domingo, 25 de dezembro de 2011

Vem 2012, vem!

Receita de sucesso é amor, cor, sol, sorrisos, luz, paz. Sementes boas quando plantadas trazem a farta colheita. Namastê e que assim seja!

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Tudo retorna ao seu lugar

Meu diploma de jornalista sempre esteve aqui, guardado pelo exercício apaixonado da profissão que escolhi e aprendi a amar. Obrigada!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

Nós três em: O passado nos redime

Por que levamos pelo menos 30 anos para começar a dizer "eu te amo" para os amigos? Por que também precisamos de tanto tempo para confessar os segredos guardados a sete chaves nos cofres da infância adormecida? Acordamos sobressaltados aos 40 anos, eu, Iramaia e Charles feito tivéssemos 10. Faltou a Renata para reconstruir a trama, mas sigamos assim mesmo. Estamos em um café, os três, enquanto minha filha de nove anos desenha no papel sobre a mesa, no cantinho. Tudo começa no presente, os filhos que tivemos, que não tivemos, os trabalhos que fizemos, que não fizemos, os sonhos realizados e os jamais levados adiante, os discursos superados, ultrapassados, as manias acentuadas e tudo parece mais hilário do que trágico. Isso é bom. Mas por que? Perco o fio da meada para dar alguma atenção a quem nada entende do que estamos ali falando e nem parece se interessar. Minha filha gosta dos meus amigos de infância, de me ver com eles, mas não entende como podemos achar graça de algumas coisas tão bobas que vivemos juntos. Perfeitamente compreensível. Quando minha mãe me contava sobre ela e sua amiga escondidas no porão da casa da vovó amassando tijolos para fazer o blush que lhes coraria a face e, depois, apreciarem o movimento  no portão do casarão de Jacarepaguá também achava bobo. Para cada época um espírito, uma ousadia, um valor. Já que nada a consola, a não ser os lápis de colorir, os carimbos, o papel e o seu petit gateau volto para meu reencontro com o passado mais doce, o das minhas saias de pregas azuis, das meias brancas 7/8, camisa de alfaiataria e gravata azul. Meu primeiro uniforme escolar em terras catarinenses era assim. Quando eu, Maia e Charles nos conhecemos o figurino começava a mudar, na quarta série eu e Maia sonhávamos com as saias em modelo tubinho, do mesmo tecido azul e as camisetas de malha, sem gravatas.
Nos amávamos, isso era fato. Mas tínhamos uma relação dupla. Deixa eu explicar melhor: Charles amava Tiane e Maia, mas as duas disputavam a amizade dele e tudo mais ao seu redor. Então, Charles era o melhor amigo de Tiane, para ela. Era o melhor amigo de Maia, para ela. Veja só: fui descobrir que os dois passavam tardes divertidas iguais as nossas somente agora! Achei que aquilo era só meu, ora bolas. Mas também fiquei feliz ao saber que Maia me admirava tanto quanto eu a ela. Sim, claro que fizemos várias confissões naquela tarde de domingo, clamando por café com creme, em vez de refrigerante. Incrível, a menina que eu achava a mais bonita da escola, com seus longos cabelos loiros iguais aos da minha Susi preferida sonhava em ter os meus cachos negros balançando sobre seus ombros. E por que nunca dissemos isso uns aos outros? Por que não passamos os três juntos as maravilhosas tardes de brincadeiras e lanches, confissões e estudos? Meu amigo Charles nunca saiu da minha vida, até foi padrinho do meu casamento. Ligou no meu aniversário todos os anos, inclusive quando eu vivia em São Paulo. Que Maia não sinta ciúme nessa hora (até porque ele pode e deve ter feito o mesmo para ela) mas tenho de agradecer por ele ter cumprido a promessa que fizemos um dia, ainda meninos, no pátio da escola: - Nunca vamos nos separar! Me perdoa, Charles, por todos os anos que não lembrei do seu aniversário. Maia, linda e risonha, a minha boneca com vida, me perdoa pela traquinagem com os cabelos da Susi na sala de aula. Aquilo foi ciuminho, invejinha, coisa de menina moleca, imatura e insegura. Tudo foi e o que ficou é o melhor que temos, a nossa amizade e o carinho um pelo outro. Se Deus quiser estaremos juntos até o final dessa vida e nos encontraremos em tantas outras. Prometo um novo post sobre nós três dentro de dez anos. Até lá espero termos o paradeiro de Renata para puxarmos uma cadeira a mais na mesa do café. Aí eu conto onde ela entra nessa história. O Charles vai adorar! (isso é, ainda, resquício de crueldade pueril).

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

Notícias da Lili

Jamais duvido de que tudo que acontece é bom e de que as coisas não se movem até que devam se mover. Olha a Lili, nossa fofa hóspede de quem trago as boas novas. Um belo dia abri minha caixa de e-mails e vejo lá uma resposta esbaforida de Anita Martins (a jovem jornalista que conhecia pelo fascinante jeito de contar as coisas, as suas aventuras pelo mundo no  blog que tenho aqui entre os meus favoritos). A campanha por um lar pra Lili seguia, uma moça marcava a desmarcava a visita para conhecer a cachorrinha e Anita aparece dizendo que só naquele dia tinha lido a mensagem com o cartaz da campanha de Lili que disparei. Tinha de ser ela.
Lili é a primeira experiência de convivência de Anita com um cãozinho. Ela tinha medo de cachorros e isso é muito normal, acontece. Lili também tinha medo de humanos. Qualquer gesto, mesmo que fosse de carinho a fazia encolher-se, num primeiro momento, e até urinar involuntariamente. Não sabemos o que ela viveu até o dia em que a encontramos com fraturas na bacia, abandonada ali na Baía Sul. Só que não vamos pensar no passado triste, mas sim no presente e no futuro felizes da nossa lobinha de riso fácil, bagunceira e ciumenta, como conta Anita. Ela mora num espaçoso e seguro quintal, recebe amor, carinho, passeia de carro com sua família e tem aqui eternos amigos: eu, pequena Buda e Pepê. Daqui pra frente, tudo vai ser diferente, Lili! Tudo já é mais felicidade na sua vida e nas vidas de quem você faz sorrir.
 Lilly da pequena Buda é Lili da Anita. Pepê da Christiane é João Pedro de Edu e Zé Cláudio. E assim animais criam laços fraternos entre humanos e nos ensinam que para amar e ser amado, basta querer.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

