezes.
- Moço, por favor! Chamei aos prantos.
- O que foi minha filha? Perguntou o homem.
 - Meu pai tá aí, mas eu pulei pra cá porque vi uma amiga, agora tô perdida.
 -Como você conseguiu isso? Duvidou.
 - Ninguém viu, me desculpe, me ajuda, por favor.
Liberada pelo segurança, passei pelo acesso ao lado e segui em direção ao gargarejo. Meu coração parecia querer saltar pela boca. Mais de medo pelo que acabara de aprontar do que pela emoção de ver Charlie de perto. Então, quando num giro pelo palco ele parou bem diante de mim, falei baixinho "Charlie, eu te amo" com os olhos cheios de lágrimas e certa de que ele leria meus lábios. Ganhei um sorriso. Voltei para a cerca, pedi para sair e nem tive de me explicar. Acho que o segurança sabia o tempo todo que eu só queria ir lá na frente e pode até ter considerado que eu merecia. O universo conspirou a meu favor, não importa. Quando o show acabou, lá estava meu pai sentado dentro da trave, a minha espera. Obrigada pai, cause if you not here, by my side...

domingo, 28 de novembro de 2010

Esse Avaí...

Jamais neguei que sou torcedora de oba oba e meu time é Flamengo porque não existe Santoro que descumpra tal exigência gravada em nosso DNA. Porém, os domingos dos últimos dois anos me tornaram uma observadora mais simpática desse movimento apaixonado de homens e mulheres pelo futebol. Partidas emocionantes anunciadas por bandeiras nas sacadas do meu prédio avisam que no dia reservado ao repouso, a terra vai tremer. Partidas emocionantes, pontos disputados, títulos sonhados, ascensão à elite. Queda, lágrimas, também estão nesse enredo. O fato é que não consigo mais ficar alheia, nem mesmo ignorando o noticiário. No meu trabalho muitos são os torcedores do time cujo coração pulsa no bairro vizinho e arredores. Minha rua é como se fosse a veia aorta nesse sistema por onde circulam os milhares de hemácias, com glóbulos azul e branco. Eles desembocam lá adiante, jorrando pela  avenida em direção ao estádio. Dependendo de como irrigado foi o fígado (e não estou me referindo a cervejas consumidas, mas a emoções processadas) retornam com ainda mais vigor. Então, o pulsar nos contagia aqui no alto. É bonito mesmo. Olha que nem o casal mais rabugento do prédio, o que costuma reclamar na portaria quando as crianças se esbaldam de rolimã no pátio lá embaixo, liga  para o estardalhaço do time local. Por questão de patriotismo, meu time em Santa Catarina deveria ser o Figueirense, afinal cresci lá no continente. Mas minha filha justifica:  mãe, você mora aqui, pode torcer! Esse Avaí faz coisa mesmo.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

O melhor de Cannes

Ontem o Sinapro realizou uma mostra dos filmes de Cannes, em Florianópolis, e eu elegi o da BBH de Londres o melhor de todos. Não só porque adoro o ator Robert Calyle, de Ou tudo ou nada, entre outras películas, mas porque achei que ali a criatividade e a inteligência na abordagem histórica da marca foram perfeitas. Não poderia ter sido mais literal a tradução do slogan Keep Walking para o filme. E o mais importante: eu que não gosto nem um pouco de uísque senti vontade de saborear um puro malte.

terça-feira, 23 de novembro de 2010

What i feeling!

Querer é poder. Então, tudo é só uma questão de tempo, de paciência. Mas tempo é o que mais me falta, não a ponto de me tirar a paciência, isso não. Só que eu reclamo, nem que seja cá com meus botões, ou com meus leitores secretos, por não conseguir fazer um montão de coisas. O que posso e vou fazer é não mais ler matérias sobre "como equilibrar sua vida dedicando tempo para você". Pelo menos agora não dá. Melhor ignorar as recomendações do que deveria fazer e evitar estresse. Quer ver? Minha vizinha outro dia descia do carro esbaforida com a bolsa da academia nas mãos. Não conseguiu chegar a tempo lá porque o cliente a prendeu numa extensa e enfadonha reunião improdutiva. Atropelando seu momento de chegar em casa e desligar os aparelhos, lá foi ela, escrava do "tenho de praticar atividade física uma hora por dia" vestir a roupa da academia e dar um jeito de compensar a falta malhando ao ar livre na Baía Sul. Pior é ainda correr o risco de ser assaltada naquela escuridão, credo. Agora veja: estresse para desestressar não dá, né? Como ainda não vejo perspectiva de retomar algumas coisas que sei que me fazem bem, me contento enumerando-as numa lista de desejos, só para organizar por ordem de prioridade, para brevemente colocá-las em prática, e também para desabafar. Vai que alguém posta aquele comentário consolador "ah, eu também não tenho tempo de fazer nada do que queria e, pior, tenho uma jornada bem mais pesada do que a sua." Que seja. Ainda assim, listo os meus quereres:
1) Voltar a praticar meu Yoga duas vezes por semana bem cedinho;
2) Nadar outras duas vezes por semana em uma piscina olímpica;
3) Ir ao cinema pelo menos uma vez a cada quinzena;
4) Fazer supermercado para a semana;
5) Visitar meus pais aos domingos;
6) Fazer as unhas, cabelo e depilação regularmente no salão;
7) Reunir os amigos ao redor do meu fogão;
8) Viajar;
9) Ir ao happy hour das minhas amigas;
10) Comer peixinho na beira da praia;
11) Ganhar uma Barbie Flashdance do Papai Noel.

domingo, 21 de novembro de 2010

Glossário da moça descolê

Gosto do olhar feminino sobre as coisas, sobretudo quando é bem humorado e inteligente. Do olhar masculino de bem com a vida também. Mas como sou menina, não sei se entre eles essas "conversinhas" são tão criativas e descompromissadas sobre situações e estereótipos do comportamento humano. Fazia tempo que não folheava o meu Manual para Garotas Calientes (02 Neurônio/Conrad) e uma amiga disparou um "Fashion Descontrol" que me fez sentir uma vontade danada de repassar os olhos sobre as regras básicas para as garotas bacanas serem felizes e lidarem com coisas (pessoas e situações) uó das quais ninguém está livre nessa vida.
As fofas que postam no blog aí entre os meus favoritos são as autoras também do Superego Descontrol. Minha amiga quis saber o que de fato significava isso. Não muito segura do que literalmente definia o glossário da moça descolê arrisquei, confiando nas minhas duas celulinhas do sistema nervoso:  - ah, é o tipo que não apenas se acha a última cereja do pote. Alguém que acredita de fato nisso e tem a ilusão de que os outros também, o que é bem pior. Acertei meninas? Mas, amiga, na verdade mesmo, Superego Descontrol é um produto da série de criações do 02 Neurônio. Foi até um curta-metragem no qual amigas (que podem ser as próprias Raq Affonso, Nina Lemos e Jô Hallack) falam sobre suas experiências amorosas. Sempre acreditando no amor, claro. Indispensável para quando ainda se está sujeito a práticas no-notion é também o Guia da Mulher Superior. "A moça e seus problemas"  e "A charlatã" já me ajudaram e muito a relaxar os músculos da face em dia de fechamento descontrol, nos tempos de redação. A gente bem sabe o valor de umas fartas gargalhadas na hora certa.

sábado, 13 de novembro de 2010

O espírito da época

Quando meu pai comprou nosso primeiro video cassete, queríamos logo testar o aparelho. Mas não tínhamos nenhuma fita em casa. Aí, paramos numa locadora e eu desfilei pela frente daquela prateleira escassa atrás de algo que me interessasse. Até que um brilho neon fantástico na capa de um fita me empurrou para a escolha. Voltei para casa com o filme que marcara a leitura audiovisual dos 80 para mim e nosso ingresso às novas tecnologias de entretenimento doméstico. Era Xanadu, com Olívia Newton-John, revigorada, com nada daquele ar ingênuo de Nos Tempos da Brilhantina. Pelo contrário. A loira arrasou no circuito polainas e até hoje é diva relembrada por bacanas que comandam as melhores festas retrô.  Ivi que nos atualize sobre o fenômeno das pistas no new 80's revival.
Em homenagem a Cris, que comemorou seus 40 anos com uma superfesta à fantasia 80, e a todas as minhas amigas companheiras inseparáveis de pistas animadas, aí vai o clipe de Xaaaaaaanaduuuuuuuuuuuuuuuuuuu.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

A arte de aprender a ensinar

Mais uma vez fui convidada a participar de uma aula na faculdade de Comunicação para relatar experiências como jornalista no mercado de trabalho. Como minha trajetória é 90% em comunicação institucional, com assessoria de imprensa e ferramentas afins, o tema era este. Tinha a ideia de planejar uma aula, começo, meio e fim, levar publicações, como fiz da outra vez, mas não deu. Como sempre minha rotina turbinada em três turnos e as múltiplas funções intercaladas com o direito que me concedo de estar a pequena Buda, meus pais, irmão, cunhada, sobrinhos e até meu cachorro (aliás, esse qualquer hora me reprova por frequência!) não li o que separei, não programei falas, nem anotei citações bibliográficas.
A "aula show" como definiu minha anfitriã foi exatamente o que deveria ser e não o que idealizei. Portanto, aí vai a primeira lição: frustração pelo que não fizemos não vale a pena. Nem sempre as expectativas que pensamos existir são reais. Para variar, falei tanto que o tempo estourou. Ouvi também, respondi muitas  perguntas e fiquei feliz ao manter todos ali, sentadinhos, me olhando, me ouvindo. Meu amigo e mestre que me convidou para a primeira dessas participações em sala de aula me ensinou que este é o desafio do bom palestrante, ou professor, orador: conquistar a atenção e despertar o interesse dos que ali estão para te ouvir e aproveitar o que dizes de alguma forma. Ninguém saiu da sala para fumar ou ir ao banheiro e não voltou mais. Ainda bem. Ficava constrangida ao ver professores passarem por isso.
Nunca fui mesmo muito apegada a teorias, credito a devida importância aos conceitos para orientar a prática e acho um pouco chato ficar botando citação ou nota em tudo que se fala ou escreve. Referências valorizo sim. Eu sou é muito prática e adoro as vivências, sobretudo as lições que tiro delas. Tanto quanto me deixa feliz passar adiante o aprendizado das minhas experiências.
Com os estudantes, estes para os quais falei no início da semana, os do outro convite aceito há alguns anos, com meus colegas de trabalho, colaboro e sou grata por isso. Ter a chance de contar o que vivi, bons e maus momentos, vitórias e fracassos, o que faria melhor hoje, recebo como um presente estes momentos. Adoro estar entre os mais jovens e as crianças porque gostam de uma boa historinha. A pequena Buda diz "mãe, fala daquela vez que você fez tal coisa" sempre que se depara com alguma situação em que precisamos recorrer ao manual das boas práticas da vida. Do mesmo jeito que minha mãe me ensina até hoje. Tenho uma coleção de vivências dela em histórias de fazer rir, chorar, pensar e mudar. A minha preferida da categoria "a curiosidade matou o gato" é a do dia em que ela quase foi parar no hospital com uma ervilha entalada em uma das narinas. Duvidou da vovó e quis tirar a prova, saber que cheiro tinha a bolotinha verde sobre a mesa, ignorando a recomendação sobre o perigo de se aspirar pequeninas coisas.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Destino

