sexta-feira, 30 de abril de 2010

Carta para o meu amor

Minha filha, aqui estou eu pronta para festejar (porque agradecer por você, o faço todos os dias no meu papo com Deus) seus oito anos. Desde os 19 milímetros, quando te avistei pela primeira vez no ultrassom, te amo. Desde as minhas preces te pedido a Deus (e ao Senhor do Bonfim, quando amarrei aquela fitinha lá grade da igreja dele na Bahia) te espero, te desejo. Agora te vejo crescer e aprendo contigo a ser mãe, a ser uma pessoa melhor, a viver no mundo dos adultos, responsável não mais somente por mim, mas por alguém que eu trouxe à vida, para uma existência. Ensino a você o que aprendi com a minha mãe e meu pai e com a vida.
Sei que você me conhece como te conheço, que você também sabe tudo o que sinto, desde que habitavas meu ventre. Das alegrias aos medos, coisas que todos nós temos, gente pequena e gente grande, da hora que nasce até hora em que morre. Um dia, quando voltávamos da natação, eu segurei você ainda na minha barriga e te disse: - Estou ansiosa porque falta pouco pra você sair daí, vai ser demais ver seu rostinho, saber como você é. Mas estou com medo porque aqui te carrego em segurança, meu amor.
Você nasceu e este foi o dia mais feliz da minha vida. Esse medo foi embora e descobri um mundo novo. O tempo passou e com você desvendei em mim um novo ser: forte, leve e livre.
Você está comigo desde a sementinha e só me faz feliz, a cada segundo, a cada sorriso, a cada birra, a cada momento compartilhado nesses oito anos. Como sempre digo, serás meu bebê até quando fores um adulto, como eu, que ainda ri de bobagens, chora, faz birra, tem coragem, tem medo, acerta, erra, aprende, evolui. E o meu colinho para sempre terás, minha Bela flor, minha pequena Buda,  meu grande, sublime, verdadeiro e mais puro amor.
Ah, e não me arrependo nem um pouquinho de ter ajudado você a encaixar o dedinho na boca, aos dois meses, quando percebi que, como eu, você não gostava de chupetas e precisava do dedinho amigo para dormir e se acalmar (até calinho igual ao meu você fez!). Eu também sabia que um dia isso ia passar, porque tudo passa nessa vida. Olha eu, não chupo mais dedo e larguei esse hábito (nada bom para a saúde) aos oito anos. A Neiduca (nossa dentista amada) que me perdoe, mas eu confesso esse pecado maternal, embora já esteja contigo, minha filha, na campanha do "fora dedo" e fazendo orçamento do aparelho ortodôntico pra ajudar você ficar com um sorriso ainda mais lindo.
    

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A vida é tão rara

Ler, praticar e aprender são dádivas da existência. Lenine é rei em traduzir essas coisas em canções, tô redescobrindo o cabra. Hoje, lá na premiação do WCT, na linda praia da Vila em Imbituba (venceu o brasileirinho vindo do pobre Nordeste, sem lenço nem documento, cheio de talento) veio a homenagem dos organizadores para a família do Ledo, morto brutalmente em um assalto, notícia que estampou com horror o noticíario da ilsa bonita. A mulher e os filhos dele receberam rosas brancas, uma prancha simbolicamente preparada, o megacampeão mundial (que hoje desceu do trono) entregou o troféu para o menino Ícaro, trocou palavras de ânimo com o garoto que perdeu o pai assim, num rompante de violência, num encontro inesperado com essa energia densa e totalmente controlável por nós, humanos. Aliás, são tantas as energias (especialmente as boas) que dissipamos por aí sem saber o quanto valeria sua preservação para o bem do corpo e da alma.
Outro dia eu tava ouvindo Lenine e veio ele com mais uma sábia letra, Paciência.

Mesmo quando tudo pede


Um pouco mais de calma

Até quando o corpo pede

Um pouco mais de alma

A vida não pára...