A natureza é sábia

Tem coisas que não mudam. Pode o ser humano evoluir, adaptar normas de conduta aos novos tempos, mudar hábitos, mas existem as características imutáveis para cada etapa da vida. As das crianças são as que me ocorrem por ora, já que tem uns 15 dias que só ouço a minha dizer: - mãe, tá chegando o Dia das Crianças. É como querer que criança não faça sujeira, nem bagunça, nem cometa traquinagens a gente desejar que elas tenham consciência de que o quarto delas já tem muito mais brinquedos do que deveria. Só quem é mãe ou pai sabe o quanto é difícil convencê-los a doar alguns deles, sempre que algo novo chega. A gente apela até para o senso de organização, afinal é desesperador ver a o quarto deles na maior bagunça e não ter mais onde guardar trecos. Para mim isso é tão sério, que me declaro contra os brindes de fast food. Tá doido, quanta tranqueira acumulada. Sim, porque eles não brincam com essas coisas. Na hora de doar brinquedos, é cada desculpa esfarrapada, que chega até a ser engraçado.  - Mãe, mas esse boneco foi o meu primeiro de quando eu tinha três anos!  - E daí? Penso em responder ao argumento, apropriando-me da gíria do momento entre os tweens. Nada pode ser mais irritante do que ouvir esse "e daí?" acompanhado daquela expressão de sabichão independente que eles fazem.
É nosso dever educar os pequenos para o consumo, é ainda mais importante darmos o exemplo. Aí que mora o dilema. Assim como é do ser criança uma série de coisas como querer brinquedos em exagero e dar respostas espertinhas, é de ser pai em eterno aprendizado cometer os tropeços mais tradicionais. De vez em quando eu ouço: - Ué, mas você me disse que a gente só compra aquilo que precisa... você já não tem isso, mamãe?
Ô, meu pai, que vontade novamente de dizer:  - E daí? Mas eu não digo, claro. Respiro, penso e sigo firme no propósito de educar:  - Você tem razão, eu não preciso disso agora. Seria um ato de consumismo, filha.
 E obrigada por me lembrar disso.
Bom, eu acredito que assim eles aprendem e adquirem mais confiança ao saber que adultos também derrapam. E o melhor: entendem como é possível mudar, optar pelo que seria correto. Outro dia li num link a partir do Twitter uma matéria na qual o fabricante de um produto ou um grupo deles tachava o Instituto Alana de mau. Dizia que a Ong não gostava das criancinhas porque pretendia cercear o direito de ser criança, de comer besteira, de desejar brinquedos da moda e tal. Sabe que fiquei intrigada com isso? Não a ponto de concordar com tal afirmação superficial sobre o trabalho de estudiosos sobre mídia, consumo e educação, que vai muito além disso de supostamente tolher a infância e o que dela faz parte. Muito pelo contrário. Os pais de hoje são empurrados para uma rotina na qual delegam quase tudo sobre o ato de educar a alguém ou a alguma instituição. Não me pergunte o que os leva a isso porque direi o óbvio: mulheres no mercado de trabalho (ainda bem!), o anseio pela segurança material, a busca inconsciente sobre vários aspectos, o que é da natureza humana e o consumismo, por que não? Pronto, voltei ao início de tudo: o homem natural. Entre o homem natural e o homem espiritual, ainda me sinto no meio, um tanto camaleão. Ora natural, ora espiritual,  tento fazer as melhores escolhas. Acho que a tendência é tornar-me apenas um deles, com o passar do tempo. Naturalmente o tempo me levará para o espiritual. Porque é essa a tendência das pessoas, quando amadurecem. Ainda a caminho de lá e envolvida num trabalho de pesquisa sobre a propaganda brasileira, enquanto sou assediada por minha filha para o Dia das Crianças, mergulhei no meu passado de infante consumista e encontrei um velho bordão slogan. O comercial, pelo que consta, foi criado pela DPWZ, que depois se desmembrou em DPZ e W/Brasil, nos anos de 1980. A gente não só bombava isso nos ouvidos dos pais como também seguia a dica dos reclames, fixando bilhetinhos de "Não esqueça da minha Caloi" por todos os cantos da casa. Genial.

sábado, 24 de setembro de 2011

Mantramix

Let it be and everything is gonna be all right.


domingo, 18 de setembro de 2011

A alma do negócio

Como seduzir, se não pela essência? Pela boa película. Quizáz, Quizáz, Quizáz, para Loewe, me arrebatou.

domingo, 31 de julho de 2011

Lilly procura um lar

Dizem que nossos pensamentos e ações atraem as energias que vibram na mesma fequência deles e que os pensamentos geram ações. Tenho estudado e aprendido muito sobre isso e constato a verdade a cada dia, minuto, a cada pensamento e gesto. Contei no post anterior a história de como Lilly ( Pequena Buda me advertiu: é Lilly com "y") entrou em nossas vidas e atribuo isso a meu anjo, que age para meu bem a pedido de Deus, a energia universal na qual acredito, e também aos meus pensamentos e ações. Agora que Lilly está curada, ela precisa de um lar porque sua passagem por nossas vidas teria de ser assim. Vamos cumprir o ciclo e dele tirar todo o aprendizado possível: fé, esperança, amor incondicional e paciência. 
Nessa nova fase, atraímos para o nosso lado a Ana e a Angelita, a quem agradeço. Uma é reconhecida ativista da causa animal e a outra uma artista de mão cheia. E, claro, ambas são dois generosos corações que entraram na campanha de adoção da Lilly já arregaçando as mangas. Olha aí, vamos divulgar o cartaz de busca por um lar para Lilly e comemorar todos juntos o desfecho feliz dessa história? Se você quiser o arquivo do cartaz para ajudar a divulgar, é só pedir. Se quiser adotar Lilly, abra seu coração sem medo de ser feliz.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Esperança é a primeira que nasce