Há uma flor no meu jardim, uma linda flor amarela e perfumada. Só penso em quanta coisa boa esse delicado presente da natureza coloca em meus dias, o quanto sua imagem me encanta, me envolve, me alegra. Outra pequena vida tenho em mim, de mim para o mundo, meu trabalho mais profundo. Ela me abençoa por sua existência, me torna diferente há cada dia, melhor a cada hora, me completa em tantas outras coisas boas que estão dentro de mim. Luz da minha casa.
A felicidade é isso, vem de dentro, dessa certeza preenchida de luz, de vivas cores, de perfumes agradáveis, de sorrisos, de amores, de paz, de fé, esperança. Vivo, vivo intensamente, internamente e aparentemente. Amo, amo internamente e aparentemente. Sorrio, sorriso fácil, não importa onde, nem para quem, importa que ele é verdadeiro, que ele é puro e é sincero. Nosso destino é um jardim repleto delas, as lindas flores, cheio de amores, livre, livre, livre, livre, como eu sou.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Mais para Malu Mader do que para Malu Mulher

Adoro minhas amigas órfãs de seriados dos anos 70 que nem eu. Outro dia, uma engraçadinha me mandou uma foto da Regina Duarte naquele Malu Mulher. Sabe aquele em que ela faz a desquitada (na época era moda falar desquitada ou divorciada) e sua filha (Najara Turetta!) cheia de problemas pertinentes aos adolescentes naqueles anos?
Não que eles (os filhos, as situação da vida) sejam muito diferentes dos de hoje, mas acho que somos menos dramáticas que a Malu, bem mais práticas e descoladas. Graças a Deus. Também somos mais joviais, mesmo aos quase 40. Os editoriais de Cláudia e Marie Claire já anunciavam ali pelo início dos anos 90 que balzaquianas, só beeeem depois disso. O ser humano evolui, até um dia nascer sem dente siso, apêndice, essas coisas desnecessárias. Não precisamos ser chatas por motivo algum, certo? E, sinceramente, acho a Malu Mulher batalhadora e tal, mas é meio sem sal (não sei é poque a Regina Duarte a fazia assim) daquelas que adora entupir os ouvidos dos outros com chatices, tudo é problema, dilema, sofrimento. 
Mas aí quando eu li as matérias das revistas femininas sobre os novos perfis de mulheres, naquela ocasião não fiquei nem um pouco surpresa. Desconfiava disso e teria sido personagem das reportagens, se elas não tivessem sido editadas antes do dia em que minha mãe me colocou no meu devido lugar, pelo telefone, aos 30 anos. Liguei pra anunciar que estava grávida e chorei copiosamente, enquanto ela, muda, me ouvia soluçar: v-o-u  s-e-r  m-ã-e...
Ela achou que eu estava emocionada (e de fato eu estava) mas as lágrimas daquele momento ao falar com minha mamãe eram de medo, verdadeiro pânico de ser eu a mãe agora, quando me sentia uma adolescente, incapaz de me transformar assim, da noite pro dia. Ela me enquadrou, obviamente. Eu, como sempre, peguei no tranco. Até outro dia (mais precisamente há uns dois anos) eu ainda era meio garota, confesso. Agora sei lá, não é só porque ando de salto todos os dias, trabalho maquiada e quero um carro sedan que acho que estou mudando. Gosto mais de vinho do que de cerveja, mas só bebo uma vez por semana. Prefiro sair pra jantar, ir ao teatro, cinema ou festas. Não tenho paciência pra guitarras (eu deveria estar naquela passeata de 67 que Caetano detonou no filme que vi outro dia e comentei aqui). Meu gosto é mais exigente do que nunca no geral, não só para bolsas, perfumes e sapatos, entre outras preferências de consumo. Como tenho uma filha pequena para criar, não perco as medidas neste aspecto, me contento em ter meu bom gosto. Por enquanto.
Voltando aos seriados, outro remake me chega aos ouvidos em forma de pérolas que só as amigas despejam para nos fazer rolar no chão de tanto rir. Olha essa: "amizade colorida". Não lembro qual foi a última vez que ouvi esse termo, mas faz tempo. Pois como quem responde lá do topo da experiência de vida e relacionamentos, ela me saca essa do fundo do baú: - Ai, eu não quero mais saber de compromisso. Comigo agora é só amizade colorida. Relembramos tudo, da trilha sonora até a cara do Fagundão (ele mesmo, Antonio Fagundes, o galã barulhento de várias gerações) fazendo as vezes de fotógrafo gato e se dando bem entre as "amigas". Ai, ai, o que seria da vida sem esses momentos bembi (zarros), né?

sábado, 16 de outubro de 2010

Não queira ver uma menina brava

Quando a pequena Buda estava aprendendo a andar, meio a contragosto deixei que usasse um andador que ganhou de presente. No apartamento o espaço já não era o ideal e ela sempre foi muito participativa, me seguia por todo canto. Naquele dia, entro na cozinha e ela fica entalada na porta, por causa do bendito andador, que era largo feito um disco voador. Aí, pela primeira vez, ela manifestou indignação ao ver que ninguém notara sua dificuldade em se locomover e disse a que veio: - Eiiiiiiiiiiiii, nenéééééééééééééém!!!!!!!!!
Esse vídeo da Isabela indignada com a porta fechada diante do pai me fez lembrar essa passagem. É muito engraçado mesmo. Não é à toa que está batendo recorde de acessos no Youtube. Dica de Jonas Brother que vale conferir.


sábado, 9 de outubro de 2010

Encantador

O encanto está no olhar


Diante de mim objetos reluzem
brilhantes, brilhantes
ao toque do meu olhar

Sobre mim se elevam, pululam
dançantes, dançantes
ímpar, busco neles um par (sem nunca encontrar) Des/vendo-me neles
aprecio a dança do tempo
e, sentado em mim, descubro
o encanto está no olhar

(Tales Nunes)

www.vidadeyoga.com.br

domingo, 3 de outubro de 2010

O tempo é rei

Gil tem fama de falar, falar e nada dizer. Ontem ouvi dele as palavras de sabedoria maior em todos esses anos de Refavela no meu top hits. "Minha música não tinha nada a ver com aquilo, era um om", desculpou-se ao confessar sua inadequação ao novo, que era a Tropicália. Também soltei gargalhadas com Chico (Buarque) dizendo que não lembrava de ter aderido ao figurino exotic dos novos baianos e agregados nas ditas reuniões de organização do movimento que quebraria com a ordem vigente dos músicos populares brasileiros porque foi a todas as reuniões bêbado. Aí concordava com tudo e depois não conseguia se livar do "velho" que habitava seu corpinho de 23 anos, trajado de smoking nos festivais da Record.
Na fileira que ocupei, buscando exclusividade, somente sentaram dois sujeitos que, como eu, riam sem parar a cada depoimento dos artistas como Caetano, Roberto Carlos, Edu Lobo e outros. Não era somente engraçado o figurino (o vestido de Cidinha Campos rosa pink e verde chuchu e a camisa branca de babados rococó de Roberto Carlos pronto pra cantar um samba) e sim as respostas monossilábicas e lisérgicas dos entrevistados. Aí apareciam os velhos cansados de guerra no presente, avaliando seu passado. Gil comenta que nada pode ser mais engrandecedor do que o amadurecimento, Chico ri de sua timidez disfarçada pela caretice que ditava seu visual no palco, diferentemente do que acontecia nos bastidores. Edu Lobo meio descontente com o que não viveu, invejoso dos novo baianos, também disse ser uma artista fora dos padrões da época. Verdades necessárias como essa de Caetano "Queria me livrar de Alegria, Alegria como Chico se livrou de A banda" são pertinentes. Assim como admitir que, mesmo quando era mocinho, a noção do ridículo existia para alguns. Caetano conta que ficou do hotel na Brigadeiro Luiz Antonio com Nara (Leão) vendo a passeata contra a invasão da guitarra na MPB como se aquele fosse um verdadeiro ato fascista. Aos 66, bem mais apresentável, ele sente saudade da disposição, apenas. Mas cá entre nós, Caê é mais bonito agora.
Esse foi o documentário imperdível Uma noite em 67, que assisti numa sexta de muita chuva e vento no cine Paradigma, meu novo admirável espaço de entretenimento. Os meus colegas de fileira, que como eu choraram de tanto rir ao longo da exibição, na saída quiseram deixar registrada a reação diferente da que o restante da platéia jovem, admirada a cada imagem em os astros dos festivais concedem entrevista com um cigarro aceso nas mãos, expressou. "Cara, a gente tava nesse show do clube doze em que o Gil foi preso." Abraçados, emocionados, seguiram porta afora, caminhando contra o vento.

sábado, 2 de outubro de 2010

Mãe é mãe

Depois de passear por meu blog, um amigo curioso por saber o que penso dispara: - É blog de mãe!
Isso e um pouco mais. A divisão exata (se é que podemos nos definir com tanta precisão) é a seguinte: 90% mãe eu sei que sou. Nos 10% restantes, sou muitas coisas apertadinhas nesse percentual bem importante e intenso, mas não fundamental desde que minha pequena Buda veio como o presente mais lindo de Deus nesta existência. Então, aí vai minha corujice mais recente

