quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Destino

Há uma flor no meu jardim, uma linda flor amarela e perfumada. Só penso em quanta coisa boa esse delicado presente da natureza coloca em meus dias, o quanto sua imagem me encanta, me envolve, me alegra. Outra pequena vida tenho em mim, de mim para o mundo, meu trabalho mais profundo. Ela me abençoa por sua existência, me torna diferente há cada dia, melhor a cada hora, me completa em tantas outras coisas boas que estão dentro de mim. Luz da minha casa.
A felicidade é isso, vem de dentro, dessa certeza preenchida de luz, de vivas cores, de perfumes agradáveis, de sorrisos, de amores, de paz, de fé, esperança. Vivo, vivo intensamente, internamente e aparentemente. Amo, amo internamente e aparentemente. Sorrio, sorriso fácil, não importa onde, nem para quem, importa que ele é verdadeiro, que ele é puro e é sincero. Nosso destino é um jardim repleto delas, as lindas flores, cheio de amores, livre, livre, livre, livre, como eu sou.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Mais para Malu Mader do que para Malu Mulher

Adoro minhas amigas órfãs de seriados dos anos 70 que nem eu. Outro dia, uma engraçadinha me mandou uma foto da Regina Duarte naquele Malu Mulher. Sabe aquele em que ela faz a desquitada (na época era moda falar desquitada ou divorciada) e sua filha (Najara Turetta!) cheia de problemas pertinentes aos adolescentes naqueles anos?
Não que eles (os filhos, as situação da vida) sejam muito diferentes dos de hoje, mas acho que somos menos dramáticas que a Malu, bem mais práticas e descoladas. Graças a Deus. Também somos mais joviais, mesmo aos quase 40. Os editoriais de Cláudia e Marie Claire já anunciavam ali pelo início dos anos 90 que balzaquianas, só beeeem depois disso. O ser humano evolui, até um dia nascer sem dente siso, apêndice, essas coisas desnecessárias. Não precisamos ser chatas por motivo algum, certo? E, sinceramente, acho a Malu Mulher batalhadora e tal, mas é meio sem sal (não sei é poque a Regina Duarte a fazia assim) daquelas que adora entupir os ouvidos dos outros com chatices, tudo é problema, dilema, sofrimento. 
Mas aí quando eu li as matérias das revistas femininas sobre os novos perfis de mulheres, naquela ocasião não fiquei nem um pouco surpresa. Desconfiava disso e teria sido personagem das reportagens, se elas não tivessem sido editadas antes do dia em que minha mãe me colocou no meu devido lugar, pelo telefone, aos 30 anos. Liguei pra anunciar que estava grávida e chorei copiosamente, enquanto ela, muda, me ouvia soluçar: v-o-u  s-e-r  m-ã-e...
Ela achou que eu estava emocionada (e de fato eu estava) mas as lágrimas daquele momento ao falar com minha mamãe eram de medo, verdadeiro pânico de ser eu a mãe agora, quando me sentia uma adolescente, incapaz de me transformar assim, da noite pro dia. Ela me enquadrou, obviamente. Eu, como sempre, peguei no tranco. Até outro dia (mais precisamente há uns dois anos) eu ainda era meio garota, confesso. Agora sei lá, não é só porque ando de salto todos os dias, trabalho maquiada e quero um carro sedan que acho que estou mudando. Gosto mais de vinho do que de cerveja, mas só bebo uma vez por semana. Prefiro sair pra jantar, ir ao teatro, cinema ou festas. Não tenho paciência pra guitarras (eu deveria estar naquela passeata de 67 que Caetano detonou no filme que vi outro dia e comentei aqui). Meu gosto é mais exigente do que nunca no geral, não só para bolsas, perfumes e sapatos, entre outras preferências de consumo. Como tenho uma filha pequena para criar, não perco as medidas neste aspecto, me contento em ter meu bom gosto. Por enquanto.
Voltando aos seriados, outro remake me chega aos ouvidos em forma de pérolas que só as amigas despejam para nos fazer rolar no chão de tanto rir. Olha essa: "amizade colorida". Não lembro qual foi a última vez que ouvi esse termo, mas faz tempo. Pois como quem responde lá do topo da experiência de vida e relacionamentos, ela me saca essa do fundo do baú: - Ai, eu não quero mais saber de compromisso. Comigo agora é só amizade colorida. Relembramos tudo, da trilha sonora até a cara do Fagundão (ele mesmo, Antonio Fagundes, o galã barulhento de várias gerações) fazendo as vezes de fotógrafo gato e se dando bem entre as "amigas". Ai, ai, o que seria da vida sem esses momentos bembi (zarros), né?