Enquanto o tempo

Acelera e pede pressa

Eu me recuso faço hora

Vou na valsa

A vida é tão rara...



Enquanto todo mundo

Espera a cura do mal

E a loucura finge

Que isso tudo é normal

Eu finjo ter paciência...



O mundo vai girando

Cada vez mais veloz

A gente espera do mundo

E o mundo espera de nós

Um pouco mais de paciência...



Será que é tempo

Que lhe falta prá perceber?

Será que temos esse tempo

Prá perder?

E quem quer saber?

A vida é tão rara

Tão rara...



Mesmo quando tudo pede

Um pouco mais de calma

Mesmo quando o corpo pede

Um pouco mais de alma

Eu sei, a vida não pára

A vida não pára não...



Será que é tempo

Que lhe falta prá perceber?

Será que temos esse tempo

Prá perder?

E quem quer saber?

A vida é tão rara

Tão rara...



Mesmo quando tudo pede

Um pouco mais de calma

Até quando o corpo pede

Um pouco mais de alma

Eu sei, a vida não pára

A vida não pára não...



A vida não pára...

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dona Lurdinha

Muito prazer, sou Lurdinha, a mãe do Cascão. Imersa no fabuloso universo de Maurício de Sousa desde os cinco anos (confesso que adoro os novos, da Turma da Mônica Jovem) minha filha resolveu me encontrar entre os personagens que habitam os gibis espalhados por vários ambientes da casa. Que tal? Para ela eu sou Lurdinha, a mãe do Cascão.
_ Mãe, vem aqui ver porque que te chamo de mãe do Cascão! Grita lá do banheiro.
- Tá, deixa eu ver se me pareço mesmo com ela.
Ela me aponta na página e avisa.
 - Sim, você até parece, mas não é por causa disso.
 Enquanto preparo o jantar, elaboro questões para simular a primeira prova dela na escola (ah, desculpe, não é prova, é avaliação) e ajudá-la a estudar (tadinha, parece tão pequenina para isso,  meu bebê girafa). Ela me observa quieta e resolve explicar de onde vem a comparação com a personagem da Turma da Mônica.
 - Você é igual a ela porque não fica parada nunca, tá sempre fazendo coisas.
 Só os gibis já justificariam minha atividade frenética. Eles estão por toda a parte, no banheiro dela, no quarto, na sala, às vezes debaixo do sofá (ai,ai,ai). No chão, são tão ameaçadores quanto uma casca de banana. E mais: se eu não mandar umas 557 mil vezes pro banho, ela escapole, a Cascona!

terça-feira, 20 de abril de 2010

Self made woman

Época de contenção de gastos, cortes drásticos no orçamento, nem o conserto da máquina de lavar é prioridade. Ninguém precisa de MBA para saber que é hora de aplicar as conhecidas táticas da Self Made Woman. O problema é pintar as unhas e descobrir que acetona acabou (que uó!), esquecer que antes de pintar as unhas deveria ter lavado as roupas (a máquina tá quebrada, alôôô!), aplicar a mistura hidratante nos cabelos e massagear a raiz sem que o esmalte tenha secado. A gente se vira, sabe fazer tudo sozinha, mas precisa de prática, concentração. Se em casa o prejuízo é quase nenhum, no trabalho é bem diferente.
Na semana passada tomei lições de como ser uma competidora, digamos, menos boazinha no ambiente profissional. Não pra sacanear os outros, evidentemente, para exercer certa direção defensiva. Cheguei em casa, ponderei as dicas (de uma colega mais experiente e sagaz) e reeditei meu manual de conduta: nem Pollyana, nem Cruella Deville, justa e fiel aos meus valores sempre acertei mais do que errei.
Lembrei da executiva brasileira (Amália Sina) a que chegou a presidência da Walita e Philip Morris do Brasil aplicando uma tal de Teoria dos 70%, que ela inventou para equilibrar sua vida pessoal e profissional. Segundo ela, não precisamos ser 100% mãe, 100% amante (esposa, namorada) nem 100% profissional. Se formos somente 70%, já está valendo, é um bom desempenho. Como medir isso? Perspicácia.
Aproveita e anota aí. Inimigos mortais da Self Made Woman: ansiedade, duas taças de vinho com celular e internet à mão e TPM (ou qualquer outro deflagrador de descontrole emocional).