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Um ponto faz toda a diferença

Nada como ter uma colega de trabalho que acaba de entrar na casa dos vinte para me salvar das trapalhadas tecnológicas. Desde que adentrei à blogosfera foram muitas cometidas. Aline me tirou do limbo uma vez, bem lá no comecinho. Mas tinha algo tão fácil a resolver, o registro do endereço do blog que eu tinha feito de um jeitinho meio bizarro, sem ponto entre o "www" e o "bombocado", que só fui conseguir agora, com a ajuda da Mary, minha little assistente de marketing. Mas até que não fui tão sem noção assim. É que com o ponto, bombocado já existia. Canceriano é prático por natureza. Resolvi tirando o ponto e deu no que deu. Hoje Mary resolveu me tirar dessa cilada e fomos lá na configuração para transformar "wwwbombocado.blogspot.com" em http://www.bombocadodascoisas.blogspot.com/
Simples assim. Agora não terei mais de explicar porque o endereço do meu blog é diferente de todos os demais, um tanto quanto exótico, sem o ponto depois do www, essas coisas.

sábado, 25 de setembro de 2010

Observação de humanos

Era um dia ensolarado este em que aportamos  numa das baías mais belas do mundo, a praia do Rosa, no litoral Sul de Santa Catarina. Tinha em mente um encontro há muito desejado, há três temporadas adiado. Na companhia da minha pequena Buda esperava no segundo grupo pronto para embarcar rumo à costa e avistar a beleza da vida marinha no ritual que se repete nesta época do ano em águas catarinenses, as baleias Franca e seus filhotes aproveitando as águas mais quentinhas desse berçário natural. Planejei e até sonhei apresentar ao gigante dos mares o meu filhote, conhecer o seu, captar a doçura em seus olhos. Após a palestra dos biólogos do Instituto Baleia Franca, nos equipamos e subimos na embarcação flutuante utilizada em resgates, dessas que parecem de longe uma enorme bóia. O motor assume uma velocidade de até 40 km/h sobre as ondas, valente e seguro. Em poucos minutos estamos a quase mil metros de distância da praia e o que vemos é só mar, intenso, verde, lindo e assustador por sua imensidão. As aves sobrevoam por ali como se guiassem nosso barco para o local onde estão as baleias e suas crias. Já não podemos ver a antiga igreja construída com óleo extraído da gordura que elas acumulam no período de gestação até chegar aqui. Segundo os biólogos, ao final da temporada sem se alimentar, dedicando-se exclusivamente aos bebês, as baleias exibem os ossos de tão magrinhas. Mais alguns metros e já não enxergamos outro sinal do passado que queremos esquecer, a rampa diante da igreja, por onde elas eram arrastadas já sem vida.
O silêncio do motor do barco é um aviso de que estamos a pelo menos 100 metros da área onde aparecerão. Então nada mais se ouve, além do som das águas batendo no barco, uma solidão perfeita e agradável. O capitão ensina como nos apontará a direção do avistamento, utilizando o sentido horário do relógio. Lá de cima do barco indica.
- Baleia às 11 horas!!!
  Nos voltamos para o ponto em busca da imagem mais esperada. Ansiosas, as crianças querem se levantar, mas são contidas pelos adultos. A paciência vale ouro nesta hora. Uma cauda e uma barbatana ao longe revelam o que ainda está por vir, o grande espetáculo. Alguns relatos me fizeram crer que eu teria mais do que isso. Chega o momento.
 - Atenção, baleia às 9 horas!
Em pouco tempo descubro o quanto valera a pena esperar. De repente ela surge perto do barco, uma presença escura no mar, como um submarino que emerge e se aproxima rapidamente causando até susto. Chega tão perto que toca a lateral do barco, balança fortemente bem onde estou sentada. Ficamos cara-a-cara, eu e a mamãe Franca (e ela realmente é sincera, vem daí seu nome) sorrimos uma para a outra. Procuro seus olhos, meu coração bate acelerado, meu espírito se enche de paz e minha respiração vai ficando cada vez mais lenta. Não consigo dizer nada ainda, apenas sorrir. A vontade de tocá-la é grande e sei que não sou a única, por isso os biólogos fazem recomendações sobre como devemos agir nesta hora. Consigo, então, expressar em sussurro: - olá, como você é linda. Foi exatamente a frase que disse para minha filha quando seu rostinho enrugado e quentinho enconstou no meu e nos vimos pela primeira vez, na sala de parto.
O filhote preto e branco acompanha a mãe num delicado mergulho e passa por debaixo do barco, sai do outro lado e os dois rumam mar adentro para fazer acrobacias. Esguichos de uma respiração forte que se ouve quando estão bem pertinho de nós, saltos incríveis. Como ficam muito próximas da praia (e por conta disso eram presas fáceis) são elas que nadam até nós, curiosas, querendo interagir. Há 17 anos defendendo a preservação da área de procriação da Franca no litoral Sul de Santa Catarina e pioneiro no turismo de observação da espécie nesta região, nosso sicerone, Enrique Litman, explica que as baleias são mesmo seres solitários e que chegam assim tão pertinho dos barcos também porque são inocentes. Na verdade, são elas quem nos observam. Como toda mãe, as baleias zelam pelos filhotes repreendendo-os quando se aproximam demais dos barcos sem elas. A natureza é sábia e estabelece meios de garantir a espécie. Elas aprenderam de tanto sofrer os ataques humanos, que usavam como tática fisgar o filhote, mesmo sem serventia nenhuma, para atrair as mães. Do lado de cá também evoluímos e agora não somos mais ameaça. Não com arpões e dinamites, o que já é um grande avanço. Porém, vale assistir Océanos, filme de Jacques Perrin e Jacques Cluzaud, para perceber o quanto nossa intervenção pode ser danosa quando não percebemos que os seres dos mares desse planeta merecem nosso respeito.   
Nos despedimos das quatro mães e seus filhotes felizes e certos de que elas voltarão dentro de três anos, quando estarão prontas para mais um ciclo de renovação da vida.

sábado, 11 de setembro de 2010

A vida recomeça

Tá, eu sei que meu coração é de manteiga e tento me policiar, mas hoje chorei porque soube nos bastidores que a baleinha ia morrer. Tava encalhada em numa praia aqui do litoral Sul, dodói, mentalizei para que sobrevivesse a fofona. Porém, me disse o especialista, temos de comemorar que muitas hoje se vão por causas naturais, não mais muito pela pesca predatória (a caça uó) graças a Deus. Aí, lembrei que meu pai tocava no som do nosso maverick branco, naquela época, uma canção do rei Roberto Carlos engajada numa campanha da época. Eu era uma pequena solidária à causa. Agora me pego a chorar de dó da baleia encalhada na praia e a sorrir, pensando nas novas gerações, que amam os animais, as flores, as árvores, o mar lindo, a vida que ali se faz presente. Tudo será bem melhor daqui por diante. Tem um monte de filhotes que nascerão e serão amamentados, bem pertinho de nós, na praia do Rosa. Namastê!

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Um dia melhora

Na semana passada minha mãe foi vítima do trote de sequestro que canalhas bem protegidos dentro dos presídios cariocas aplicam em inocentes envolvendo seus familiares. Aproveitam-se do amor e da inocência para aprisionar mentes utilizando o que há de mais nefasto, o terror. Hoje acordo e encontro um ossinho desses industrializados encharcado de uma substância estranha que alguém jogou no meu terraço para calar meu cachorro, que assim como todos os da rua e do prédio, late. Sei da intenção porque recebi ameaças prévias.
Deixo aqui um manifesto pela paz e pelo respeito, na esperança de um dia nos ver cercados de mais pessoas de bem, carregadas de boas energias e com boa fé. Incapazes de agir apegadas a seus desejos e interesses, apenas, seres livres do ego. E como as eleições estão aí, vale registrar a desculpa esfarrapada do algoz de minha mãe ao telefone, enquanto barbarizava a vítima: - É, senhora, culpado disso é o governo. É por causa deles que vocês pagam, sofrem.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O espetáculo vai começar

Neste final de semana foram avistadas 57 baleias que serão a grande atração da temporada de 2010 no litoral Sul catarinense. Mônica Pontalti, bióloga do Instituto Baleia Franca avistou no sobrevoo em área de preservação as fofonas concentradas entre o sul de Florianópolis e região da Praia do Rosa, em Imbituba, nas praias do Siriú e Guarda do Embaú. Quem tiver chance, vai ver este espetáculo da vida no mar, é encantador. Estamos entre os destinos mais badalados no Brasil e no exterior em turismo de observação, não somente de baleias, como de pássaros.
Aí vai uma das cenas que mais gosto, esguicho!

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Cidadaniazinha

Hoje a pequena Buda realizou seu desejo de dias atrás. No rádio do carro, tínhamos ouvido que o pessoal do Censo bateria às portas das casas. Claro que tive de explicar o que o noticiário matinal não havia esclarecido em quase 10 indagações, sempre seguidas de "mas, por que?". Achei que ela tinha esquecido ou desistido, pensando que talvez em nossa casa o censo poderia não vir. Assim como eu, que jamais fui abordada por pesquisa nenhuma das que já citei ou vi em reportagens e muitas vezes até duvidei de sua existência.
Ivy, uma jovem de baixa estatura com óculos e sorriso de Velma apareceu do outro lado do olho mágico na porta. Agradecemos sua visita e fomos logo querendo conferir a nova tecnologia que o IBGE colocou nas mãos dos recenseadores. Disputamos o lugar no sofá ao lado dela e, claro, cedi à curiosidade da moradora de oito anos e sentei-me diante da "perguntadora". Com os olhos grudados no palm top que Ivy trazia, a pequena Buda largava na frente em todas as respostas. Não tive quase nenhuma chance e, ao mesmo tempo, senti uma alegria danada ao vê-la tão espertinha indicar ao governo que políticas adotar para melhor nos atender.
- Quantos vivem aqui?
- Três. Eu, minha mãe e um cachorro.
Mr. Fedoreza grudou a fuça no vidro para dar credibilidade à dona-mirim. A moça sorriu delicadamente e registou no aparelhinho azul.
Terminado o questionário, foi a pequena Buda quem perguntou.
- No rádio falaram que sua visita demoraria 40 minutos. Você já acabou?
Ivy sorriu novamente e explicou que o sistema escolhe qual questionário ela deve aplicar, tão logo é acionado na residência. E que, mesmo que fosse o mais longo, a visita demoraria uns 15 minutos no máximo. Então, ofereci algo para a moça. Ela aceitou água e, antes mesmo de me devolver o copo, foi surpreendida pela apresentação do morador de número três. Eu sabia que não escaparia dessa.
- Deixa ela conhecer o Pepê, mãe.
Como hoje não foi dia de banho semanal, fiquei meio envergonhada, mas permiti. Pronto, a visita acabou.
- Tchau Ivy, boa sorte no seu trabalho e até outro dia.
Depois ficamos as duas imaginando um censo para os animais. Afinal, Mr. Fedoreza tem residência própria, adquirida no início desse ano e já quitada. Mas será que ele nos citaria no questionário do censo dele? Acho que não. A cidade ideal do cachorro, pelo que lembro da canção de Chico Buarque em Os Saltimbancos, tem um poste por metro quadrado, mas não seres humanos.