Era uma manhã meio preguiçosa, mas ainda assim fui para minha rotina de exercícios na Baía Sul. Naquele dia tinha planejado pular a meditação no trapiche. Porém, a corrida exigira tanto de mim que achei merecido o momento de repouso do corpo e da mente. Cada vez mais acredito nas escolhas pela intuição, no livre arbítrio e no amor. Pois é nisso que me amparo para contar sobre o encontro com Lili, esta pequena loba aí da foto, com olhos puxadinhos  e cheios de charme e esperança. Acomodada sob um pedaço de plástico, ao lado da casa de barcos,  no caminho para o trapiche, ela aguardava ajuda. Tinha um punhado de ração deixada a uma distância que somente alcançaria quando a dor lhe permitisse se arrastar até lá. Sem água e nem teto, não sabia que aquela noite seria das mais frias. Quem a deixou lá ferida em um provável atropelamento também não pensou nisso, quero crer. Desejou, já arrependido, que alguém a recolhesse antes da noite chegar. Se não foi assim, prefiro nem pensar em outro argumento. Também vou considerar a total ignorância dessa pessoa a respeito da lei federal que considera crime o abandono de animais. Acima de tudo, vou pedir a Deus o perdão para, a partir de agora, só falar de amor.
Agradeço por meu anjo me guiar até este lugar e por Lili ter entrado em nossas vidas. Agradeço ao dr. David, veterinário da clínica Duro de Roer (48 3234 4170) que prontamente se dispôs a atender Lili lá no local onde a deixei com a promessa de buscar socorro. Ao dr. Ricardo, da clínica Pet Sul (48 32331469), onde Lili ficou internada por três dias, também agradeço. Recomendo maior agilidade no atendimento do serviço público, que contatei ao meio dia e me retornou no meio da tarde. Se fosse questão de vida ou morte, Lili não teria chances. Mas ela teve. Assim como nós também tivemos a oportunidade de aprender muito com essa cachorrinha, nos últimos 40 dias. Eu e Pequena Buda, com a ajuda do Pepê, nosso mascote, e de amigos. Nosso cão solidário gentilmente cedeu a sua casa de madeira para abrigarmos Lili, soube dividir a nossa atenção e carinho com ela, o que para um terrier não é uma tarefa muito fácil. A fisioterapia indicada pelo veterinário, as preces, os pensamentos e palavras positivas, as histórias de ninar que a Pequena Buda leu para ela, além das outras brincadeiras diárias com a nossa hóspede, a força de amigos a quem recorremos para ajudar com o material necessário para os cuidados com a cachorrinha, a ração doada pela vovó Lúcia (com ela recolhi alguns cães das ruas, quando eu era criança. Dela recebi a devida educação para amar.) tudo contribuiu para o agora: Lili está de pé, corre, abana a cauda branca de lobinha, sorri, late e faz travessuras comuns a qualquer cão de oito meses. Ela venceu com sua esperança e nós recebemos de Lili uma grande lição de amor e fé. Quando via suas patinhas feridas por arrastar-se no chão, eu ficava triste, desconfiava até da previsão médica de que ela voltaria a andar. Então refazíamos os planos, pensávamos em mandar fazer umas rodinhas adaptáveis as patas traseiras da matusquela. Ideia da Pequena Buda, esclarecendo que Lili seria igual a qualquer pessoa com demandas especiais e seria feliz assim também. Mas aí, a pequenina abanava o rabo para mostrar que recuperava os movimentos. Fazia xixi no jornal para vermos que o controle da urina se regularizava. Uma senhora, ao ouvir minha conversa com uma amiga, no elevador de um prédio público, intercedeu: - pode acreditar que ela vai andar. Meu salsichinha teve cinco fraturas na bacia, andou em cinco meses.
Eu não sabia quantas eram as fraturas de Lili, mas David tinha me dado uns quarenta dias para a recuperação dela. E foi batata!
Muitas vezes conversamos:
- Lili, você é muito corajosa. Enquanto o Pepê chora ao sentir os primeiros pingos de chuva, pedindo para ser recolhido, você vai sozinha para dentro da casa e dorme tranquilamente, até a tempestade passar. Não tem medo de trovões, nem de fogos de artifício. É paciente para aguardar sua hora de poder entrar aqui em nossa casa, porque entende que agora não sabe quando e nem onde fará xixi e caquinha. Você será uma grande dama!
Todas as vezes que o vovô terrier rabugento rosna, ela devolve graça para ele. Se lá no cachorrês, entre eles, recebe ofensas inaceitáveis, sabe se defender com bravura e elegância. Aliás, isso está ficando mais frequente e, suponho, é hora de separar os dois. Quando adotei meu primogênito, sabia que era um cão possessivo, ciumento e muito inteligente. Eu o amo exatamente como é, um tanto imaturo e inseguro. Por isso mesmo ele só mostra os dentes para Lili, sabe muito bem que numa moça não se bate nem com uma flor. E também compreende a imaturidade da filhote, sua necessidade de segurança e de demarcar seu território.
Os terries escolhem seus donos, tão logo são ambientados em uma casa. Tive a felicidade de ser "a eleita" de Pepê e sou grata por este meu amigo fiel de todas as horas. Agora o amo e respeito ainda mais porque soube dividir seu espaço na matilha com uma irmã necessitada. Mostrou que é um cavalheiro.
Lili está curada e é hora de buscar um lar para ela. A campanha nas redes sociais tem sido auxiliada por amigos e ongs de proteção e de encaminhamento para a adoção de animais. Não vou dizer adeus porque Lili será nossa amiga para sempre, onde quer que esteja. Espero vê-la solta num espaçoso e seguro quintal, cercada de amor, cuidados e de alegria. Que assim seja!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Em eterna fase de crescimento