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Sabadeiras

Ah, tá, eu tinha prometido pra ela que nosso clipe preferido da baladinha deste sábado, quando ficamos as duas até quase meia noite brincando de "botar som" no youtube e dançando de pijama, estaria no ar no meu blog hoje. Tudo bem que invertemos a ordem, sábado vem antes de domingo, mas nunca é tarde pra fazer a vontade dos filhos. Com vocês, Jack Johnson e George, o macaquinho, mais um hit nas paradas do final de semana.
Queria emplacar as dicas da minha amiga psicóloga, eu  me esforço, mas nem sempre consigo.
Faço minha filha dormir na cama dela, ela vem pra minha. Faço ela dormir na minha e, quando ela pega no sono, levo pra dela. Ela volta pra minha novamente e ainda diz com aquela carinha amassada: - mãe, olha, já amanheceu, agora pode. E nem quero me defender, porque só de pressentir aqueles passinhos se aproximando, automaticamente rolo pro canto, estico meu braço e nos enroscamos satisfeitas. Sou o tipo mãe-pudim querendo ser rapadura. Mas tá bom. Meu mantra, eu já disse aqui, é "aceito". Lá no ióga, a gente escolhe uma frase pessoal pra mentalizar antes de iniciar as práticas do dia. A minha é: sou forte, sou leve, sou livre. Agora vou acrescentar "sou flexível". Som na caixa!

domingo, 18 de abril de 2010

Domingueiras

Socializei a música do remix do qual falei no post abaixo com minha filha, aí virou hit aqui em casa. Não a versão electro house, a original. Claro, clipe com princesa e fantasia, é compreensível, toda menina gosta, inclusive eu. Aí a Vanessa e a Maria vieram aqui e botamos pra quebrar dançando todas as versões no escritório. Até porque (olha o zeitgeist!) a Vanessa andou a semana inteira ouvindo a mesma There must be an angel por Fernandinha Takai (que meiga!) e me apresentou. Atendendo a pedidos de nossas filhotas empolgadas com a baladinha caseira do domingão, aí vai o clipe fofo.



sexta-feira, 16 de abril de 2010

Roteiro de delícias

Conhecer tecnicamente os destinos catarinenses é uma deliciosa aventura. Desde o I Salão Catarinense do Turismo que ensaio este post. Meu trabalho me aproxima de tantas coisas das quais gosto e por isso sou grata, mas nem sempre consigo parar para escrever extra-oficialmente. A gastronomia em Santa Catarina, sobretudo quanto à variedade e a qualidade de cozinhas especializadas, me convence de que o presente é auspicioso, o futuro promete. Se há um requisito que pesa na balança dos viajantes “auto-organizados”
(segundo as pesquisas do Plano Catarina de Marketing Turístico eles são 83% dos que visitam o estado) talvez mais para a fidelização daqueles que cultivam o hábito de viajar uma, duas vezes por ano (casais, famílias, profissionais liberais, grupos de terceira idade) do que para a escolha do destino, é a gastronomia.