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

É tudo que basta


Quase nada
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Noite alta que revele
Um passeio pela pele
Dia claro madrugada
De nós dois sei mais nada
De você sei quase nada
Pra onde vai ou porque veio
Nem mesmo sei
Qual é a parte da tua estrada
No meu caminho
Será um atalho
Ou um desvio
Um rio raso
Um passo em falso
Um prato fundo
Pra toda fome
Que há no mundo
Se tudo passa como se explica
O amor que fica nessa parada
Amor que chega sem dar aviso
 Não é preciso saber mais nada
(Zeca Baleiro em noite de lua e estrela)



quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Análise de conjuntura

Para quem está acostumado a ouvir discursos, de qualquer um dos lados do balcão que um jornalista pode ocupar nas cenas corriqueiras de seu ofício, o Suspense de Mario Quintana serve como desabafo.
"Depois que o orador oficial deu conta do seu discurso, há um momento de atroz suspense. É Quando o presidente da mesa, como quem não quer nada, ergue-se e diz, sadicamente: Se algúem mais quiser fazer uso da palavra... (MQ)
Recomendo uma longa e lenta inspiração e expiração. Para mim sempre funciona.

sábado, 7 de agosto de 2010

O Alfa cor-de-rosa

Eu já conhecia o conceito do macho Alfa (no mundo animal irracional). Mas aplicado às mulheres, confesso que não. É que a gente se acostuma com coisas que são inevitáveis (e essenciais) para a vida no mundo de igualdades que escolhemos pra nós mesmas, que acabamos achando bem normal sermos como somos. Ih, compliquei? Assim, ó: trabalhar, estudar, as duas coisas ao mesmo tempo agora, os filhos, marido, ex-marido, enteados do marido atual na nossa vida de mãe, filha, mulher, modelo, atriz (nem que seja só no espelho do banheiro ou na hora de driblar dificuldades rotineiras) fera radical, que nem percebemos que estamos sendo as tais Mulhes Alfa (ufa!).Mas não é só isso, escuta só.
Outro dia enquanto equilibrava a bandeja no meio de restaurante lotado atrás de um canto para comer e partir para o segundo turno, ouço uma vozinha: -Chriiiiiiiiiiiis, aquiiiiiiii. Fui lá. Era uma conhecida que trazia a boa nova. Apressada para seu próximo compromisso também foi bem objetiva: - Preciso de um projeto de divulgação para um negócio inédito que vou montar em Floripa. Programada para não rejeitar trabalhos nos próximos seis meses, dediquei os primeiros minutos do almoço a ouvir e deixar pré-agendada a reunião.
Um espaço para mulheres, com serviços dedicados à beleza, equilíbrio emocional, sensualidade (opa! eu vi uns outdoors chamando para um curso de srteap para as mulheres que querem aprimorar a performance do relacionamento e ri muito no carro, parecendo uma doida, mas não era bem isso que ela queria me falar). Minha potencial contratante quer que eu estude profundamente o comportamento das mulheres Alfa para vender (driblando os preconceitos) para a mídia e o seu target os serviços que ela vai oferecer neste espaço dentro de alguns meses. Adoro comportamento humano, já mergulhei no assunto e descobri que meu alvo são as que ainda não perceberam que, além de ralarem com dignidade em nome da sobrevivência e da satisfação pessoal, merecem ser femininas, mimadas (nem que seja por elas mesmas) e até estudarem formas (com coreografias ou mesmo figurinos especiais, para ocasiões especiais) para tornar os momentos de prazer e lazer mais proveitosos. Hay que endurecer, pero sin perder la ternura jamás, né fofoletes?
Quem lembra daquela personagem da Flávia Alessandra na novela que se envolve com o lider comunitário gritão Juvenal Antena (Antonio Fagundes) saberá que, uma das vedetes dos serviços ofertados às mulheres Alfa neste empreendimento que aportará na Isla, o Pole Dance (uau!) é, antes de tudo, uma atividade física bem exigente. Se seu parceiro achar esquisito ou considerar vulgar (bobão) esta prática, pelo menos vai admirar a firmeza que suas pernas, bumbum e barriguinha deverão adquirir. Isso é o que garante a instrutora da modalidade no espaço a ser lançado. Ela também promete terapias para o relaxamento físico e mental, equilíbrio emocional, beleza e uma lojinha com grifes de under wear bem bacaninhas, uma boutique de lingerie. Fiquei de lançar a idéia no ar (aqui no blog e outros meios formadores de opinião, por enquanto) e ver no que dá. E aí, meninas, que tal?

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Ser real é...

Segundo os "especialistas", as mulheres reais são as mais legais. É a vizinha da casa ao lado, com alguma barriguinha e muitas coisas em comum entre todas as reais: esquecer sempre algo na hora de sair. Nem aterrisa e já aperta o botão do elevador, marcando seu inevitável retorno ao andar de origem em busca de algo tão indispensável. As mulheres reais e comuns reviram bolsas que mais parecem o Maracanã em dia de Fla-Flu, atoladas de pertences necessários e (90%) desnecessários atrás de algo que ficou na outra, a que usou ontem. Sou real até onde sei mas, às vezes, invento moda. Fui pedalar nesse domingo ensolarado ali na ciclovia à beira mar e descobri que os reais precisam aprender a rir de si mesmos. Foi o que fiz. Empolgada com a liberdade de um dia inteiro só para mim, comecei com longos alongamentos na academia a céu aberto. Depois ajustei as marchas da bicicleta e dei a largada. Que delícia a liberdade de pedalar ao vento, acelerar e ziguezaguear pela pista distante dos carros aloprados na avenida. Tudo estava perfeito, até que minha aventura começou a virar, como o vento.  Quem se exercita até três vezes por semana aguenta. Como (ainda) não alcancei tal disciplina, é claro que já estava sentindo os músculos das pernas reclamarem no meio do trajeto. Nisso passa por mim um ciclista, depois outro, mais um, equipado com tudo que um atleta de verdade usa para as suas melhores performances. Comi poeira, até pensei em pedir uma ajudinha, porque a volta, contra o vento, começava a deixar a brincadeira meio sem graça. Já não eram só os músculos das pernas, mas o bumbum incapaz de permancecer no assento, os olhos ardendo, o fôlego chegando ao fim. Nem com a marcha mais leve resolvi o problema, o vento me puxava para o sentido contrário, meu esforço nas pedaladas que mais pareciam funcionar em câmera lenta era o mesmo que nada. Até que uma gaivota me ensinou um truque. Passou por mim vencendo com facilidade as rajadas, enquanto eu ofegante decidia se fazia ou não um pit stop no trapiche. Nunca subestimo o mar, muito menos me afasto da orla para afrontá-lo lá nas profundezas do reino de Netuno num dia de fúria.  Imitando a ave, posicionei o tronco paralelamente ao guidom e pedalei a toda velocidade. De volta ao ponto de partida, desabei na pracha de abdominal e ali permaneci desfalecida por uns 30 minutos. Só pensava na segunda-feira, em voltar a ser a moça sem a pretensão de exibir os músculos em volta do umbigo e feliz. Aí  voltei para casa e li na edição de domingo sobre o ciclochique, a nova onda de ir e vir de bicicleta e substituir a rotina estressante e poluente de carro por uma que libere endorfina e, de quebra, obrigue ao exercício diário. Achei bacana, espero que realmente a moda pegue. Quando visitei Amsterdã, achei o máximo ver as pessoas de terno e tailleur no ciclotrânsito da cidade das casas-barco. No recente seminário de turismo regional aqui no extremo Sul do estado, vi a apresentação do case de cicloturismo do Vale Europeu catarinense e, desde então, desejo fazer esta trip sobre duas rodas. Mas só depois que eu me recuperar da traquinagem desse final de semana e de comprar uma bermudinha dessas com amortecedores de gel. E para aderirmos ao ciclochique na cidade, a Prefeitura vai ter de concluir as ciclovias existentes e fazer tantas outras. Também teremos de inventar um jeito de chegar cheirosos e penteados nos lugares num dia de muito sol e vento ou simplesmente apostar no real way of life.