Tenho meus posts anuais de estimação. Aqui vai o sobre mais um brilhante encerramento da Mostra de Cinema Infantil, em Florianópolis. Já escrevo com uma saudade imensa dos momentos desta edição. O domingo do show é sempre um encontro marcado entre pais e  filhos. Desta vez foi com Música de Brinquedo, do Pato Fu, que celebramos a maratona 2011 de cinema e diversão educativa para a meninada de 4 a 40. Enquanto esperamos a atração principal do dia ficamos naquela troca intensa de novidades, são reencontros estridentes, um puxa daqui, segura dali, procura por lá as crianças que se esparramam pelo saguão do teatro. Todas bem nutridas de cinema, leitura, música e pipoca. Aprender assim tem outro sabor e um grande valor.
A cada ano a Mostra de Cinema Infantil amplia e sincoroniza os papéis de um evento que se propunha ser uma vitrine para o cinema infantil. Dez anos depois é muito mais do que isso. Além de ofercer o produto cultural, divulgar e estimular a indústria e a criação para este público proporciona a participação das crianças pelo bloguinho, na crítica diária que fazem dos filmes pelo site oficial da mostra e nas redes sociais. Luiza Lins, a diretora da Mostra, recebeu merecidamente o troféu de "amiga do cinema infantil" e o seu público bateu a casa dos 60 mil nessa edição. Foram 10 anos comemorados com a presença de Ziraldo e do Menino Maluquinho, com 30 completos em outubro de 2010. Que a produção cultural para crianças no Brasil cresça e apareça sem limites e a iniciativa de acrescentar ao evento a itinerância pelas cidades do interior catarinense ganhe o país. Assim como os filmes exibidos em Florianópolis já estão nas nuvens, mundo afora pelo site Filmes que voam
E o Pato Fu, a banda mais inteligente e criativa da cena pop nacional foi sob medida para esta festa toda. Fernanda Takai bota sua voz inocente para cantarolar Cassiano, Beatles, Titãs, Zé Ramalho, Rita Lee, Roberto Carlos, Ritchie tão brilhantemente executados com instrumentos de brinquedo, que faz gente grande saltitar mais do que piá. Flauta, corneta, xilofone, escaleta, tudo de plástico e muito colorido como os filmes que vimos na telona. No palco todos eles parecem personagens como os monstros do Giramundo, uma homenagem subliminar aos Mupets, da Vila Sésamo. Como miniatura no cenário composto por bonecos de joão bobo gigantes e brancos, a banda alcança a proporção perfeita dos instrumentos de brinquedo, o efeito é fantástico. Fernanda e sua trupe autografaram o CD na saída, posaram para fotos com pais, filhos, monstros e brinquedos. Desde ontem só ouço a vozinha da menininha pop aqui de casa cantar Rock and Roll Lullaby, enquanto eu danço twister e treino meu japonês com Twiggy Twiggy. E aí, vamos brincar? Ó, mas traz o seu Kazoo que aqui só tem um. 

domingo, 3 de julho de 2011

Achados para quando nem tudo está perdido

A gente sempre acha que nunca vai fazer coisas do tipo guardar papel de presente, ouvir canções de Frank Sinatra em vinil ou recortar receitas de embalagens. Mas vai. Hoje mesmo me flagrei tentando vencer o picote mal feito da caixinha de gelatina para destacar o passo a passo de "Delícia de limão", que veio de brinde no verso. Não tenho habilidade com tesoura, que dirá sem ela. Sou canhota, sei que muitos acham isso um charme, mas tem hora que atrapalha. Antes que me acusem de desinformada, não tenho os artefatos especialmente adaptados pela indústria para pessoas charmosas como eu. Então, de vez em quando corro o risco de decepar meus dedos ao abrir latas sem aquelas alças superpráticas e também recorto coisas com as mãos para depois tentar decifrar o que sobrou dos textos. Mas não sou única. Conheci um sujeito que arranca a muque as páginas de matérias que lhe interessam em revistas, sem qualquer cerimônia. Desesperada para juntar os cacos de "Delícias de limão", olha o que achei na internet: Receitas de embalagens. Segundo os critérios do curador, aqui  nesse site estão as receitas mais bacanas das embalagens dos mais diversos produtos. Não é prático? Pelo menos eu não vou mais ficar juntando lé com cré para formar frases das receitas destroçadas por minha habilidosa mão canhota.
Coloque em t...ou refratário e...re até resfriar. Leve a geladeira a...to de cons...ência. Complete este trecho da receita, se for capaz!  

sábado, 4 de junho de 2011

As toxinas entristecem

Daqui a cinco minutos meu astro preferido da TV aos sábados começa uma nova receita. Hoje Jamie Oliver terá de tirar o boné para mim. Inspirada nas suas receitas de massas vegetarianas, no livro Jamie's Dinners, emplaquei uma deliciosa lasanha de vegetais no almoço. Desde que ganhei de presente esse livro, não desgrudo dele. É recheado de receitas saudáveis, rápidas e bem fáceis. É lindo, colorido, moderno, muito criativo em toda a sua concepção. Tá, mas deixa eu falar da minha receita de lasanha vegetariana como eu nunca havia feito. Pena que não encontrei os tomates ideais para o preparo do molho natural. Beringela, abobrinha, alho, ervas da provença, azeitonas, brócolis, tudo muito picadinho e dourado na panela, antes de receber o molho. Uso óleo de canola para fritar, embora Jamie prefira azeite de oliva. Ainda não estou bem segura de que o oliva, quando aquecido, mantenha suas propriedades benéficas. Prefiro usá-lo para regar o prato, depois. A massa do Jamie é caseira, com ervas ou tingida com sucos de vegetais, legumes, como preferir. Pode fazer com farinha de trigo integral, como já o fiz nas massas de panquecas que ficaram muito boas. Nesta lasanha usei uma massa industrializada porque precisava ser rápida, acordei tarde. Ficou uma delícia e linda, colorida. Para acompanhar, salada verde regada com redução de balsâmico.
Aliás, por falar em alimentos industrializados, eles estão com os dias contados nas cantinas das escolas das redes pública e privada de ensino no Brasil. Um projeto de lei tramita pelo Senado exigindo que somente alimentos preparados de forma balanceada, ou seja, com orientação de nutriocionistas, poderão ser comercializados para as crianças no ambiente escolar. É o que todos os pais e educadores devem querer para a formação de pessoas saudáveis e com uma educação alimentar adequada para toda a vida. Quem não sabe que uma boa alimentação é capaz de nos dar maiores condições de driblar doenças e ainda ser mais feliz? Comer bem é um ato de amor próprio. Alimentar bem, é uma forma de dar amor. Um dia eu estava num almoço de trabalho e, com essa minha espontaneidade que Deus me deu, deixei escapar uma de minhas teorias sobre o assunto: - As toxinas entristecem. Disparei, querendo argumentar sobre o fato de atualmente limitar a ingestão de carne vermelha, frango ou suína, a uma vez por semana no meu cardápio, assim como o bom vinho ou a cerveja de trigo, que eu adoro. Arranquei risadas e acho que desagradei a alguns. Pedi desculpa, afinal cada um vive e se alimenta como bem entende. Mas que a minha mudança de diversos hábitos me faz sentir mais leve, alegre, bonita e bem disposta, é fato. Até minha tagarelice diminuiu, o que mostra que meu nível de ansiedade caiu consideravelmente. Ai, peraí, deixa eu correr lá que o Jamie vai finalizar o plat du jour. E o Senado que conclua a tramitação aprovando logo a lei. Faz pelo menos uns nove anos que acompanho a batalha sobre alimentação e escolas, mídia e influência na saúde de crianças e adolescentes no mundo e, por aqui, a lista de projetos só aumenta lá no Congresso. 