Nesta semana tive a chance de degustar pratos de restaurantes de Floripa e de Balneário Camboriú, os dois principais destinos catarinenses, na mostra Brasil Sabor da ABRASEL e na Mostra Gastronômica promovida pelo Convetion Bureau de Balneário Camboriú. Mais do que a boa comida e busca pela técnica é perceptível a valorização do produto regional no conceito do produto gastronômico. Cozinha contemporânea com pitadas de tradição cultural. Provei aqui na mostra em Floripa o famoso salmão do Chaplin (de Balneário) e tive de me render ao que já tinha ouvido sobre o prato da casa. Na mostra de lá fui atrás de um repeteco, mas o prato em degustação era um penne al mare (superb!) farto em mariscos, lula e segredinhos da jovem chefe de cozinha do restaurante. Outra observação: a formação profissional e a presença deles nas cozinhas das rotas mais organizadas é quase uma unanimidade.

Não escondo minha preferência por peixes. Dei mais uma volta no salão da mostra no hotel Recanto das Águas e terminei seduzida pelo ceviche (iguaria da culinária peruana) de salmão do Pharol, um dos mais antigos restaurantes da cidade catarinense que tem uma demanda turística cada vez mais exigente. Outra grata surpresa, ainda mais em se tratando de um veterano, geralmente resistente a mudanças.

Night and day

A noite é o prato principal do menu de atrações do balneário preferido dos aposentados e dos que nem pensam em sossegar tão cedo (fantástico o set de Hector Lopez com a versão electro house de There must be an angel, do Eurythmics, na inauguração do Baleares, uma linda casa estilo mediterrâneo com decoração oriental. Namastê!). Convidativa e variada é essa vida noturna de Balneário, com sua orla iluminada ao longe pela Ilha das Cabras, paisagem verde-luz bem no meio do mar. Quando o sol nasce, ainda mais fascinante é o verde do mar do Estaleirinho, praia que me fez lembrar os recortes da Barra do Sahy. A areia grossa também se assemelha à da mansa praia do litoral norte paulista. No Estaleirinho as ondas desafiam a coragem até dos surfistas. Demorei a encarar a arrebentação ali no raso. Depois, quarenta minutos de meditação na pedra mais alta do costão foram mágicos e a explosão das ondas bem perto de mim, um inesquecível espetáculo da natureza.

O próximo post desse tema será sobre a histórica São Francisco do Sul, mais um paraíso catarinense que atrai brasileiros do Paraná, de São Paulo, e estrangeiros do mundo todo. Além do valioso patrimônio cultural, a cidade tem uma receitinha de croquete de camarão que experimentei no Salão Catarinense do Turismo e nunca mais esquecerei. Jamille, a aguerrida secretária do turismo local ficou de me mandar o passo-a-passo do salgadinho para eu divulgar aqui no blog. Fizemos até fotos para postar, porque ele não é croquete comum, a receita tem um apelo visual que acrescenta e muito ao sabor. Mas não vou contar agora, é surpresa. Se quiser comer, vai lá na 22 ª Festilha (15 a 18 de abril), não tem?