sábado, 24 de julho de 2010

Mais e melhores sons

As férias escolares mudam totalmente a cidade e a vida, especialmente a de quem tem filhos. Não tenho nada contra as colônias de férias, já fui a uma, nosso hino era Aquarela, de Toquinho, e foi inesquecível. Mas nada pode ser melhor do que passar uns dias na casa dos avós. Conversando com minha pequena Buda, antes do seu embarque para a itinerância de duas semanas longe da rotina da sala de aula, argumentei sobre a felicidade de se ter vovó e vovô. Quando eu era criança, mesmo até adolescência e, confesso que até hoje, senti falta disso. Os maternos perdi muito pequenina e meu avô viúvo amazonense, morando longe, vi quase nada. Cercada pela grande família da minha mãe sempre tive meus dengos das tias cajazeiras, das minhas primas mais velhas, dos meus primos que me contavam histórias de terror e dos bate-bola (ou Clóvis do carnaval carioca) e do meu exército de tios amados, mesmo quando nos mudamos do Rio para Floripa. Só que, quando meus colegas de escola ou da vizinhança diziam "neste final de semana não posso, vou pra casa da vó", sentia vontade de ter uma também.
A mãe da minha melhor amiga de infância (temporão de uma grande prole) era vovó de uma fila de uns doze netos. Então, eu sabia como elas eram. Deixam tudo que as mães não, cuidando com amor, claro. Fazem vontades bobas, mas que a gente valoriza quando é pequeno. Têm tempo, muuuuuito tempo para as crianças, fazem e ensinam tricô, bordado, bolo, boneca de pano, brincadeiras antigas, contam causos da infância delas e dos filhos. Meus episódios preferidos de Caillou são os que ele vai para a casa da avó. Amo a vovó de Piu-Piu e Frajola, a da Chapéuzinho Vermelho (a Pocket da versão moderna Deu a Louca na Chapéuzinho é demais) a Dona Benta e a tia Nastácia, que faz dupla com a sinhá a mimar Narizinho, Pedrinho e até a desmiolada da Emília, a vovó White, da Hello Kitty, o vovô Gepeto, do Pinóquio e por aí segue a extensa lista desses queridos personagens das infâncias da gente, a real e a fictícia. As pessoas de cabelos brancos quase azulados, com pintinhas nas mãos, fala mansa, cheirinho de talco e lavanda e uma paciência de Jó podem nem ter as características físicas, mas sempre serão avós em sua essência.
Sou realizada por minha filha ter os dela, por receber o afeto e a atenção deles, por saborear esta parte boa da infância em família. Confesso também que estou adorando ser minha, só minhazinha nestes dias de férias escolares. Faço questão de acordar muito cedo, meditar, não ligo o som para ouvir os diferentes cantos dos meu companheiros que planam lá da baía até aqui onde estou e dos que sobrevoam os morros que cercam de verde a minha morada. Ouvir os sons do córrego aqui nos fundos e dos macaquinhos saltando entre os galhos das árvores, quando não está chovendo. Gosto de ver o mar espelhado, lá longe o barquinho solitário a espera de quem o conduza para um dia de farta paescaria, de observar as flores nativas que enfeitam meu trajeto até o trapiche todos os dias. Conectada aos mais e melhores sons da vida, produzo a partir da mente as belas imagens de um simples dia e concordo que ter saudade de ouvir "manhêêêêê" até que é bom. 

quinta-feira, 22 de julho de 2010

O delicado inesperado (ou nós temos uma caixa cheia de histórias)

Não posso ver caixas, caixinhas, caixões, baús. Adoro em todos os formatos, tamanhos, cores, estampas e utilidades. Hoje almoçava com minha filha perto do trabalho e resolvi apreciar a exposição de caixas de uma senhora muito criativa e simpática. Todas lindas de fazer suspirar. Desejei o floral miudinho da tampa em almofada com capitonê de uma, os laços de cetim no acabamento de outra e, sem resistência, meus olhos foram capturados pelo poá em preto e branco do tecido do corset aplicado na tampa de uma das maiores caixas que ela tinha. Cheia de divisórias internas, mil e uma utilidades, até espelho! Ela era a mais linda caixa. A senhora percebeu o encanto que seu artesanato exerceu e facilitou para que eu arrematasse a peça. Mas preferi não ceder ao ímpeto consumista. Neste meio tempo aproxima-se o marido, seu companheiro na produção das peças, e me oferece um pedaço de chocolate. Minha filha vem chegando e também recebe seu quinhão.
- Gostou da caixinha? Leva, você merece ela. Disse generosamente o senhor alto com óculos de Gepeto na ponta do nariz.
Elogio toda a coleção, o empreendedorismo do casal, desejo sucesso e não consigo sair dali sem uma encomenda. A proposta tentadora é para dentro de dois meses receber minha caixinha de poá, em lilás e branco, já que tinha usado como desculpa a estampa não ser da minha cor preferida. Convencida pela delicada abordagem de dois carismáticos vendedores, levo um cartão, deixo meu número de telefone para me avisarem quando a encomenda estiver pronta. Agradeço o chocolate a seu Estanislau fazendo piadinha com o nome dele e qual a minha surpresa?
- Não sou o Lalau, mas fui muito amigo dele...eita saudade dos bons tempos no Rio, das muitas risadas que eu dei com esse cara.
 - Sou carioca, meus tios riam também com as tiradas dele. Retruco.
O "cara" é Stanislaw Ponte Preta, pseudônimo de Sérgio Porto, um sujeito multicriativo que de tudo experimentou em termos de linguagem para expressar seu modo desprendido de enxergar as coisas da vida e dela fazer gato e sapato. Eu que na minha primeira saída a campo, quando aprendiz de repórter na faculdade me deparei com uma filha adotiva de Tenório Cavalcanti (o Homem da Capa Preta) e dali saí com uma bela reportagem de iniciante não resisto a uma boa história. Vou guardar cada centavo empenhado na promessa de ter minha caixinha de poá lilás e esperar para dentro de dois meses ouvir o que me vai contar seu Estanislau sobre as muitas e boas de sua convivência com quem não chegou a editar a Revista do Lalau, mas fez e disse é coisa incorporando Stanislaw Ponte Preta, o rei do besteirol. 
Já me dei ao trabalho de pesquisar o significado do nome grafado com "E", como o do amigo de Sérgio Porto, hoje fabricante de caixinhas encantadoras por essas bandas do Sul. Olha só o que me espera.
"Muita inteligência e poder de comunicação, apontam para sua necessidade de falar, embora nem sempre diga tudo o que lhe vem à cabeça. Segue sempre movido pela razão, e se enfurece quando é desmentido ou contrariado. Sempre pensa muito, e isso interfere na concentração do que está fazendo. Pode vir a ser um excelente escritor, advogado ou professor. Mas para isso deve aprender a controlar seu nervosismo e se observar para não virar um tagarela."

sábado, 17 de julho de 2010

Tudo sobre minha mãe

Acordei com o interfone. Minha visita agendada me flagrou num típico dia de sábado sem despertador. Tá certo, a gente só tem esse dia pra atender um técnico, levar uma roupa na costureira, mas chovia muito, fazia frio e culpa é o pior sentimento que podemos nutrir. Então, improvisei uma rápida toillete e vupt!
 - Mãe, eu já tô acordada faz tempo, não precisa me chamar.
Bebê-preguiça não quer sair da toca de edredons e eu a compreendo bem. Nesses dias frios levo o todinho quentinho na cama com canudinho na caneca. Não nego à minha filha todo o dengo que minha mãe me deu. Só eu sei o quanto sofri com a primeira crise de amigdalite em São Paulo, quando me vi sem ela pra cuidar de mim. Nunca tinha vivido sem minha mãe, tive de aprender e assim passei a conhecê-la melhor, a valorizar sua presença em minha vida ainda mais. Corajosa e doce, bondosa e sábia, nossa companheira de sempre, minha e de meu irmão, ela abria a casa para nossas festas americanas na época da escola. Foi a todos os shows de heavy metal das bandas do meu irmão, sua churrasqueira era estúdio do terror aos sábados, quando os meninos ensaiavam lá em casa. Passava horas em meus ensaios do balé, me fazia os mais lindos vestidos que eu tirava da caixola para usar modelitos inéditos nas festas de 15 anos das minhas amigas. Um deles tirei do filme com Leo Jaime, era branco de bolas pretas, estilo 60, com luvas pretas rendadas do figurino da estilosa Virgínia,  vocalista do Metrô (nossa, o Ivi vai rir desta).
Minha mãe me realizou quase todos os sonhos, me permitiu viver o que quis, até o que não sonhou para mim. Foi para São Paulo ficar comigo na hora de extrair meu primeiro dente siso problemático. Na maternidade, quando minha filha estava para chegar, ela me evergonhou na frente da obstetra dizendo: - Oh, lá vai meu bebê ter um bebê! Minha mãe é risonha, linda como uma pintura, não me deixa chorar, faz piada de tudo. Me livra de apuros, me encoraja a tudo enfrentar e o melhor sempre esperar. Atura meus destemperos do ascendente Áries. Minha mãe escreveu um rap para a formatura da turma dela na faculdade da maturidade que virou clipe, mas não quer saber de direitos autorais para usarem sua criação nos comerciais da instituição. Minha mãe faz muita comida sempre e diz que você não gostou para convencê-lo a comer mais um pouquinho.
Ela cuida do meu pai como se fosse seu filho. E agora de fato ele o é. Reclama do cansaço, mas não delega esse cuidado a ninguém. Minha mãe é boa, é a mulher que me ensinou que ser honesta, caridosa, verdadeira, corajosa, independente, otimista e que amar a vida, a família e os amigos é o melhor que posso fazer por mim e pelos outros. Outro dia encontrei seu diário e li uns poemas. Descobri como ela escreve bem e criei um blog para ela se ocupar de seus pensamentos ali, toda vez que tiver algum tempo livre na sua lida diária. Mas ela diz que não tem tempo. Assim como eu, quer se ocupar de tudo, mas não dá. Meu sábado começa agora, aqui neste post, depois de botar em dia o que ficou pra trás em uma semana megaocupada, mas cheia de graças.
Por isso segui empolgada no meu sabadão, até dei um trato no mr. fedoreza. Meu cão Pepê é um Fox Terrier pêlo de arame. Há 10 anos, quando o ganhei, li no manual de instrução do cão inglês que não precisava de banhos semanais, pois não fede como as demais raças. Bom, não sei se é porque este nasceu no Brasil, mas precisa de banho toda semana, sim senhor. Do tempo com minha filha, no sossego que tanto me apraz, minha caseirice de canceriana é doidinha por esses dias chuvosos e friorentos. E amanhã é domingo, dia de ver minha mãe e renovar as energias para a semana que vai começar. Que bom.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Sombra e água quente