terça-feira, 17 de maio de 2011

Nosso herói de HQ

Tintin, o herói do jornalismo investigativo ou jornalista que virou detetive vai aparecer nas telas ainda este ano com seu cão Milu, um fox terrier igualzinho ao meu. Quando eu li isso hoje, lembrei do dia em que dei de cara com este cão de barba e bigode na vida real. Sabia que o conhecia de algum lugar. Era das aventuras de Tintin! Pois o destino me fez cruzar no elevador um vizinho apavorado com o parto da sua cachorrinha. Era uma noite de retorno da labuta, eu estava bem cansada. Mas fui lá. Justamente porque socorri o vizinho e a gestante dele em trabalho de parto, virei imediatamente candidata preferencial a adotar um dos dois filhotes. Como a menina ficaria para o dono do pai das crias, me restou o pequeno macho, gorduchinho, sapeca e independente. Desmamou antes da irmã e tratou de dar um jeito de vir logo para minha casa, atazanando a vida da mãe dele com mordidas e comendo as obras de arte do dono da Tuca.
Não imaginava que aquela carinha quadrada colada num corpinho triangular enfeitado com um rabinho de antena igual a do meu celular me proporcionaria tantas aventuras. Quase todas tão emocionantes quanto as de Tintin com Milu. Descobri que meu cão era um caçador inglês, mas de minhocas e não de raposas como os da raça dele. Que ele era tão inteligente, mas tão inteligente que só faltava falar. Até o dia em que uivou "baaaaaanho", na porta da pet shop. Suas patinhas têm articulações quase humanas, percebi quando me abraçaram um dia no colo. Ele sorri, tosse, espirra e cobre seus olhos com essas duas patinhas, quando chamo a sua atenção por alguma traquinagem. Cuida de mim e da minha filha desde sempre, mas é um eterno molecão. Uma vez me salvou de deixar a chaleira torrar no fogão. Em outra, me levou até o berço da pequena Buda para mostrar que ela tinha acordado. Mas o "Coragem" também já disparou antes de mim no dia em que uma borboleta preta e gigante invadiu nosso apartamento em São Paulo e eu comecei a gritar. Dou o desconto, porque ele só tinha um aninho.
Corremos feito papa-léguas, eu, ele e a pequena Buda para fugir de um morcego que certa vez entrou pela nossa sacada. Achávamos que se tratava de uma folha de papel carbono que o vento tinha trazido. Mas a folha tinha dois olhinhos e se movia no chão sem vento nenhum. Ficamos os três escondidos atrás da porta  do corredor, trancada no último momento, logo após o rabo do Pepê passar. No dia seguinte, quando o vampirinho folgado desistiu de nos assombrar, deixamos o esconderijo. Fizemos uma investigação no condomínio e descobrimos que era mesmo um morcego, mas dos que só comem frutas e costumam se perder nos passeios pela noite e entrar inocentemente nos apartamentos arejados. As corujas não nos pouparam num passeio pelo campus universitário, aqui em Floripa. Uma zoiuda encasquetou que a gente tava invadindo o território dela e nos botou pra correr.
Pepê também já teve de ser salvo da porta do elevador, que foi quebrada para livar seu pescoço. Essa foi por pouco. Depois, com a sua velha mania de peixe, o danado já quase morreu pela boca. Catou um pedaço de pão na calçada e logo começou a baquear. Afastei a pequena Buda e tive de enfiar o dedo na goela dele, sem dó. Depois de uma lavagem estomacal no veterinário, escapou dos efeitos de um veneno mortal. Por falar em lavar, ele também já pulou num córrego fedorento perto de casa, enquanto passeava sobre a ponte. Vai saber o que viu lá dentro. Rolou inteiro numa cacona que deixaram na grama e teve de ser levado para um banho sem hora marcada. Outro dia fomos meditar no trapiche e ele cismou de pescar como as gaivotas. Para não ver meu cão se atirar bem no meio da baía e ter de resgatá-lo a nado, resolvi encerrar o zazen.
A pequena Buda me pede para não esquecer de contar que ela já foi lançada a alguns metros de altura ao tropeçar no nosso inquieto cão, que adora cruzar repentinamente a frente de quem o conduz. Quase esqueço também de dizer que ele é uma simpatia, além de muito espontâneo. Numa noite, passeando pelo bairro de Pinheiros, Pulou dentro do carro do Serginho Groisman, que falava distraído ao telefone com a porta aberta. Me arrastou com ele pela coleira e eu me desculpei dizendo que ele era seu fã.
Na ilustração acima, Milu e Tintin no clássico Le Lotus Bleu. O cenário perfeito para uma aventura com Pepê e a Pequena Buda.         