terça-feira, 13 de abril de 2010

Mulher necessaire

Só leio matérias de saúde e beleza nas revistas femininas em consultórios e, graças a Deus, minha visita a eles é somente duas vezes por ano, para as revisões necessárias, tirando aquelas regulares ao dentista. Acontece que nesse ano me aconteceu o inexplicável: um dente de leite resolveu dar espaço ao permanente e umas espinhas me fizeram ficar com cara de adolescente aos 38! Ainda bem foram panes temporárias, fáceis de resolver. Embora algo de fato tenha mudado a minha vida.
Não leio mais aquelas matérias só na revista dos outros, comprei uma revista feminina por causa de uma manchete do tipo "20 truques para sua pele ficar linda até os 60". Tudo culpa do dr. Nilson, o dermatologista que cuida de algumas colegas de trabalho a quem recorri quando precisei de um expert em pele boa, já que a minha tez de jambo, tratada a água fria, demaquilante, líquido adstringente no verão e nada mais de frescura, andava querendo me puxar o tapete. A mais vaidosa das minhas colegas sacou a necessaire de três andares, que não sei como cabe dentro de suas bolsas, e começou a me mostrar um creme para noite, outro para o dia, outro pra tarde, uma máscara disso, um ácido. Ácido? Tá maluca, garota? Isso tudo ficava no andar térreo da bolsinha de artigos de uso diário dela, onde carrega seus segredos de beleza, muitos deles manipulados de acordo com as receitas do dr. pele boa. No segundo andar tinha cremes para as mãos, pés, desodorante com perfume e sem perfume, umedecedores de cachos (disso eu gosto, os meus são meio rebeldes dependendo do dia) e o terceiro andar era de maquiagem. Até desanimei, haja dinheiro para investir nesse arsenal e tempo para aplicar tudo, na hora certa. Mas vamos lá, pode ser que o meu caso não seja para tanto. Afinal, sempre ouvi dizer que peles morenas e negras, por causa da maior dosagem de melanina, estão protegidas do envelhecimento e não exigem os alardeados tratamentos preventivos. Pois foi só eu pensar em argumentar, que o dermatologista, antes mesmo do diagnóstico, disparou à queima roupa: - Olha, as peles morenas como a sua, por causa da melanina em maior quantidade, são ainda mais sensíveis ao sol, podem manchar com mais facilidade, sobretudo quando estiver com uma espinha ou cicatriz. Bom, como o problema era passageiro (apenas um quase revival do que nem experimentei no auge da idade reagada a hormônios) e não tenho cicatrizes (nem espero ter) continuei convicta. Ele notou, mas concluiu seu trabalho.
Desfiou um rosário de recomendações sobre as camadas de gel, cremes e outras melecas que eu teria de aplicar no meu rosto diariamente e, de quebra, desmitificou a proteção que eu achava que tinha contra o envelhecimento, com minha pele moreninha, com mais melanina que a dele e das minhas amigas seguidoras de seus tratamentos. Foi então que o cruel especialista desferiu o golpe de misericórida. Estendeu a mão com a receita, incluindo um tratamento antiidade (como se isso existisse. O único antiidade que conheço é a morte e eu quero mais é viver até uns 80).
Ainda fui repreendida:  - Esses tratamentos começam até antes mesmo dos 30. Ah, deixa pra lá, não vejo rugas agora em mim e não me importo com as que terei quando a vida achar que devo. Na verdade, acredito mesmo na teoria da melanina do bem, que o dr. não me ouça. Saí do consultório com uma receita de uns quatro cremes, dos quais só comprei e uso o que me tirará da adolescência tardia. Definitivamente não estou pronta para administrar uma necessaire de três andares e adoro lavar meu rosto com água bem gelada (vi isso uma vez em um filme francês quando tinha meus 20 anos e desde então é minha receita) faça calor ou frio. Além do mais, aposto na boa alimentação, no bom humor e na felicidade para ficar com a pele boa.
Para variar, a manchete que me fez comprar a tal revista feminina era enganosa, a matéria inconsistente, meramente vendedora de marcas e tendências da indústria de cosméticos. Não se aproveitava praticamente nada do conteúdo, que mais parece o de um catálogo. Admito que comprei por impulso, ou essa leitura é para ser adquirida somente em ocasiões especiais (mais emergenciais do que especiais) como aconteceu comigo. Sei lá, deixa para as editoras descobrirem. Como não foi dessa vez que não entrei para o segmento mulher-necessaire, permanecerei fora do target.   