Enquanto as baixas temperaturas lotam de turistas nossos mais gelados e famosos destinos de inverno (São Joaquim, Urubici, Bom Jardim da Serra e Lages comemoram o início da temporada!) a cidade de Sombrio, que nos recebeu nesta sexta-feira em um seminário de turismo, aquecia as turbinas para sua festa tradicional, o maior arraial de Santa Catarina. E na Arraial Fest a programação tem um carnaval pra lá de exotic, nada de beldades seminuas, evidentemente. Com 10 graus às 13 horas, nem morsa tira a pele. Carnavelescos desenvolvem enredos sobre a cultura e história locais e integrantes das escolas desfilam com luxo e criatividade. Tem feira de agronegócios, comida da boa, música e tudo que as festas típicas reúnem. A cidade toda está decorada com fuxicos das mais variadas estampas de chita, lindo de se ver. Um painel gigante exibe a  foto da frondosa figueira, árvore-símbolo que inspirou o nome da cidade no extremo Sul de Santa Catarina. Sombrio era o local de descanso dos tropeiros na descida do Rio Grande, onde eles se refestelavam debaixo das gigantescas árvores preservadas por toda a região. Desde ontem, com a chegada do tão aguardado friiiiiiio ninguém quer nada além de lenha na fogueira e água quente pro chimarrão.     

terça-feira, 13 de julho de 2010

Posições do Guerreiro

Escolhi esta trilha para a prática de hoje, que dedico à minha mestre Jane Prochnow. Namastê! 


terça-feira, 6 de julho de 2010

Pequenas e divertidas lições



Eis o hit do show de domingo. A letra de Pequeno Cidadão me lembra um livro que dei de presente pra minha filha no ano passado e recomendo. Temqueliques - Limeriques do poderoso e perigoso Temque - de Tatiana Belinky com  ilustrações de Suppa, misturando colagem, desenho e estampas pop. O livro é divertido e ensina os direitos e deveres para os pequenos, nos auxiliando na difícil tarefa de educar os filhos no mundo de hoje. A mídia pode ser um aliado, mesmo quando o produto é deseducador. Canso de usar personagens de desenhos e seriados com atitudes e discursos equivocados para ensinar minha minha filha a ser uma cidadã, respeitar para ser respeitada. Percebi que isso é mais eficiente do que simplesmente proibí-la de ver a programação. Acho que assim também contribuo para que desenvolva seu senso crítico.

Encontro de titãs (no palco e na platéia)

Como em todos os anos, o show de encerramento da Mostra de Cinema Infantil é um presente e tanto. No último domingo, no TAC, soltamos os bichos (escrotos e bonitinhos) cantando com o velho conhecido dos Titãs, Arnaldo Antunes, acompanhado de outro bamba dos 80, Edgard Scandurra, Ticiana Barros e seus respectivos filhos no show Pequeno Cidadão. Eu ali, do lado da minha amiga Vanessa com nossas filhas, minha sobrinha e mais umas amiguinhas que fizemos na mostra, fiz uma projeção de futuro. Tipo, como será quando a pequena Buda estiver grande o suficiente para ir a um show? Certamente vou querer acompanhar, desde que tenha algum interesse pela atração e de que ela sinta prazer em minha companhia. Por enquanto tem e nos divertimos pacas.
Aqui em casa, no carro, nas festinhas dos amigos, nas rodas de violão nós cantamos, dançamos canções que conhecemos juntas, as que apresento. Se me empolgo demais, ela manda aquele tradicional olhar de filha que significa: - Mãe, menos. Sei bem como é, já fui assim também.
Naquela platéia do show da mostra vi vários pais e mães na mesma situação. Os adultos reparando as mudanças que a paternidade promoveu no Arnaldo, Edgard. Ticiana Barros, não sei se tem filhos, mas tava ótima na versão para crianças a ex-Gang 90. Nossos filhos descobrindo os filhos deles e acolhendo nossos heróis da juventude. A pequena Estela, que já é estrela com aquela performance toda de palco, foi a que mais empolgou a meninada e os os adultos. É uma artista. Quando soube que a trupe chegara às seis da matina em Floripa e já estava na sua segunda apresentação do dia, acreditei na pilha de longa durabilidade das crianças e na alegria dos pais em curtir esse tempo bom que não volta nunca mais.
Outro dia, na abertura do espetáculo dos Doutores da Alegria, lá no Teatro Pedro Ivo, fui surpreendida pela bela abertura com Teco Padaratz e a filha Júlia, ele na viola, ela no vocal, cantando Pearl Jam. Nem sabia que o meu ídolo de adolescência, de quando o surfe era nossa bandeira (meu irmão me influenciava, foi ele também quem me introduziu no mundo maravilhoso do rock'n roll) tinha uma filha tão mocinha e talentosa. Achei lindo, me emocionou ver pai e filha unidos pela música, numa sintonia de amor e de arte tão maravilhosa.
Só sei que este final de domingueira foi o melhor de todos dos mais recentes e mais esta edição da Mostra de Cinema Infantil um grande sucesso. A pequena Estela Scandurra encerrou o show cantando Ovelha Negra, em homenagem à tia Rita Lee com admirável desenvoltura e sapequice.
Vida longa e muita força de vontade pra Luiza Lins e seus escudeiros para mais e mais edições da mostra, porque Floripa tem um grande produto cultural para crianças e a partir dele todo um mercado em evolução. A Mostra de Cinema Infantil é um espaço valioso de consumo cultural democrático e inteligente. Com a devida autorização da Vanessa (a Schultz, diretora artística da Mostra de Cinema Infantil) reproduzo aqui a linda mandala que foi a marca da mostra nesse ano, com ilustração do nosso Fernando Lindote, o artista que representará Santa Catarina na Bienal de Artes em São Paulo. Viva a arte, o amor, os filhos, os pais e a vida!

domingo, 4 de julho de 2010

Quero estar lá

Shiva
Quero estar lá
vendo Shiva dançar
Vejo e não há
Eu algum além desse pensar
Há som no ar
Ouço Shiva que vem devorar
Quero dançar junto a Shiva ser o seu jantar
Ver dançar
Ver não ver
Ser jantar
Ser não ser

A vida é movimento, é dança, é alegria. Cuide amor, estagnar é o pior que pode acontecer. Parar no ar boiar sem mar, o coração parar sem perceber...
Pro amor poder crescer não guarde só pra si. Não pense só em si, largue-se, solte-se, cuide sem sufocar, permita-se expandir pra além do hábito, nada de sólido. Obrigada Nenung!

Shiva e Solidez (Os the Darma Lóvers)

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Meu presente



Minha religião é o amor
Minha semente a paz
 Minha colheita a felicidade



Mudança de idade, um sankalpa novinho em folha na mente e no coração. Namastê!

segunda-feira, 28 de junho de 2010


Olha ele aí nesta tentadora porção clicada à beira mar em São Francisco do Sul. Essa farofinha amarela sobre o bolinho é um segredinho e tanto da receita, dá um sabor peculiar ao quitute


Litoral de dar àgua na boca

Vem aí a 3ª Semana Internacional de Gastronomia, um festival de sabores na Costa Esmeralda, região turística catarinense (litoral Norte), promovido pelo Costa Esmeralda Convention Bureau. Devem desembarcar aqui grandes mestres da cozinha brasileira e internacional. Alex Atala, Olivier Anquier e Claude Troisgraus (réu confesso comedor de Big Mac, pelo menos uma vez por mês) estão confirmados. Os melhores restaurantes da região, oficinas aulas-show  estão na programação da semana de gastronomia mais badalada do mês de julho em Santa Catarina. Vamos lá conferir e degustar delícias.
Antes que eu esqueça, ao sair atrás de empanadas chilenas para o jogo desta segunda, ofereço a esperada receita do Bolinho de Camarão lá de São de Francisco do Sul, que este blog recebeu da dedicada Izabel da Secretaria de Turismo dessa charmosa cidade do nosso litoral. Turismo cultural, científico, ecoturismo, sol e mar estão no menu que encanta os visitantes de São Chico, inserido na região turística Caminho dos Príncipes. Eu me apaixonei e quero voltar logo, mas não a trabalho. Para me hospedar em uma pousada entre o casario histórico e praticar um dolce far niente. Quem me ama me segue.
O bolinho à moda de São Chico fez um sucesso danado no estande de Santa Catarina no 5º Salão Nacional do Turismo, em São Paulo, neste final de maio. A degustação da iguaria reuniu a imprensa e os visitantes da maior feira de destinos turísticos brasileiros. A fila para provar o bolinho e, de presente, levar a receita impressa que reproduzo aqui dobrava o quarteirão do estande da macrorregião Sul no Anhembi. Experimente com uma boa cerveja ou vinho branco.