sábado, 16 de outubro de 2010

Não queira ver uma menina brava

Quando a pequena Buda estava aprendendo a andar, meio a contragosto deixei que usasse um andador que ganhou de presente. No apartamento o espaço já não era o ideal e ela sempre foi muito participativa, me seguia por todo canto. Naquele dia, entro na cozinha e ela fica entalada na porta, por causa do bendito andador, que era largo feito um disco voador. Aí, pela primeira vez, ela manifestou indignação ao ver que ninguém notara sua dificuldade em se locomover e disse a que veio: - Eiiiiiiiiiiiii, nenéééééééééééééém!!!!!!!!!
Esse vídeo da Isabela indignada com a porta fechada diante do pai me fez lembrar essa passagem. É muito engraçado mesmo. Não é à toa que está batendo recorde de acessos no Youtube. Dica de Jonas Brother que vale conferir.


sábado, 9 de outubro de 2010

Encantador

O encanto está no olhar


Diante de mim objetos reluzem
brilhantes, brilhantes
ao toque do meu olhar

Sobre mim se elevam, pululam
dançantes, dançantes
ímpar, busco neles um par (sem nunca encontrar) Des/vendo-me neles
aprecio a dança do tempo
e, sentado em mim, descubro
o encanto está no olhar

(Tales Nunes)

www.vidadeyoga.com.br

domingo, 3 de outubro de 2010

O tempo é rei

Gil tem fama de falar, falar e nada dizer. Ontem ouvi dele as palavras de sabedoria maior em todos esses anos de Refavela no meu top hits. "Minha música não tinha nada a ver com aquilo, era um om", desculpou-se ao confessar sua inadequação ao novo, que era a Tropicália. Também soltei gargalhadas com Chico (Buarque) dizendo que não lembrava de ter aderido ao figurino exotic dos novos baianos e agregados nas ditas reuniões de organização do movimento que quebraria com a ordem vigente dos músicos populares brasileiros porque foi a todas as reuniões bêbado. Aí concordava com tudo e depois não conseguia se livar do "velho" que habitava seu corpinho de 23 anos, trajado de smoking nos festivais da Record.
Na fileira que ocupei, buscando exclusividade, somente sentaram dois sujeitos que, como eu, riam sem parar a cada depoimento dos artistas como Caetano, Roberto Carlos, Edu Lobo e outros. Não era somente engraçado o figurino (o vestido de Cidinha Campos rosa pink e verde chuchu e a camisa branca de babados rococó de Roberto Carlos pronto pra cantar um samba) e sim as respostas monossilábicas e lisérgicas dos entrevistados. Aí apareciam os velhos cansados de guerra no presente, avaliando seu passado. Gil comenta que nada pode ser mais engrandecedor do que o amadurecimento, Chico ri de sua timidez disfarçada pela caretice que ditava seu visual no palco, diferentemente do que acontecia nos bastidores. Edu Lobo meio descontente com o que não viveu, invejoso dos novo baianos, também disse ser uma artista fora dos padrões da época. Verdades necessárias como essa de Caetano "Queria me livrar de Alegria, Alegria como Chico se livrou de A banda" são pertinentes. Assim como admitir que, mesmo quando era mocinho, a noção do ridículo existia para alguns. Caetano conta que ficou do hotel na Brigadeiro Luiz Antonio com Nara (Leão) vendo a passeata contra a invasão da guitarra na MPB como se aquele fosse um verdadeiro ato fascista. Aos 66, bem mais apresentável, ele sente saudade da disposição, apenas. Mas cá entre nós, Caê é mais bonito agora.
Esse foi o documentário imperdível Uma noite em 67, que assisti numa sexta de muita chuva e vento no cine Paradigma, meu novo admirável espaço de entretenimento. Os meus colegas de fileira, que como eu choraram de tanto rir ao longo da exibição, na saída quiseram deixar registrada a reação diferente da que o restante da platéia jovem, admirada a cada imagem em os astros dos festivais concedem entrevista com um cigarro aceso nas mãos, expressou. "Cara, a gente tava nesse show do clube doze em que o Gil foi preso." Abraçados, emocionados, seguiram porta afora, caminhando contra o vento.

sábado, 2 de outubro de 2010

Mãe é mãe

Depois de passear por meu blog, um amigo curioso por saber o que penso dispara: - É blog de mãe!
Isso e um pouco mais. A divisão exata (se é que podemos nos definir com tanta precisão) é a seguinte: 90% mãe eu sei que sou. Nos 10% restantes, sou muitas coisas apertadinhas nesse percentual bem importante e intenso, mas não fundamental desde que minha pequena Buda veio como o presente mais lindo de Deus nesta existência. Então, aí vai minha corujice mais recente