Casa de ferreiro, colher de pau

Não adianta. Quem nasce para uma coisa, que não tente ser outra. Eu com a mania de meter a mão para resolver o que não me cabe, tô sempre desapontando a mim mesma. Outro dia fui dar um jeitinho aqui numa rebiboca da parafuseta e não quis remexer a caixa de ferramentas porque sou criativa e invento meus próprios instrumentos de trabalho. Também tinha olhado o problema com certo desdém e foi aí que entrei pelo cano. Não era coisa para amadores. Resultado: quebrei uma peça do faqueiro, entortei a parafuseta e agora terei de pagar um especialista. Por outro lado, começo a valorizar meus dotes e a investir no que somente podem fazer melhor do que eu para facilitar a minha vida. Tirando os penteados da diva Cassy, cansei de voltar do salão e desfazer tudinho debaixo do chuveiro. Aprendi.
Agora não encomendo mais comida. Obrigada, mas no meu angu deixa que eu mexo a colher e por favor pode ajustar as parafusetas que isso eu não sei fazer mesmo. Aprendi.   

sábado, 7 de maio de 2011

Só sei que foi assim

...e desde então, tudo de mais nobre em mim é o tanto que tenho para dar.     

quinta-feira, 5 de maio de 2011

A casa feliz


Eu sempre quis aquele jogo de porcelana para chá falante do cenário de A Bela e a Fera na minha cristaleira. Já tive pinguim na geladeira e quase arrematei, em São Paulo, um relógio de parede com nariz também. Mas nunca imaginei que móveis de animação existissem de verdade. Estou encantada com o trabalho do designer canadense Judson Beaumont. Claro que desejo quase tudo que ele faz, mas olha que sonho!


segunda-feira, 2 de maio de 2011

A primavera de maio

Hoje o sol nasceu de mansinho, pintando as primeiras cores no céu mais azul de maio. Hoje o mar está mais calmo e brilhante e o meu coração em festa. Meu mundo comemora o nascimento da pequena Buda, a flor de lótus, meu grande amor, a luz da minha casa. Feliz aniversário, filha querida! No silêncio dessa manhã, enquanto desentrelaçava meu rosário do seu, ensaiei uma prece especial. Porém, nela nada coube, além de simplesmente obrigada. Que a paz seja tua semente plantada na vida e a luz te guie sempre pelo bom caminho. Namastê.

domingo, 17 de abril de 2011

Coração de cozinheira

Pode ser escondidinho. Entre duas camadas espessas e macias de massa de batata, aipim ou abóbora um universo de possibilidades para rechear esse delicioso prato aguça a minha criatividade. O mais fácil é pensar em carne, seja de sol ou de lua, picadinha, moidinha com alho bem picadinho, cebola, tempero verde e um mix de pimentas. Ou inventar moda com vegetais, aromas, cores e sabores. Meu coração de cozinheira está apaixonado pela segunda opção no momento. É assim como se o sabor do tartuffo fizesse as asas de uma borboleta chacoalharem dentro do meu estômago. Em todas as receitas, amor a gosto.
Sabe que o sucesso de um prato está na energia que se deposita no seu preparo, né? Nada como ver o caldo do feijão encorpar, enquanto sorri plenamente.
Por falar em amor e sonhos, deixa eu apresentar logo a minha personagem, a Sinhá Saúde. Vivo falando dela e faltava o seu sorriso contagiante aqui no meu blog que, aliás, nasceu por causa delazinha. Fofa!
Era para relatar minhas experiências com as crianças na cantina, no horta pedagógica, nas outras atividades lúdicas, na rotina da escola, onde o projeto de educação alimentar e cardápio saudável estava inserido. Também era para divulgar as receitas que a gente preparava lá. O livro de receitas da Sinhá Saúde é uma coletânea com várias participações especiais. Tem o dedo da Rosane (nutricionista e mãe de dois adolescentes), da tia Márcia (merendeira e mãe de uma adolescente), da tia Simone (merendeira e mãe de três filhos pequenos), o meu (jornalista metida a chef e mãe da pequena Buda), do Jamie Oliver (chef de fato e pai de uma criançada que estampa seus livros e mete as mãozinhas em seus preparos na TV), da vovó Lúcia (minha mãe, dona de casa com muito talento e amor e vovó da pequena Buda) e por aí vai. Agora tem ainda os meus passeios pelos blogs como o da Márcia Feijó, olha que legal. Tem a Dadivosa, que a Bebé me apresentou.
Olha, o que não falta é gente boa em torno do prazeroso ato de cozinhar e de comer, olha aí o Gastão e a Soninha também. Vixe, é de dar água na boca e de encher o coração de alegria.
E deixa eu contar: sabe o Bolo do Sítio? Maior sucesso a receita da Rosane. Fiz um teste cego lá com meus colegas de trabalho (publicitários adoram testes cegos) e até uma cliente provou. Ninguém adivinhou que o quitute levava abobrinha.Chutaram banana, quase todos. Erraram, mas gostaram. Amanhã embarco no bonde levando um bolo inteiro para o lanche da tarde.     
 