domingo, 27 de junho de 2010

Crianças e a esperança de dias melhores

Ontem meu coração se encheu de emoção. A noite de comemoração dos nove anos da Mostra de Cinema Infantil era da Luíza Lins, de sua equipe e das milhares de crianças gratas pelo presente que este lindo produto da insistência dela foi para todos nós. Sinto que faço parte desta história tão bem contada, eu e a Bela, desde que marcamos presença nas sessões dos filmes para crianças, mesmo quando ela nem entendia muito o que aplaudia. Cantarolamos muito e bem alto nos shows do Palavra Cantada, comemos toneladas de pipoca, passamos boas horas jogadas nos pufes apreciando a literatura sempre presente na mostra, a Bela aprendeu flip book em uma das oficinas, acompanhamos a dedicação e a correria de amigos envolvidos na pré-produção deste grande evento do cinema infantil e eu, nos últimos três anos, trabalhando na Secretaria de Cultura do Estado, sei que a luta dos produtores culturais é imensa e aprendo que os guerreiros dessas causas nobres são merecedores de cada incentivo que recebem. É inquestionável o ganho social que Santa Catarina teve ao construir o que podemos já chamar de calendário cultural. As mostras internacionais como o FAM e a de Cinema Infantil, o projeto Cinema na Favela, o Catavídeo, a Maratona do Cinema o Fita, o Festival Isnard Azevedo de teatro e os tantos outros acontecimentos anuais são motivo de orgulho para quem está nos bastidores e para quem tem a oportunidade de acesso aos produtos culturais hoje ofertados gratuitamente ou por preços simbólicos de bilheteria. No caso da Mostra, a itinerância ainda promove a inclusão das crianças de várias cidades catarinenses. Aliás, dado ontem divulgado pelo representante do Fórum de Festivais de Cinema dizia que somente 8% das cidades brasileiras têm salas de projeção. Então veja a carência a ser suprida por mostras e programas estaduais como a Maratona do Cinema, a tela itinerante de cinema da Secretaria de Cultura e FCC.
A cerimônia da noite de sábado terminou com um vídeo institucional da Mostra de Cinema Infantil, passando por todas as edições, os melhores momentos desde 2002. Eu fiquei como criança apontando personagens de filmes que vi ao longo dessa feliz existência da mostra. O Kirikou, meu predileto, tava lá. Muitos rostos conhecidos e muitos recém-chegados, estudiosos e aprendizes do fazer para crianças enfeitavam a platéia. Muitos abraços e lembranças boas, tantos planos para o futuro circularam pelo salão no coquetel servido depois. Até recebemos benzeduras e sabedoria do nosso multiartista Valdir Agostinho. Usando na noite de festa um sapato performático coberto de bonequinhos, de ursinhos carinhosos a fofoletes, ele cantou seu novo trabalho musical. A canção sobre um romance tem na letra 26 nomes de peixes típicos daqui.
Da minha fada Gilka (ela sorri com um brilho de fada tímida quando a chamo assim) a mestre que me iniciou na produção infantil, quando eu nem sonhava um dia ser a criadora da Sinha Saúde, ouvi uma história (ela é uma doutora em comunicação, especializada em mídia e educação e uma encantadora contadora de histórias também) que me fez tremer o queixinho. Nunca esquece de uma ocasião, quando nós éramos meninos e meninas, seus alunos na faculdade de jornalismo da UFSC. Diz ela (e eu preciso mesmo que sempre me lembre disso) que quando criou a disciplina de produção de texto infantil, fui das primeiras a me inscrever e a defender o que muitos criticaram, chamaram de bicho-grilice. Meu argumento, rememorou a mestre-fada, foi bem simples: - Por que não nos ensinarem a escrever para crianças? Não fazem nada de qualidade para elas hoje na mídia!
A visão de Gilka Girardello como formadora de novos profissionais de comunicação foi uma ação afirmativa. Não fossem estas iniciativas, como a de Luiza, ao criar a Mostra de Cinema Infantil e a realizar, ano a ano e com grande superação, como as de tantos outros preocupados com o presente e o futuro da humanidade, tudo estaria na mesma. Naquela situação de lá, a que me serviu para reivindicar o direito de ver no curso de graduação um tema útil, que qualificasse meu currículo e um dia me proporcionasse ser mais do que uma cumpridora de pautas. Obrigada Gilka.

Sobre o infinito


Deseje amar


Num dia de sol


Um céu da cor do meu sonho


Uns olhos da cor do meu céu, do meu mar


Meu coração desperta


Tua luz me preenche


Tua cor me pertence


De um tempo fugaz


Uma lembrança se faz


Fica aqui


Me abençoa


Cobre meu corpo como uma concha


No teu afeto abandonado


Eu quero ficar


No meu desejo de amar


Fica e deixa rolar


O meu amor pra dar


Queira aceitar

sábado, 26 de junho de 2010

Receita caipira

Mais um bocado e chega por hoje. Estou com milhares de pedidos vindos de todo o mundo de receitas (recebi a do croquete especial de São Francisco do Sul e tem uma exótica de torta de tangerina que preciso resgatar pra trazer aqui). Vou dividir uma que me é muito cara, extraída do livro não editado da Sinhá Saúde. É gostosa e saudável e a escolhi porque agora é tempo de se esbaldar com as delícias dos arraiá junino, sô. Com vocês, o Bolo do Sítio da minha personagem cozinheira de mão cheia, quituteira esperta que ensina a comer e viver bem. Anota aí e não torce o nariz pra abobrinha. O que parece ruim pode ser bom, experimente!
Ingredientes
3 ovos
1 xícara de açúcar mascavo
1 xícara de açúcar branco
1 xícara de óleo (canola)
1 xícara de gérmen de trigo
1 xícara de abobrinha
2 colheres das de chá de bicarbonato de sódio
2 1/2 xícaras de farinha de trigo
1 colher de chá (tipo, ajuda) de fermento em pó
1/2 xícara de leite
1/1 xícara de sal
1 colher de gergelim

Modo de preparo
Bata os ovos, o óleo e abobrinha no liquidificador. Misture com o açúcar (mascavo e branco). Acrescente o restante dos ingredientes, colocando o fermento por último (aquela colher de chá, lembra?). Despeje a massa em forma untada e enfarinhada, manda a Sinhá. Povilhe a massa com o gergelim e leve para o forno. Depois me manda um pedaço que é pra eu ver se deu certo. O convite pro arraíá também, que eu adoro pular a fogueira.

Esta tal felicidade

Para as coisas que não têm preço, nada de mensuração. Para o que não tem valor, nenhuma importância. A essência da vida está onde menos esperamos, em pequenas coisas nas quais não reparamos. Quando a mente não está a serviço de nossos anseios, um feixe de luz janela adentro ou o admirável reflexo da lua cheia no azul escuro do mar manso revelam-se a totalidade da satisfação. Aí reparo no pensamento de Tales Nunes, mestre em Antropologia, praticante e mestre de Yôga (reproduzido logo adiante) para falar de coisas simples que me fazem tão feliz e das que podem (e devem) te fazer esse bem.
Enquanto sacolejava meu esqueleto na pista embalada pelos hits dos 80 (as pistas mais divertidas bombam versões eletrônicas espetaculares com The Cure, Eurythmics, Depeche Mode, Talking Heads, B52's e tantos mais saudosos sons) reparei na instantaneidade desta tal felicidade como sempre esteve, aqui, não ali. Tinha complementado o pensamento de Saramago reproduzido por alguém outro dia no Facebook com o que extraí desse texto de Nunes. Sem a pretensão de vendê-la como verdade, o mestre oferece algo aparentemente simples, como respirar. Porém, mesmo esse gesto puramente fisiológico, quando recebe atenção, revela o tanto que ainda precisamos conhecer.
A busca
"Se você busca a felicidade, é porque crê que ela está em algum lugar fora de ti;
Se você procura a felicidade, é porque acredita que ela está perdida;
Se você corre atrás da felicidade, é porque acredita  que ela te escapa;
Quando pára,
Descobre a felicidade que sempre esteve ali, encoberta pela insistente busca.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Apagaram tudo

Nesta semana li que a prefeitura mandou pintar bancos instalados ao longo da praia do Bom Abrigo e, sem perceber, cobriu poemas de autores catarinenses grafados em preto no fundo branco. Quem foi lá e tornou tudo azul, não percebeu ou achou que não deveria questionar a ordem recebida, apagou a arte e nos privou de ler as letras e as palavras dos poetas nas nossas passagens apressadas pela rotina. Poetas Livres foi o grupo responsável pela intervenção artística há dez anos, quando da reurbanização do bairro, explicava a reportagem. Se acaso o grupo não puder refazer, que outros expressem ali algo de bom. A gente merece.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Nova no percurso



Eis o mais recente hit da série Nossa Ondinha é do Ziggy Marley. As músicas do pai conheço praticamente todas, ouço desde moleca. Mas confesso que nunca dei muita bola para o que os exemplares da extensa prole do rei do reggae fazem por aí, juntos ou em carreira solo. Um amigo me apresentou essa, achei bonitinha e fui atrás do cd. A pequena Buda já tirou a letra de ouvido, fomos conferir e a danadinha está com uma quase perfeita compreensão do que ouve. Pra quem se recusava a estudar inglês, tá saindo melhor do que encomenda. A música tem sido um estímulo no exercício diário pra ela. Como a profe usa filmes também em sala de aula, logo acho que vamos tirar as legendas aqui. Quero ver eu me virar nessa, vou ter de praticar na marra. Agora aperta aí o play no soudsystem e vamos cantar.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Como ativar seu auto defrost

Quem bate? É o friiiiiiio. O velho jingle das Casas Pernambucanas foi tão feliz que grudou para sempre e o frio neste ano chegou impiedoso nas suas primeiras 24 horas. Hoje, na prática matinal do Yôga, pela primeira vez ouvi estalos ao entrar nas posições. Nunca consegui essa proeza dobrando os dedos.
Além de caprichar nos pratos mais calóricos e sacar o figurino de inverno do armário, as massagens são ótimas para ativar a circulação e soltar a musculatura retraída pelas baixas temperaturas. Aquele hábito de esfregar as mãos umas nas outras e depois colocá-las sobre o rosto pode ser aplicado em todo o corpo, fazendo movimentos circulares e pressionando partes mais duras de braços, pernas (especialmente das panturrilhas, onde minha mestre diz ser um ponto de concentração da raiva. Vivendo a aprendendo. Eu só sabia do maxilar) e você sente seus membros descongelarem aos poucos. É delicioso e curioso utilizar os recursos do próprio corpo para sobreviver às intempéries. Assim como plantas, animais, pássaros e tudo o que dialoga com a natureza, somos seres dotados de todas as capacidades para qualquer necessidade. Se não as reconhecemos, é porque não prestamos atenção em nós mesmos. Aquecidos os dedos das mãos, deixa eu trabalhar agora que os teclados me exigem por hoje muito mais tempo sem luvas do que desejaria. Aproveitei para trocar minha foto de perfil por uma da coleção Inverno 2010. A essa altura as maçãs fuji de São Joaquim já começaram a ser colhidas, pelo que informaram os produtores locais, e logo os pomares serão uma paisagem totalmente diferente desta, com sua outra beleza particular.     