sexta-feira, 9 de abril de 2010

A sabe-tudo ataca novamente


Quando digo que botei no mundo uma pequena Buda, não é só porque ela vive tentando me ensinar a fazer "invertidas" e outras posições desafiadoras de minha atual elasticidade com o que aprende do Ióga. Ontem me contava a lenda de Shiva.
Hoje pela manhã, naqueles episódios diários de educar os filhos, recorro a uma cassação do direito de uso do computador por um dia. Foi por causa de uma resposta malcriada que ela teria me dado.
 - Mas por que  mamãe?
  - Ué, porque você foi malcriada. Disse tal coisa.
 - Não, eu não disse. E não posso ser malcriada porque sou criada por você! (ai, que fofa!)
 - Você disse sim, eu ouvi!
 - Não, eu disse "já fiz a lição hoje."
 - Jura? Então me desculpe.
Relembro a lenda de Shiva que ela me contou na noite anterior e extraio dali duas lições, para cada uma de nós.
- Mãe, o Shiva foi meditar lá no topo da montanha e não percebeu que ficou por 20 anos sem dar notícia para a esposa. Aí, quando voltou, um moço abriu a porta da casa para ele. Shiva puxou a espada e cortou a cabeça do moço, porque achou que ele era o namorado da mulher dele. Só que não era. A esposa veio e contou que o moço era o filho deles (Lord Ganesha) que nasceu e cresceu enquanto o pai estava sumido. Foi então que os amigos do Shiva ajudaram ele. Cortaram a cabeça de um elefante (ai, que dó!) e deram para ele colocar no lugar da que tinha decepado numa atitude precipitada (embora nada justifique cortar a cabeça de alguém, acho eu). Assim o filho dele viveu com uma cabeça de elefante.
Aprendi a ouvir (bem) antes de reagir.
 - Filha, quando os pais, os avós, a professora estão nos educando, ensinando o certo, não devemos retrucar, responder com afronta. Aliás, não devemos agir assim com ninguém, nem com os amiguinhos. Ou eles podem devolver da mesma forma, até pior. Tem um ensinamento budista, numa canção chamada Desapego, dos The Darma Lóvers, que diz: "minha voz é parte do teu ouvido, quando a palavra sai bem..."
Aprendeu a respeitar para ser respeitada.
  

Não é Cosme e Damião, mas tem doce para todos

Do blog do Fifo (http://cine-luz.blogspot.com/) vem a dica para não perdermos Doce de Coco em exibição pelo estado neste mês e no próximo. O filme de Penna Filho será exibido gratuitamente em 25 cidades catarinenses a partir de 8 de abril e entra em cartaz no circuito nacional em 14 de maio, em São Paulo. Mais um pouquinho e eu estaria lá na platéia, bem orgulhosa, já que desembarco na metrópole no mesmo mês para o Salão Nacional do Turismo.
Porém, o que motiva este post, mais do que a curiosidade para ver essa nova produção catarinense, é o fato de, tanto as exibições em Santa Catarina, quanto a nacional, pelo sistema digital e em película, integrarem o projeto “Cinema Para o Povo Sem Tela”, apoiado pelo Funcultural - Fundo Estadual de Incentivo à Cultura. Inicitiva e tanto essa, porque o que fazemos tem de circular, o contribuinte catarinense deve ter acesso à produção que ajuda a financiar, não é mesmo? A recente Mostra de cinema Brasil-Alemanha (Diálogos em Cena) também foi itinerante e gratuita. Para quem não sabia ainda, o Fundo Estadual de Cultura incentiva a Maratona de Cinema de Santa Catarina, um projeto com quatro anos de estrada. A tela itinerante já levou cinema para mais de 200 mil pessoas, em cidades onde as salas de projeção nunca existiram, foram extintas e, sobretudo, onde a população não pode pagar pelos ingressos ou pelas locações de vídeos. Nágela Fadel, que criou a Maratona e executa o projeto com a ajuda de um assistente (dirige o carro, monta a tela e improvisa cadeiras em praças públicas, salões paroquiais, ginásios de esportes, escolas públicas e associações de moradores) diz que hoje as cidades ligam perguntando quando a Maratona vai passar. As sessões são por faixa etária, bem como a seleção da programação (blockbusters, curtas e longas catarinenses, docs, filmes nacionais e estrangeiros). Algumas aniações já exibidas na Mostra de Cinema Infantil, até onde soube, foram incluídas nesse circuito quase mambembe, bem ao modo Bye Bye Brasil, e a criançada do interior deve ter adorado conhecer personagens e narrativas diferentes, de autores outros países. Os idosos também comparecem em peso, segundo os relatos de Nágela. Muitos até colocam a melhor roupa para "ir ao cinema", é realmente um dia diferente em suas rotinas. Isso não tem preço para quem faz arte ou mesmo acredita nela como meio de inclusão, de educação ou de simples lazer.