terça-feira, 5 de abril de 2011

Jamie e eu

Quando conheci Jamie Oliver (e isso ainda vai acontecer de verdade!) pesquisava para alguma tese  acadêmica sobre a influência da propaganda na elevação dos índices de obesidade infantil no Brasil. Os estragos já eram caso de saúde pública nos Estados Unidos e na Europa. Só que a mídia era uma pequena parte responsável pelo processo todo. Havia, ainda, os hábitos familiares, os novos padrões de consumo e de vida de pais e filhos no mundo. O fato é que não escrevi tese nenhuma e tive a chance de interferir na vida das pessoas com o que estudei e isso foi uma experiência e tanto. As circunstâncias me levaram pelo caminho e, quando me dei conta, lá estava eu. Depois de longos nove anos trabalhando exclusivamente com o jornalismo em São Paulo, diante de um desafio completamente inesperado. A cantina da escola da minha filha fecharia, já que o prestador de serviço deixara o ramo. Prestes a liderar um mutirão de mães para resolver a questão e garantir a nossa paz, saquei da manga uma proposta. Todos adoraram, mas quem quis meter a mão na massa fui eu.
O verão chegou e dediquei aqueles dias de sol à reforma do espaço, onde a Sinhá Saúde faria uma revolução no conceito de alimentação na pré-escola. O ano letivo começou e eu chorei feito criança no primeiro dia de aula, sentada no chão colorido, no fim do dia, com uma pilha de fichas nas mãos preenchidas por pais que adotariam os pacotes mensais de alimentação saudável e educação nutricional para seus flhotes na minha cantina. Seria uma imensa responsabilidade dar de comer para os filhos de outros pais, que eu nem imaginava como eram em casa, do que gostavam, o que comiam. O ato de alimentar simboliza dar amor, lida com a vida porque interfere na saúde. Mas eu estava certa de uma coisa: faria aquilo com muito afinco, colocaria as pitadas de lições que aprendi com minha mãe, com as avós da vida, as vizinhas, as tias e as amigas mais experientes, os pediatras e as leituras sobre o tema. Também contava com um dom que se revelava naquela oportunidade. Afinal, passei minha infância e adolescência na cozinha da minha mãe ao lado dela vendo o almoço e o jantar serem preparados, falando de tudo, passando o tempo sem saber que estava ali aprendendo. Minha tia fazia bolos lindos sob encomenda e, embora eu tenha acompanhado muitos deles serem confeccionados, os doces nunca foram minha especialidade. Um dia ela construiu com massa de chocolate, raspas e coberturas um trem imenso para eu comemorar meu aniversário na escola, lá no Rio. Eu era bem pequena, mas lembro como se fosse hoje. O vagão de cargas era cheio daqueles palitos de biscoito cobertos com cohocolate, imitando a lenha que era transportada diretamente para as bocas gulosas dos meus colegas de classe.
Agora eu era mãe e tia e seguia os passos de Jamie sem saber. O cozinheiro inglês era cada vez mais pop, se transformou no "melhor amigo dos pais" ao colocar ingredientes saudáveis de maneira atraente na merenda dos pequenos britânicos. Ele também não sabia que aqui na minha cantina eu acrescentava aulas de culinária para as crianças no currículo pré-escolar. Realizava atividades lúdicas, como criar nossa própria horta orgânica e ensinar com o teatro de fantoches tudo sobre os alimentos e o seu poder de promover a saúde e a felicidade desde muito cedo na vida. Vira e mexe eu esbarrava com o chef de cabelos desordenados e riso fácil, veloz com as panelas, criativo improvisador em alguma consulta a receitas pela internet. Estava sempre em busca de novidades para o cardápio da minha cantina (café da manhã, lanche, almoço e jantar) elaborado com a consultoria de uma nutricionista igualmente apaixonada pelo trabalho com crianças. Se não era assim, alguém que tomava conhecimento do que eu fazia me comparava a ele. Jamie ganhou a mídia pelos resultados que conseguiu muito rapidamente nas escolas inglesas e atravessou fronteiras. Um amigo me incentivava a tentar a rede pública de ensino. Eu ganhei um novo trabalho e o carinho daquelas crianças que me chamavam de "tia Sinhá". Sabe que até hoje, se encontro algum deles por aí, me emociono por ser lembrada assim.
Meu ano como Sinhá Saúde (esse era o nome da personagem que batizou a cantina e encantou as crianças, os pais e os educadores daquela escola de Florianópolis) foi inesquecível, todos aprendemos muito. Mas isso eu ainda vou contar em capítulos. Agora estou feliz por reencontrar Jamie num livro escrito em inglês, o meu primeiro da coleção, que é para eu afiar o idioma e poder trocar receitas com ele um dia. Voltei para as experiências que a cozinha de minha casa me proporcionam, cercada de crianças e de amigos. Meu tempo livre tem me permitido conhecer temperos, pesquisar ingredientes saudáveis, inventar moda multicolorindo pratos, testando o aproveitamento de nutrientes onde menos esperamos encontrá-los, anotando invenções, fotografando pratos, registrando depoimentos de pequenos críticos, de suas mães e pais. Já somos um ensaio de confraria. Eu tenho um sonho recheado de ideias e um apetite dandado para retomar de onde parei. Quando a escola fechou e tirei a minha última peça da cantina dizendo "até logo", sabia que não era um adeus. Desde que foi entregue pela empresa que a confeccionou, Sinhá Saúde jamais tinha saído da portinha verde alface do meu pequeno restaurante. Ela está  guardada com meu amigo Zédassilva que gentilmente emprestou seu traço para dar vida a minha personagem. Ela espera por novas aventuras e, quem sabe, ainda posará para uma foto com Jamie?

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Mas, já?