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Nós na Copa (na cozinha e na sala)

Tá engraçada essa Copa do Mundo. Quer dizer, não muito diferente das outras, neste aspecto do qual quero falar, está pra rir. Sou o tipo torcedora apenas, única e exclusivamente da Seleção no mundial de futebol. Se me perguntam para que time torço, respondo Flamengo. Só que isso é de nascença, não quer dizer que eu acompanhe futebol. Na famiglia Santoro, quem não é Flamengo vai para o banco. Sorte do meu pai que, quando foi escalado pela minha mãe, já torcia para o rubro negro.
Até agora tenho visto os jogos do Brasil na África do Sul em companhia das minhas amigas e a experiência tem sido interessante, mais engraçada do que qualquer outra coisa. Gritamos para as crianças pararem de gritar porque queremos acompanhar os "lances", mas sempre só uma de nós consegue e daí tem de narrar para as que desperdiçaram a trégua dos filhos ocupando-se de algum um assunto paralelo. A dispersão é quase geral. Falamos de tudo, dos uniformes, das jogadas, damos pitacos muitas vezes coerentes nem que sejam com a nossa conduta, não necessariamente com as regras vigentes naquela ocasião. Elegemos os mais belos, alguém sempre tem um comentário desses que leu nas revistas de estilo de vida sobre os guerreiros do gramado e, então, nos voltamos para a televisão para mais um grito de gol, mesmo com alguns segundos de atraso depois da conclusão da jogada, ou por engano. Acontece. Até cair a ficha de que a bola entrou na nossa trave, nos permitimos seguir algum coro ou puxar um equívocadamente. 
Corre lá pra cozinha, que tem mais uma receitinha saindo do forno, um balde de pipoca acalma a torcida sem álcool (uma tacinha de vinho só para relaxar). Imagina se estivéssemos na loucura da Copa, qual seria o prejuízo ao final dos 45 minutos. Melhor assim. Ué, já acabou? Nunca achei as partidas de futebol tão rápidas em toda a história da minha vida de torcedora ocasional. E já saímos dali combinadas para o próximo confronto, sempre com aquele dilema: faremos sem as crianças da próxima vez para ser mais produtivo? Nos associamos aos outros grupos? Nada se define, acertamos tudo faltando cinco minutos para o início do primeiro tempo e acho que essa tem sido a nossa receita de sorte. As crianças podem ser nossos amuletos. Até agora o Brasil só saiu ganhando! Vai lá Seleção, vai indo que nós já vamos.   

sexta-feira, 18 de junho de 2010

Lugar de pipoca é na Mostra de Cinema Infantil

De espectadora a colaboradora, minha filha neste ano estréia como blogueira oficial no site da Mostra de Cinema Infantil. As pipocas (Ela e a amiguinha Maria Rosa com a Dora, filha da minha sempre mestre Gilka e a Amanda, filha da Adri e precursora da coberura com olhar mirim da Mostra) publicarão posts sobre os filmes exibidos na programação da mostra. Obrigada Luiza pelo convite, que é uma honra, e parabéns para minha amiga Vanessa, a mãe da Maria, que cuida do visual da Mostra com muito talento e a toda equipe envolvida neste que é dos mais importantes eventos do calendário cultural catarinense. Estou orgulhosa da mini-me e ansiosa para ler suas impressões sobre as películas. É claro que como toda mãe coruja já espalhei para todos os amigos e distribui o link mundo afora. Vamos lá turminha, bora ampliar a audiência do bloguinho http://bloguinhodamostra.blogspot.com/ da Mostra de Cinema Infantil e lotar as sessões lá no Pedro Ivo Campos, de 19 de junho a 4 de julho. Confira a programação em http://www.mostradecinemainfantil.com.br/

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Inverno astral

É com grande satisfação que adentrei (no dia 30) ao que neste ano decidi chamar de inverno astral. Me ocorreu assim nomear os 30 dias que antecedem minhas 39 primaveras porque observo mudanças internas e suas influências externas com as quais fico feliz. Gostei do que li sobre o assunto e vejo porque jamais concordei muito com a alcunha mística ou religiosa que se dá ao mês do aniversário. Afinal, são 30 dias até você encontrar-se na data e horário exatos em que nasceu, motivo e tanto para alegria e celebração. Lembro que num ano desses passados, minha mãe ficou surpresa ao receber meu telefonema no dia do meu aniversário, antecipando sua tradicional chamada para as felicitações. Estranhou porque liguei para felicitá-la e agradecer. 
- Hoje você me trouxe ao mundo, parabéns, obrigada!
Foi algo que me deu na telha fazer sem nenhuma motivação que não a compreensão do que meu aniversário significava para ela. Quantas pessoas ligaram, foram até a maternidade me ver, levaram para ela flores e lhe deram os parabéns.  Passadas as sei lá quantas festinhas infantis nas quais ela também possa ter recebido parabéns pela filha (eu sempre parabenizo os pais nas festas, assim como os avós) acredito que não mais tenha sido felicitada por isso.
Neste ano meu estalo foi outro. Percebi um inverno dentro de mim, no qual permaneço quietinha, hibernando, aguardando o que o dia 30 me dirá sobre o novo que estará em mim a partir desta data. Não que eu espere acordar outra pessoa, sei que morremos com certos traços de personalidade e, sobretudo com certos valores. Mas acredito que vou concluir uma transformação em andamento. E isso é bom, sempre é. Então me diz, pra que chamar de inferno? Nem acredito neste lugar, apenas creio que ele deva ser um estado de espírito. O meu período é de inverno, aconchegante, de onde sairei feito um presente para mim mesma e, espero, para meus companheiros de jornada.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A saudade, as maçãs e o vinho

Longe de casa, há mais de uma semana, milhas e milhas distante do meu amor. Será que ela está me esperando? Eu fico aqui sonhando, voando alto, bem perto do céu...
Ela estava, como sempre, com uma beijoca cheia de saudade, do tamanho da que eu senti todas as noites ao deitar sem minha pequenina e ao acordar sem ter de preparar seu leitinho e chamá-la 557 mil vezes para sair da cama. Da terra da garoa sinto falta, adoro a rotina agitada, gosto dos estranhos solidários da cidade grande, dos amigos que são para sempre (não briguem comigo porque não deu tempo de nada nesses dias de feira, meus queridos e queridas) das possibilidades, das conectividades. Mas estar de volta à minha casa, ter a pequena Buda nos braços e ler seu cartãozinho de boas vindas é melhor do que tudo isso. Esta é a parte gostosa da vida, amar e ser amada. Para abrir a semana que merece ser leve, com descanso e paz, uns posts atrasados da press trip com O Globo pela serra catarinense, antes do embarque para o Salão do Turismo.

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Os japoneses são responsáveis pela cultura da maçã em São Joaquim, na serra catarinense. A presença deles está registrada não só nos pomares que movimentam a economia local, mas no monumento da praça central na cidade da neve. Destino indutor do turismo de inverno no Brasil, São Joaquim tem na igreja matriz duas esculturas "escondidas" lá nos fundos da construção em pedra, Adão e Eva experimentando o fruto da terra,  o que lhes custou a expulsão do paraíso. Este é um pomar do tipo Colha e Pague, ao longo da serra e estas são maçãs Fuji, a espera da colheita que vai até junho. Dos dez tipos de uvas (oito tintas e duas brancas) cultivadas no alto da serra, onde o clima é frio e seco (embora também chova, com a frequência necessária para o cultivo das tintas, que exigirem maior tempo de maturação) São Joaquim extrai o vinho tinto, branco, rosé (o mesmo que Madonna provou e teria levado em sua última estada no Brasil) de excelente qualidade. São os vinhos de altitude, com uma característica da Villa Francioni, que é de produzir em corte, ou seja, utilizar dois tipos de uva em um mesmo vinho. Quem explica ( e eu espero ter entendido corretamente) é o expert Orgalindo Bettu, enólogo da vinícola-grife da serra catarinense. Natural de Bento Gonçalves, cresceu entre os parreirais e vendo o pai produzir o mais apurado artesanal com maestria. Sereno como todo apreciador da bebida e humilde para quem detém admirável domínio sobre o tema, Bettu não lembra do seu primeiro gole. Mas nos ensina, como quem conhece desde o ventre, a apreciar a bebida em uma deliciosa degustação prevista no final do roteiro de visita à vinícola oferecido a turistas em São Joaquim.  Confesso que, a cada troca de taça, me custava esvaziar tudo no recipiente diante de mim e aguardar o próximo. Tão precioso líquido, despejado assim...fui logo querendo saber como era a degustação a cada 15 dias lá na linha de produção. Sim, porque haja vinho para manter ali nas barricas 225 litros, capacidade para fabricar 300 mil garrafas/ano (fazem metade hoje).



A paisagem em  300 hectares da vinícola, a mil metros de altura é o começo do nosso roteiro, observando a grandiosa construção em tijolos recicláveis, com aberturas em vitrô, idealizada por Manoel Dilor de Freitas. O passeio acontece desde a galeria de artes, onde já estiveram expostas obras de artistas como Camille Claudel e outros que integram o acervo de Lily Marinho (ela está fotografada entre tantos outros famosos conhecedores da bebida convidados para as degustações da Ville Francioni). No piso onde a uva se processa, vira vinho e é engarrafada toda a produção da VF, obras em mosaico de Rodrigo de Haro (o pai, Martinho, era joaquinense) promovem a integração entre o prazer de beber um vinho de boa qualidade (prometo que depois desse dia nunca mais reclamo de preço, agora que sei que uma simples rolha pode custar R$ 5,00, garrafas e barris são importados e bem caros. A média de preços da marca é de R$ 50,00) e o de observar a arte na parede. O sexto e último nível de maturação dos vinhos é escuro, com temperatura de até 18 graus, o lugar que Bettu chama de "coração da vinícola" tem cheiro acentuado de vinho e não mais do carvalho das barricadas. Lá os barris estão arranjados em pirâmides. Os tintos amadurecem nas barricas, depois nas garrafas, ensina o enólogo. Dentre os brancos, somente o Chardonnay carece desta etapa na garrafa. Lá tivemos o prazer de conhecer a mais nova criação de Bettu, a champagne VF que deverá ser lançada em 2011. Na foto, ele nos mostra como funciona o método de maturação do vinho na garrafa chamado champenoise, desenvolvido lá pelos idos de 1600, quando Don Perignon descobriu a fórmula dos espumantes. Curiosidade que Bettu nos acrescenta, ao permitir que degustemos a novidade: quanto menor e mais delicada a perlage, mais qualidade tem a bebida com a qual celebramos a vida. À noite, na residência anexa, disfrutamos de um delicioso jantar serrano protegidos pela calefação e bebemos mais um pouco do melhor de todos, ouvimos música, papeamos. Agora bem mais ousados, sabendo o que falar ou pelo menos testando a paciência de nosso sábio Bettu, a nos maturar a cada lance depois de misturarmos o líquido, percebermos o buquê, segurarmos o primeiro gole na boca e dispararmos nossas opiniões. Grazie, Bettu!