Voltando ao Doce de Coco, estou ansiosa para ver o Ribeirão da Ilha, lindo cenário histórico de Florianópolis, na comédia dramática sobre uma família de classe média em um país em crise financeira. Ainda mais que fala de gente que não desiste, nem afrouxa diante de dificuldades, como a sacoleira Madalena e seu marido Santinho, artesão sacro que lutou contra a ditadura militar. Em vez de pipoca, quero comer doce de abóbora com coco que só minha mãezinha faz pra mim. Hummm, bateu o desejo, vou ligar agora mesmo pra ela e fazer a encomenda.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Reflexão

Hoje participei de uma palestra sobre as transformações do Planeta, não somente no plano físico, estas anunciadas em previsões catastrófcias sobre um provável fim do mundo, ou como as recentemente (terremotos, tsunamis, enchentes e outros arrastões humanos) acontecidas. Falava-se ( o Dr. Ricardo Di Bernardi, no ICEF, http://www.icefaovivo.com.br/) das transformações morais, essas mais ligadas à existência, com base em (muitas) informações de um texto de Joana De Angelis, psicografado por Divaldo Franco. Uma lição básica sobre evolução, sobre como precisamos de cada erro e acerto para o amadurecimento de nossas almas e, no fim das contas, ofertava um conforto: quando nos sentimos imaturos, saibamos que não somos nós, com vinte e poucos, trinta e poucos, quarenta e poucos por aí fazendo bobagens. Somos toda uma população de habitantes terráqueos em período de contestação, experimentação para o ansiado crescimento do espírito (ufa!), partindo de uma espécie de "adolescência" existencial para algo muito melhor. Mas claro que com consciência ética, que nos permita enxergar os tropeços para adotar nova postura com relação às pessoas, a outros seres, à natureza. A palestra também remeteu a um poema que li de Hermann Hesse (no livro Minha Fé) e tomo a liberdade de compartilhar.

Reflexão
Divino e eterno é o espírito
Para ele, de que somos imagem e instrumento,
Corre o nosso caminho; a nossa mais íntima aspiração
É ser igual a ele, evoluir para a sua luz.
Mas terrenos e mortais fomos criados,
Inerte pesa a carga sobre nós criaturas.
Doce e Cálida nos envolve a natureza maternal,
A terra nos aleita, prepara-nos o berço e a cova,
Seduz-nos a ficar junto às flores lá embaixo;
Mas a natureza não nos dá a paz,
Paternalmente rompe-lhe a magia maternal
O raio exorante do espírito imortal.
Paternalmente faz da criança um homem,

Apaga a inocência e desperta-nos para a luta e a consciência
Assim entre mãe e pai,
Assim entre corpo e alma
Hesita da criação a mais frágil criatura,
O homem de alma fremente, capaz de sofrimento
Como ninguém mais, capaz do mais sublime:
Do mais fiel e confiante amor.
Difícil é o seu caminho, pecado e morte seu alimento,
Perde-se às vezes nas trevas, às vezes
Ser-lhe-ia melhor não ter nascido.
Eterna, porém, brilha sobre ele a sua missão,
O seu destino: a luz, o espírito.
Sentimos: ao que está em perigo, a ele,
O eterno ama com amor especial.
Por isso a nós irmãos transviados
É-nos possível o amor em toda desunião
E não julgamento e ódio,
Mas o amor tolerante,
A tolerância amante nos leva
Mais perto do santo destino.