Lá vem mais um ano letivo e minha pequena Buda, como a maioria dos pimpolhos em idade escolar, está com aquela cosquinha danada na barriga, contando as horas para voltar à escola. Passou tão rápido que parece que meu post sobre a estreia dela na nova escola foi publicado ontem, né não?
Arrumamos o estojo e a mochila na primeira hora desse domingo e separamos seu uniforme no sábado! Nem assim parei de responder sobre os detalhes para o grande retorno:  - Mãe, a que horas tenho de dormir para acordar cedo?
- Todos precisamos dormir oito horas, filha. Ensino.
- Ah, não, é muito cedo, manhê.
- Não, filha, você deve dormir oito horas por dia e não às 20 horas. Isso é para você ter saúde e disposição para ir à escola, aprender, brincar, se desenvolver.
- Ainda bem, você quase me matou de susto. Acalmou-se.
Assim como aconteceu comigo, a quarta série trará para ela a novidade da mudança de turno. Pequena Buda vai pular cedinho da cama, ver o sol raiar, enquanto se prepara para o dia de aula. Eu fui para o período vespertino nessa idade. Achei que seria bom dormir até mais tarde, ver a programação de desenhos da manhã, mas logo descobri que aquilo não era para mim. Além de prefrir filmes da Sessão da Tarde, meu balé, andar de bicicleta na rua com a turma até o final do dia, tudo era mais lento e preguiçoso, desde o meu despertar, até a passagem das horas na escola à tarde. Não que eu não gostasse de estar lá, mas é que pela manhã a vida parecia ser mais dinâmica no colégio. Irmã Gabriela assobiava no jardim, podando as rosas e nos chamava para ver a horta. À tarde ela dormia, nem víamos a rechonchuda freira.
Prefiro que minha filha se acostume a acordar cedo e a cultivar disposição. Pelo menos me parece empolgada com a nova rotina, diz que terá a tarde para brincar com as amigas do condomínio, participar mais ativamente do clube Planeta Água. Membro do conselho diretivo da organização pelo bem do condomínio, das pessoas e do planeta, evidentemente, hoje ela me contou que a criação da segunda sede do clube do condomínio não foi uma expansão, mas sim a quase quase dissolução do Planeta Água, um racha. O que seria uma grande perda para todos nós, acostumados às benfeitorias da organização, há mais de um ano. Bem que notamos a ausência de mensagens coloridas nas portas dos elevadores, da barulheira pelas escadas dos prédios. Claro que só descobri o que de fato aconteceu nos bastidores porque a questão já foi resolvida e a paz voltou a reinar. Duas sócias do Clube fizeram uma intriguinha e tentaram minar a amizade entre a pequena Buda e a Jujuba, que são muito unidas. Jamais esqueço a primeira das muitas pérolas de Jujuba, de quando chegamos aqui no condomínio: - Olha, você tem sorte de ter a mim como amiga da sua filha.  - Sério, por que?  - É que eu gosto muito dela.
Espontânea e verdadeira, Jujuba é uma grande amiga mesmo para a pequena Buda. Tanto que, minha menina, que tem um coração imenso e uma intuição e tanto, não engoliu a fofoquinha assim fácil, embora ambas tenham ficado chateadas.  - Mãe, eu sabia que a Jujuba não faria isso comigo, não poderia ter acreditado nelas. Agora sei que ela não fez nada do que as meninas disseram. As meninas também se arrependeram porque viram que não se deve querer estragar a amizade dos outros. - Mãe, rasgamos o documento que criava a sede nova do clubinho, eu e Jujuba. O Planeta Água é um só e somos todas companheiras. 
Ufa, não sei o que seria de nós aqui, adultos mal acostumados a separar doces para o Halloween delas. Imagina a ausência que seria para o senhor que um dia reclamou das bruxinhas e, no ano seguinte, já abriu a porta, sorrindo, com algumas balinhas nas mãos. Os estudantes, que habitam o condomínio em crescente escala, até já entregaram uma pizza que era consumida no exato momento em que a campainha tocou para entrarem na brincadeira. Fiquei feliz porque um dia ouvi comentarem no elevador que acharam divertido participar e que as crianças alegram o condomínio. Nem sabiam que eu tinha ajudado a comer a pizza, que a parte de brócolis tava ótima, e que lavei o tabuleiro deles para ser devolvido no dia seguinte. Agora boa noite, já é hora de nanar porque amanhã acordaremos até o galo sem relógio. Sim, ele existe, mas outro dia eu conto essa história.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Cama de gato

Minha amiga um dia postou uma dica sobre vestidos apaixonantes (eu que sou fã dessa peça do vestuário feminino fui correndo conferir) da Pássaro Achado e, desde então, estou sempre de olho nas coleções e outras criações no blog de Adriana Franca (uma fofa!). Fazia tempo que não sobrevoava sua imensidão de ideias e ontem fui conferir o que tinha de novo. Assim conheci Andrea Wan e seu traço delicado.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

O dia em que o corpo enganou a mente

Puxei o ziper da pasta e ali encerrei mais um dia de exaustivo de trabalho. Compensador é descolar os ombros das orelhas, descer do salto, desfazer o coque, deitar no chão e jogar as pernas lá pra cima do sofá. No ritual começo por desativar os tags de mais um dia. Nada do que vi e ouvi nas últimas 10 horas me interessa agora.
Fecho os olhos para enxergar o nada e me flagro pensando na edição da Elle que minha colega de trabalho comprou e lemos durante nossa viagem no ipad. Na reunião para discutir um conceito de wellness, tínhamos descambado para as delícias de se ter tudo à mão, seja pela tecnologia ou pela eficiente onipresença do consumo, até onde teoricamente não deveria estar. Vimos tudo isso como benefício. Nem que seja embalado pela busca de equilíbrio para uma vida melhor, o consumo dita a vida em sociedade e, por via de regra, radicalismos não servem para praticamente nada. Apenas para nos tornar figuras intolerantes e chatas. Consciência não exclui consumo, o equilíbrio é que faz a diferença. Assim como a meditação não exclui pensamentos, mas nos ensina a qualificá-los. E o que faço eu agora com esses tags do dia pensando em como juntar os raciocínios numa frase para apresentar ao meu cliente? Trabalho. Oh, não, meu corpo relaxado me iludiu, que sagaz!
 Para tudo, por favor. Espera aí, deixa eu abrir uma porta imaginária aqui. Ahhhh, pisei numa areia branca fininha e fresca e caminho agora para um mar cristalino com ondas amistosas. Ufa, estou meditando para o meu bem estar. E minhas chances de que esse registro vire a grande sacada do dia seguinte são bem maiores.

domingo, 16 de janeiro de 2011

Three little birds

Não é de hoje que os pássaros são boas companhias das quais desfrutamos, eu e pequena Buda, aqui na nossa morada. Dias atrás ouvi uns piadinhos que pareciam vir de dentro de nosso apartamento. Achei que eram só as corriqueiras visitas deles, com o sol ou com a lua. Até que, numa tarde de sábado, os piadinhos eram altos e percebi que vinham da área de serviço. Silenciei e segui o som alegre que me levou até o velho e desativado aparelho do sistema de aquecimento a gás. Fiz toc, toc, toc no aparelho e o som pausou. Em alguns minutos, volta a sinfonia dos pequeninos com um bagunçado chacoalhar e uma pluminha delicada escapa por uma fresta. Descobri. Uma mamãe fez ali seu ninho e, desde então, dividimos o mesmo endereço. Até quando ficam, eu não sei. Sequer tive o prazer de conhecer os bebês ainda. Só a mãe que, como dei as boas vindas e disse que pode ficar o quanto for preciso, agora aparece na janela, com os pezinhos grudados na rede de proteção, cantando para mim todas as manhãs. É a inquilina mais simpática que eu poderia ter. Seus filhos são animados, piam todos ao mesmo tempo, frenéticos, até que ela bate as asas deixando a janela e vai confortá-los. Suponho que entre pela tubulação que sai lá no topo do prédio. Não sou nenhuma conhecedora de pássaros, mas tenho aprendido muito com eles. Jamais temem pela sobrevivência, pois confiam na natureza que os garante cada novo dia. São livres e lindos, leves e alegres. Seu canto diz mesmo o que a canção que minha filha adora ensina: "don't worry, about thing, cause every little thing, gonna be all right."